segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ode ao poeta



  Não te conheço - não pessoalmente. Não sei tuas manias, teus hábitos. Sei só tua doçura, tua escrita, tua ironia, tua sutileza. E quem disse que para ter carinho precisa haver presença? Se acreditasse em vidas passadas, diria que foste meu avô num tempo distante. Sim, porque hoje o que tenho é uma ausência no lugar de um avô. E me dói dizer isso. Porque és a imagem que tenho do que deve ser um vô. Quando te leio, sinto o coração sendo afagado por uma ternura que não me chega ser possível compreender. Fico querendo ser a menina Lili das tuas histórias. Acreditas nisso? Achas ser possível que goste de ti tendo nascido em outra época, tendo visto tua imagem só por fotos e lendo teus escritos somente após tua morte? Pois digo-te que sinto e faço tudo isso. E ainda agradeço-te por ter-me feito amar tua poesia e me encantar com a literatura. Se pudesse, meu abraço te transmitiria tudo isso que me esforço por dizer-te agora. Inclusive, acho muita audácia de minha parte dirigir minha escrita tão singela a ti, Quintana. Tu que foste inspiração, refúgio, delicadeza. Escreveste a mim e a milhares de pessoas sem a noção da comoção que teus versos provocariam. Fazes-me falta; fazem-me falta teus escritos. Vem-me à memória toda vez que me deparo com a beleza do corriqueiro e a minuciosidade dos dias. Obrigada por existir ainda aqui comigo e com tantos outros. Se te levou a morte, é porque o lugar onde te encontras devia estar necessitando irreverência...
Ainda me enches a alma e os olhos.

Com carinho.
À Mario Quintana

"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!"

Mario Quintana (Quintana de Bolso)