terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um começo e o fim


  E aquela sensação de que você sabe que aquilo no futuro vai acontecer de alguma forma? Pois bem, me desfiz dela. E não pense que foi fácil, mas depois de tanto tempo, foi tao natural... Como se o coração esperasse por algo que lhe desse a permissão de se desprender e seguir em frente. E que felicidade! Que liberdade boa essa que eu sinto. Liberdade de sentir, sem medos e receios de que as coisas regridam ao invés de progredirem. Dentro de mim eu me preencho com a certeza de que finalmente tudo está no lugar certo. Não o meu certo, mas o certo que precisa ser. E quem disse que não amo essa certeza? Minhas lágrimas agora têm gosto de satisfação, choro porque agora estou e sou o que preciso ser e me aceito assim. Uma felicidade sem tamanho (felicidade tem limite???)! De repente o errado virou certo, o medíocre - sem conotações pejorativas - virou maravilhoso e o meu desejo virou a minha realidade. E se pudesse, não escolheria nada diferente do que tenho agora. Não trocaria minha tristeza, minha falta de chão, minhas dúvidas, meus medos, meus fracassos, nada. Eles me carregam e eu os carrego também. Levo um pouco de cada coisa que vai me ajudar a ser mais eu. Estou me construindo, mesmo tendo que me desconstruir pra isso. Não poderia dizer com propriedade se vivo o momento mais feliz, mas vivo o meu momento e isso não só basta; é muito mais que o suficiente. Meu olhar, finalmente, (e só eu sei como isso enfim soa verdadeiro) é de doçura. Estou em paz. 
Com o mundo. 
Comigo.

domingo, 2 de setembro de 2012

prosa ao oritracon*

  Era quinta, mas também era domingo. Era dia, mas dentro era noite, roxo e não havia estrelas, mas nuvens. O sentimento era de quem anseia mas não consegue esperar, como quando algo está prestes a acontecer e o relógio parece atrasado, errado e a gente fica descrente. Tudo fica devagar, de repente o mundo não tem pressa, as idas já não querem partir e as chegadas ficam mais distantes. Os amantes já não sentem mais, o sol tem preguiça de brilhar e o faz porque é seu dever. As ondas batem sem querer voltar pro mar, mas o fazem porque têm de levar embora o que trouxeram, o que lhes é seu por direito. Os sonhos agora têm nexo e não há mais interesse em perdurá-los, mas em simplesmente acordar. Os dias fogem do mês, e agosto já se foi sem que de fato partisse, dando lugar a um setembro que anseia por outubro. A menina já não crê mais, só observa, atenta, ao mágico tentando encantá-la. Nem o mágico acredita no coelho que sai da cartola. Os ventos já não são tranquilos, as tempestades já não devastam, a chuva já não molha mais. A farsa já não engana; sai, sacana, sem querer se fazer notar, como quem fez algo muito errado e precisa demais só sair sem causar danos. A flor agora não tem cheiro, e espera apenas lhe cortarem o caule pra uma amante presentear. Os dentes-de-leão não são volúveis, mas fixos ao chão e apesar de ainda propensos a voar, o fazem só com o sopro da menina, que por ser descrente, não consegue libertá-los do finco. A vida segue tranquila agora, não levada pela correnteza dos rios, mas pela mansidão dos lagos. As corujas já dormem um sono tranquilo e tudo parece no lugar, mesmo tão disforme.
  E eu... bem, eu já não anseio, planejo, figuro, invento. Vivo assim, do improvável e do contrário, me vestindo de algo que não sei distinguir, mas certa de que é tudo o que tenho. Porque agora não te espero; caminho pra tudo o que me aguarda mês que vem.

*contrário