quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quando não mais morar em mim

O que vou fazer quando você for embora? Quando você não morar mais nos meus textos, quando eu não te ler mais nas minhas entrelinhas e não te enxergar nas minhas metáforas? O que fazer quando você não me inspirar mais poesia, conto, prosa, crônica? Os textos serão vazios, não verossímeis e sem vida? Será que ainda vou precisar me lembrar de não te escrever mais? Será que ao fazer isso serei mais madura por então aprender a não te transcrever? Te evitar vai ser mais fácil, te encarar mais natural e falar contigo menos doloroso? Serão minhas madrugadas mais tranquilas, minha insônia extinguida e meus sonhos protagonizados por um borrão de rosto apagado? Serei eu dona de uma escrita dolorida, feliz ou não mais dona de escrita alguma? Será você minha fonte de inspiração mais  duradoura? Conseguirei te lembrar com doçura? E por fim... O meu beijo vai desistir de te encontrar?

5 comentários:

  1. A gente acha que morre com o amor, Paulinha. E então a gente sobrevive - junto com ele. Todas essas perguntas serão respondidas em uma tarde de sol - ou chuva - quando você lembrar dele e, por isso, ficar surpresa. "É mesmo, ele", e sorrir. É você quem vai escrever as respostas para seu texto.

    Daqueles textos em que não dá para parar no meio, é preciso ir até o fim sem piscar os olhos.

    Um beijo!

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  2. Intenso como sempre...
    Saudades paulinha, abraços.

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  3. Anseio pelo dia em que estas perguntas serão respondidas à mim também. Conforta saber que não sou a única fadada a ter um amor que não mais pode existir.

    Que tenhamos sorte no tempo.

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  4. Eu acho que é mais fácil você se pegar escrevendo um texto de que esqueceu. Fazendo uma poesia de como foi. Uma frase de como não sente mais. E então vai perceber que, de uma maneira ou de outra, você está falando dele. Talvez haja um período de sequidão, falta de inspiração, vazio mesmo. E quem sabe, de repente, você estará fazendo tantas coisas que realmente não lembrará mais. Nem mesmo lembrará que esqueceu e então ele terá ido embora de verdade. Mas quem disse que devemos abandonar as lembranças? Deve haver um motivo para os momentos ficarem marcados na nossa mente. E o motivo deve ser bastante significativo quando fica gravado com mais intensidade. Porque, no fundo, nós gostamos de lembrar. E gostamos de sentir que nosso sentimento é puro e transpassa as barreiras do tempo, da saudade, da distância, dos erros... Afinal, é honroso um sentimento verdadeiro. É sempre bonita uma poesia e o fato de, geralmente, ela não possuir reciprocidade a torna ainda mais bonita, mesmo que triste. Não sei... Talvez esse período passe e ele volte a fazer morada em você. E te preencha tanto com sua presença que não haverá nem tempo para escrever, por que não? (São apenas suposições). Enfim, tempo. É sempre essa a resposta. O tempo muda tudo e revela praticamente todas as coisas.

    Lindo texto! Me fez pensar bastante (e comparar com o que eu estou sentindo no momento).

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  5. Que bonito, menina. Eu adoro textos em que transbordam sentimentos de uma maneira simples, sem rodeios, às claras. Aliás, adorei o seu blog. É tão, mas tão doce tudo por aqui. Eu volto mais vezes, sim? Ganhasse uma leitora.
    Um beijo, @pequenatiss.

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