quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sobre algodão doce e frutas fora da estação


  Você me assalta a mente em momentos alternados, sem que eu me dê conta ou planeje qualquer coisa. Te imagino me olhando nas horas mais inusitadas - você nunca teve essa sensação de estar sendo vigiado por alguém a quem tenha carinho só pra que uma pequena falha qualquer seja descoberta? -, me tirando a privacidade. 
  Fico esperando qualquer sinal teu, qualquer mensagem, bilhete, tweet, e-mail, até telepatia me propus a praticar! E, ironicamente, é no meu momento mais cru que você vem. Quando não te espero, quando nem te quero e quando penso que te esqueci. Você já chega me tirando a noção de tudo, me lembrando de esquecer o mundo e já te querendo outra vez. Espero os fins de semana como uma criança anseia a chegada do pai depois de um dia de trabalho. É nos fins de semana que você me visita e eu espero a semana inteira pra me ver sorrir por dentro.
  No sábado você é só meu e usa todo o seu charme pra me manter entretida (como se fosse preciso qualquer coisa se não o teu olhar). Nossas manhãs são tenras e parecem saídas de uma vida que não a minha. As tardes voam em conversas cúmplices e leves, por vezes banais. Somos amigos inseparáveis, apaixonados inconsequentes e confidentes dentro de um mundo que é azul e contém as nuvens mais doces que qualquer algodão (desculpe escrever isso, a gente já não tem controle sobre as palavras normalmente...). Quando a noite chega, já não consigo aceitar que amanhã já vou estar com sua ausência, tão marcante nos meus dias. 
  O domingo é triste; tem gosto amargo. Como uma fruta fora de estação. Domingos nem deviam existir, é o dia que eu me agarro a você na vã tentativa de te fazer ficar. Mas você tem que ir, faz parte, está escrito na nossa história que pra merecermo-nos precisamos estar calejados, não é mesmo? 
   Você parte e parte de mim já não está comigo. A sensação que tenho é de impotência; não é justo que sejamos separados tão perversamente pelo acaso (ou destino?).
   Enquanto você está lá alimentando os sonhos de outros alguéns, esse pedacinho de mim que ainda permanece aqui se questiona se a "nossa história é faz de conta ou é faz acontecer..." *
 
*Trecho de "Nosso pequeno castelo" TM

Um comentário:

  1. "E, ironicamente, é no meu momento mais cru que você vem. Quando não te espero, quando nem te quero e quando penso que te esqueci." Como pode ser tão verdade, não é? Isso é muito muito muito real. E esse texto é tão lindo, fala de afeto de um jeito tão doce, doce como o título! *-* Beijinhos.

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