sexta-feira, 18 de maio de 2012

Das tolices

  Sei que não devia te falar isso, mas você estava lindo naquele dia. Não havia nada de extraordinário no seu cabelo, tampouco na sua roupa, mas você mostrava tanta segurança que me fez ter inveja – uma inveja boa, de algo que eu queria ter sido. Seu olhar era denso e calmo, como poucos que já cruzaram meu caminho. Seu sorriso era natural como um bom dia e eu me pergunto como você consegue sorrir com os olhos. Estava corado, como quem pega o resto do sol no fim da tarde.

  Até seu jeito estava diferente; você gesticulava com cautela e selecionava minimamente as palavras como se disso dependesse sua vida (mas veja só que ironia... Suas palavras de tão suaves me machucaram mais que qualquer insulto. Porque para os insultos eu tenho minha autoimunidade, mas com tua doçura eu não posso lutar.)

  Não consegui discernir tuas frases porque me perdi em você, fácil demais. Sem esforço você me convenceu a ficar e eu nem fiz questão de me forçar a recusar. Só me vi dentro dos teus olhos trilhando um caminho sem volta. Tentei, então, expressar esse tanto de sentimento que você me fez descobrir, e soube que ia falhar no momento em que a frase se formou na minha boca. Era impossível.

  Talvez se fosse outro alguém ou mesmo seu eu não estivesse presa à tua imagem tão nítida na minha retina que, mesmo que eu feche os olhos, posso lembrar cada detalhe tão seu. Posso sentir o tom grave da sua voz, posso ouvir tua presença tão gritante aqui. E toda vez que sentir teu perfume vou me transportar a uma época que nunca vivi e que tenho saudades.

  Queria saber como pode ter sido. Só lembro que aquela foi a primeira vez que me apaixonei pelo teu olhar e também a primeira em que me perdi em você, dentre tantas outras.

***

Um comentário:

  1. O bom é se perder e não querer mais voltar. O amor é assim e espero que ele não mude, sua graça tá aí!

    Beijos, flor
    http://eppifania.blogspot.com.br/

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