sábado, 8 de dezembro de 2012

Dona(o?) de casa

"- Mas é, né... Paixão não quero... Depois que passa desarruma tudo.

- Chega desse negócio de desarrumar a casa. Já falei para ele ir embora e trancar a porta. Só quem tiver a chave tem permissão de se aproximar.

- O problema é que eles têm cópias da chave que até a gente já tinha esquecido que existiam. Daí entram e fazem a bagunça. Quando a gente se dá conta, já estão esparramados no sofá, com o controle da tv na mão e pedindo mais uma cerveja gelada que o futebol vai começar."

E acrescento: às vezes o necessário é uma faxina na casa. Mesmo que quem o faça seja diarista.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Alfabetização poética

  Você trouxe meu primeiro poema. Também a primeira prosa. Não digo que te devo minha escrita, porque ela é autossuficiente demais para precisar de alguém para se projetar. Não que isso signifique que ela não esteja debilitada pelo vazio que preenche a alma; existe por si só, ainda que falha. Mas você me trouxe a noção do que é ser tomada de uma saudade sem significação precisa, uma vontade de relembrar o que fui e o que me motivava, o que senti quando fui tomada por esse sentimento bom – não inédito, mas pela primeira vez com consciência do que é precisar de alguém – e desnorteador.

  Lembro das tardes em que escrevia buscando te entender, sem saber que eu precisava me olhar de dentro primeiro e ainda que, apesar de meus esforços, me entender seria impossível. O papel me ouvia e me silenciava o pensamento. As palavras me abraçavam e me tomavam no colo, tentando amenizar o caos que você instaurara em mim. As orações feriam, mas só queriam que eu me libertasse e eu, nessa busca desenfreada por me encontrar, me perdia sem volta. Nunca voltei a mesma depois de te escrever. E era assim que me construía e tomava ciência do que ocorria em mim. Não com exatidão, mas mais perto daquilo que pensava sentir.

  Penso em te escrever e quem sabe agradecer por isso tudo. Se o fizer, vou pedir que leve tuas palavras da minha escrita, essas que você esqueceu aqui comigo e só agora lembrei de sua presença. Por muito tempo estiveram desaparecidas – adormecidas, quem sabe -, mas agora, com seu retorno, sinto –as mais forte e penso que seu estrago talvez seja maior. Não que desgoste de sua estadia, veja bem. É só que elas me trazem certo saudosismo, algo que não consigo ter certeza e que me faz questionar quem sou e quem vim sendo todos esses anos. São verdade, entende? Talvez uma verdade que eu não esteja preparada pra entender ou enfrentar. Agora só preciso da paz do silêncio das palavras, ainda que doa ter que me desfazer de todo o meu eu-lírico tão carregado da tua presença. Não é real, é só esse sentimento se fingindo de doce para me convencer que está tudo bem. E então vem o amargo que é a tua condição. E a minha também; a consciência de que voltei a um ponto do qual nunca saí.

  Só questiono se é um retrocesso só meu.

Ps: A bagunça no texto, no ordenamento, na estrutura é só o meu reflexo. É como ser alfabetizada de novo. Perdoem a bagunça dentro de mim.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Memória: futuro


"- E isso de memória seletiva, você acha que funciona?"
"- Não tem como selecionar o que se quer esquecer ou até o que se quer lembrar. A memória habita nossos desejos, nossa parte mais íntima. Tá na pele, no cheiro, em você, em mim, num riso, num livro... É irracional, passional até. Vem num repente, no automático, na simplicidade dos atos. A gente passa e vai deixando marcas por aí que serão lembradas com doçura ou não. A memória é o que você é, o que se mostrou pelo menos. Claro que há certas coisas que a gente se força a não lembrar para não reviver, mas isso só mostra que continua vivo."
"- E você acha que evitar lembrar pode funcionar?"
"- Olha, não sei se efetivamente, mas ajuda. Saudade é um sujeito intrometido, entra sem convite e se instala até que decida já ter machucado o bastante. Mas também acredito que, se o que foi vivido te modificou de alguma forma, é impossível se desconectar abruptamente. Para ser superado precisa ser gradativo... E Deus me livre viver sem lembranças! Faz parte de cada um, entende? É essa tendência de acharem que tristeza é uma coisa ruim..."
"- Você falando assim faz a tristeza parecer amiga..."
"- E não é? Tudo o que há de mais lindo tem certa melancolia. Ela é bonita à sua forma."
"- Quando você fica triste, faz o que?"
"- Me diz você..."
"- Gosto de ouvir música. Dessas que te doem, sabe?"
"- Sei... Eu escrevo. Também porque sou muito alegre e preciso perdurar esse momento. Então preciso prolongar a sensação de ser poeta por um instante. Preciso desse momento para me encontrar e para me maximizar; de fora parece tudo muito pequeno enquanto aqui dentro é tão complexo..."


E num momento, numa hora, num mês as coisas mudam. Tempo. Lindo. Revigorante, sempre.
Tempo tempo tempo tempo já não tenho mais pedidos.

*memória: futuro. Porque o que fica no passado nos influencia hoje. Carregamos o ontem pelo amanhã adentro.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um começo e o fim


  E aquela sensação de que você sabe que aquilo no futuro vai acontecer de alguma forma? Pois bem, me desfiz dela. E não pense que foi fácil, mas depois de tanto tempo, foi tao natural... Como se o coração esperasse por algo que lhe desse a permissão de se desprender e seguir em frente. E que felicidade! Que liberdade boa essa que eu sinto. Liberdade de sentir, sem medos e receios de que as coisas regridam ao invés de progredirem. Dentro de mim eu me preencho com a certeza de que finalmente tudo está no lugar certo. Não o meu certo, mas o certo que precisa ser. E quem disse que não amo essa certeza? Minhas lágrimas agora têm gosto de satisfação, choro porque agora estou e sou o que preciso ser e me aceito assim. Uma felicidade sem tamanho (felicidade tem limite???)! De repente o errado virou certo, o medíocre - sem conotações pejorativas - virou maravilhoso e o meu desejo virou a minha realidade. E se pudesse, não escolheria nada diferente do que tenho agora. Não trocaria minha tristeza, minha falta de chão, minhas dúvidas, meus medos, meus fracassos, nada. Eles me carregam e eu os carrego também. Levo um pouco de cada coisa que vai me ajudar a ser mais eu. Estou me construindo, mesmo tendo que me desconstruir pra isso. Não poderia dizer com propriedade se vivo o momento mais feliz, mas vivo o meu momento e isso não só basta; é muito mais que o suficiente. Meu olhar, finalmente, (e só eu sei como isso enfim soa verdadeiro) é de doçura. Estou em paz. 
Com o mundo. 
Comigo.

domingo, 2 de setembro de 2012

prosa ao oritracon*

  Era quinta, mas também era domingo. Era dia, mas dentro era noite, roxo e não havia estrelas, mas nuvens. O sentimento era de quem anseia mas não consegue esperar, como quando algo está prestes a acontecer e o relógio parece atrasado, errado e a gente fica descrente. Tudo fica devagar, de repente o mundo não tem pressa, as idas já não querem partir e as chegadas ficam mais distantes. Os amantes já não sentem mais, o sol tem preguiça de brilhar e o faz porque é seu dever. As ondas batem sem querer voltar pro mar, mas o fazem porque têm de levar embora o que trouxeram, o que lhes é seu por direito. Os sonhos agora têm nexo e não há mais interesse em perdurá-los, mas em simplesmente acordar. Os dias fogem do mês, e agosto já se foi sem que de fato partisse, dando lugar a um setembro que anseia por outubro. A menina já não crê mais, só observa, atenta, ao mágico tentando encantá-la. Nem o mágico acredita no coelho que sai da cartola. Os ventos já não são tranquilos, as tempestades já não devastam, a chuva já não molha mais. A farsa já não engana; sai, sacana, sem querer se fazer notar, como quem fez algo muito errado e precisa demais só sair sem causar danos. A flor agora não tem cheiro, e espera apenas lhe cortarem o caule pra uma amante presentear. Os dentes-de-leão não são volúveis, mas fixos ao chão e apesar de ainda propensos a voar, o fazem só com o sopro da menina, que por ser descrente, não consegue libertá-los do finco. A vida segue tranquila agora, não levada pela correnteza dos rios, mas pela mansidão dos lagos. As corujas já dormem um sono tranquilo e tudo parece no lugar, mesmo tão disforme.
  E eu... bem, eu já não anseio, planejo, figuro, invento. Vivo assim, do improvável e do contrário, me vestindo de algo que não sei distinguir, mas certa de que é tudo o que tenho. Porque agora não te espero; caminho pra tudo o que me aguarda mês que vem.

*contrário

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

crise

….existencial?
  E quando me imagino no futuro, não sei se serei aquilo que quero agora. Há tantas perguntas sem respostas, tantas certezas volúveis, tantos sonhos incompletos que a possibilidade de não me reconhecer daqui a 20 anos é imensa. Sei que mudo e mudarei enquanto ser humano, só não sei até que ponto almejo tal mudança. Porque parece que tudo o que quero talvez não se concretize e tenho receio quanto às minhas frustrações.
  Temo não me encontrar quando me ver no futuro. Não conseguir achar meus ideais em mim, meus valores, minha moral. Tenho sido moldada por uma lógica diferente da qual cresci acreditando. É uma frieza a mais, uma descrença no outro e uma crença absurda na volatilidade das relações humanas. O contato com o acadêmico me fascina e me deixa acuada ao mesmo tempo; não enxergo verdade por trás das atitudes do outro.
  Penso nos amigos, na família, nos meus amores futuros. Será que em algo se assemelham ao que preconizo hoje? Se pudesse me enxergar quando madura, me reconheceria? Tenho medo do que posso me tornar. Não que eu não acredite nos caminhos que escolho, mas a vida é tão diversa e tão honesta que a radicalidade não me parece boa, ainda que eu certamente esteja errada.
  Talvez a racionalidade esteja mesmo me formando. Por ora, troquei os romances água com açúcar pelos livros de cunho acadêmico. Não reclamo; minhas descobertas têm me encantado e me feito melhor. Eu diria que não queria perder a inocência apesar disso, mas sei que é inevitável. De utópico me basta o socialismo.
  “(…) Para os existencialistas, uma vida sem significado era uma vida vazia. E, para que ela tivesse sentido, era preciso viver norteado por valores profundos e inegociáveis.”



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Mutualismo literário


   Nunca tive pretensão de ser escritora, poeta, romancista, cronista. Não escrevo; é a escrita quem me (d)escreve. Liberta, dá forma ao que sinto nem sempre com precisão, mas com uma verdade e uma verossimilhança que por vezes me espanto. Floreio casos e acasos e procuro valorizar os sentimentos, porque todos me são belos. Mesmo a tristeza, tão temida. 
   Mas às vezes a escrita falha. Não por incapacidade; por rebeldia. Ela insiste em se apegar àquilo tudo que se quer deixar ir. E toda vez que sou posta à frente do papel sangro. Reproduzo o que me dói, na ingenuidade de ser honesta comigo. A escrita me trai, me corrói quando tenta se libertar e eu, numa vã tentativa de autocontrole prendo-a com correntes de realidade. Como uma coisa pode ser tão contraditória? Sara e fere simultaneamente. E precisa ser assim? Não se pode fingir pelas palavras, manipular as orações se nos meus contos tudo posso?
   Fico achando que o problema é em mim, que talvez não tenha a maturidade necessária para me fazer forte ao menos num parágrafo. Escrever constrói e destrói; liberta e aprisiona; nos torna livre porém escravos. É uma substância tóxica que devia ser ilícita por causar dependência. É o que prende com mais vigor a todo o íntimo de um ser humano, é toda a verdade de uma história mascarada por personagens e recursos estilísticos. É cruel, mas é também o esconderijo de todos os sentimentos estocados e intocados.
  Da dificuldade de escrever, escrevi. Vê? Só nela isso é possível; fazer do problema solução. No final só concluo que dela sou refém e não procuro me esquivar, procuro-a como se dela dependesse minha vida e talvez seja isso. Um mutualismo literário. Porque sem mim ela não existe e sem ela não sou verdade.
   *Mutualismo: (Biologia) - relação entre dois indivíduos de espécies diferentes na qual ambos se beneficiam e um não pode viver sem o outro.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ventos alísios


   É tanta coisa que eu já não sei definir o que é certo, considerando que haja mesmo um modo certo de enxergar as coisas. Não estou ligando; ultimamente só aquela história de presenciar cada minuto inteira tem me importado. Queria dizer que adiante a gente se encontra, mas e aí? O que acontece se no meu dia seguinte eu te esbarrar na rua? Vou te olhar e sentir as mesmas coisas, mas não vai passar disso. Você talvez sorria como sempre e talvez até troquemos umas palavras e então teu gostinho amargo vai voltar à minha boca. Não, não sentirei raiva ou mágoa ou tristeza. Você não me desperta o que é medíocre, portanto fique tranquilo. Por agora eu só quero continuar acreditando que tudo que estou vivendo faz sentido e é essa a impressão que tenho. A sensação de que estamos guardados pra mês que vem foi soprada de mim, levada com essas brisas esporádicas de discernimento que me surpreendem todas as vezes em que sou sensata. Mas minha sensatez vai até certo ponto, uma linha tênue entre o que é real e o que é fantasia. 
   Não que não te lembre, mas agora tudo tem me ajudado a te transformar em alguém realmente distante. Tenho te guardado em um lugar seguro, a salvo de minhas visitas guiadas pelo coração, ainda que ele muitas vezes fuja e te encontre sem que eu me dê conta. Te visito pela lembrança apenas, querendo memorizar e estocar tuas palavras numa caixinha que pretendo manter fechada. Quero mesmo acreditar que o tempo tem minhas respostas e é ele o responsável por te varrer de mim. Não te jogando pra baixo do tapete, mas te levando embora permanentemente. 
  E por fim- por que não?- quero agradecer-te por devolver à minha escrita a primeira pessoa, que pensei ter superado, esquecendo que não preciso fazê-lo. Mascarar-me com o uso da terceira pessoa só anula minha realidade e anuvia o que grita em mim. É preciso exclamar e transparecer na minha escrita pra que eu seja ouvida e entendida, ainda que eu o faça em silêncio. E ainda que tudo seja em vão.
   *ventos alísios: "ventos que ocorrem todo ano nas regiões tropicais (...) e que trazem umidade, provocando chuva nos locais por onde passam." Porque não houve metáfora mais cafona e correta pra te ilustrar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quando não mais morar em mim

O que vou fazer quando você for embora? Quando você não morar mais nos meus textos, quando eu não te ler mais nas minhas entrelinhas e não te enxergar nas minhas metáforas? O que fazer quando você não me inspirar mais poesia, conto, prosa, crônica? Os textos serão vazios, não verossímeis e sem vida? Será que ainda vou precisar me lembrar de não te escrever mais? Será que ao fazer isso serei mais madura por então aprender a não te transcrever? Te evitar vai ser mais fácil, te encarar mais natural e falar contigo menos doloroso? Serão minhas madrugadas mais tranquilas, minha insônia extinguida e meus sonhos protagonizados por um borrão de rosto apagado? Serei eu dona de uma escrita dolorida, feliz ou não mais dona de escrita alguma? Será você minha fonte de inspiração mais  duradoura? Conseguirei te lembrar com doçura? E por fim... O meu beijo vai desistir de te encontrar?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Das tolices

  Sei que não devia te falar isso, mas você estava lindo naquele dia. Não havia nada de extraordinário no seu cabelo, tampouco na sua roupa, mas você mostrava tanta segurança que me fez ter inveja – uma inveja boa, de algo que eu queria ter sido. Seu olhar era denso e calmo, como poucos que já cruzaram meu caminho. Seu sorriso era natural como um bom dia e eu me pergunto como você consegue sorrir com os olhos. Estava corado, como quem pega o resto do sol no fim da tarde.

  Até seu jeito estava diferente; você gesticulava com cautela e selecionava minimamente as palavras como se disso dependesse sua vida (mas veja só que ironia... Suas palavras de tão suaves me machucaram mais que qualquer insulto. Porque para os insultos eu tenho minha autoimunidade, mas com tua doçura eu não posso lutar.)

  Não consegui discernir tuas frases porque me perdi em você, fácil demais. Sem esforço você me convenceu a ficar e eu nem fiz questão de me forçar a recusar. Só me vi dentro dos teus olhos trilhando um caminho sem volta. Tentei, então, expressar esse tanto de sentimento que você me fez descobrir, e soube que ia falhar no momento em que a frase se formou na minha boca. Era impossível.

  Talvez se fosse outro alguém ou mesmo seu eu não estivesse presa à tua imagem tão nítida na minha retina que, mesmo que eu feche os olhos, posso lembrar cada detalhe tão seu. Posso sentir o tom grave da sua voz, posso ouvir tua presença tão gritante aqui. E toda vez que sentir teu perfume vou me transportar a uma época que nunca vivi e que tenho saudades.

  Queria saber como pode ter sido. Só lembro que aquela foi a primeira vez que me apaixonei pelo teu olhar e também a primeira em que me perdi em você, dentre tantas outras.

***

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sobre algodão doce e frutas fora da estação


  Você me assalta a mente em momentos alternados, sem que eu me dê conta ou planeje qualquer coisa. Te imagino me olhando nas horas mais inusitadas - você nunca teve essa sensação de estar sendo vigiado por alguém a quem tenha carinho só pra que uma pequena falha qualquer seja descoberta? -, me tirando a privacidade. 
  Fico esperando qualquer sinal teu, qualquer mensagem, bilhete, tweet, e-mail, até telepatia me propus a praticar! E, ironicamente, é no meu momento mais cru que você vem. Quando não te espero, quando nem te quero e quando penso que te esqueci. Você já chega me tirando a noção de tudo, me lembrando de esquecer o mundo e já te querendo outra vez. Espero os fins de semana como uma criança anseia a chegada do pai depois de um dia de trabalho. É nos fins de semana que você me visita e eu espero a semana inteira pra me ver sorrir por dentro.
  No sábado você é só meu e usa todo o seu charme pra me manter entretida (como se fosse preciso qualquer coisa se não o teu olhar). Nossas manhãs são tenras e parecem saídas de uma vida que não a minha. As tardes voam em conversas cúmplices e leves, por vezes banais. Somos amigos inseparáveis, apaixonados inconsequentes e confidentes dentro de um mundo que é azul e contém as nuvens mais doces que qualquer algodão (desculpe escrever isso, a gente já não tem controle sobre as palavras normalmente...). Quando a noite chega, já não consigo aceitar que amanhã já vou estar com sua ausência, tão marcante nos meus dias. 
  O domingo é triste; tem gosto amargo. Como uma fruta fora de estação. Domingos nem deviam existir, é o dia que eu me agarro a você na vã tentativa de te fazer ficar. Mas você tem que ir, faz parte, está escrito na nossa história que pra merecermo-nos precisamos estar calejados, não é mesmo? 
   Você parte e parte de mim já não está comigo. A sensação que tenho é de impotência; não é justo que sejamos separados tão perversamente pelo acaso (ou destino?).
   Enquanto você está lá alimentando os sonhos de outros alguéns, esse pedacinho de mim que ainda permanece aqui se questiona se a "nossa história é faz de conta ou é faz acontecer..." *
 
*Trecho de "Nosso pequeno castelo" TM

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sol e chuva

 

  Meio a meio por Paula Napolião

  Te encontrei (sic) num domingo abafado, desses que o sol parece castigar aqueles que tem a pretensão de sair a rua. O tempo abafado, curiosamente, era uma metáfora do meu estado de espírito.

  Eu estava distraída, não te notei, mas você fez questão de se fazer notar. Puxou assunto como se já me conhecesse e eu, sem entender, fui dando trégua e quando vi já era um pouco tarde. Você me entreteu e eu gostei do jeito displicente que você mostrou levar a vida, sem grandes preocupações, porém de forma responsável. Pensei que cairíamos bem um no outro; você parecia ser a minha medida certa.

  Naquele dia conversamos sem notar o passar das horas, que corriam como que atrasadas. Você me olhava e eu ia te desenhando e te formando dentro da minha cabeça, querendo analisar seus trejeitos e adivinhar seus defeitos – as qualidades estavam todas ali, na minha frente. Assim passaram-se os dias, as semanas, os meses.

  Daí veio sua hora. Tivemos algo leve, displicente e tão sutil que chegou a parecer irreal que você um dia tivesse existido. Sua passagem foi fácil e eu me dei por satisfeita quando você alegou precisar ir embora. Já veio me dizendo pra que eu não te interpretasse errado, mas que aqui não era o seu lugar. Diferente de todas as reações que eu esperei de mim, fui compreensiva e sorri; te entendia perfeitamente. Disse que você devia mesmo ir procurar seu sentido no mundo e, que quando encontrasse, me mandasse cartas descrevendo sua jornada e suas marcas deixadas por aí afora. Você só sorriu de volta e concordou, rindo de minha inusitada paixão por cartas.

  Guardei aquele sorriso comigo e o trago pelo meu destino. Toda vez que preciso respirar e me lembrar o quão doce a vida pode ser, tiro-o de minhas lembranças e admiro-o de um pedestal. Você me teve nas mãos e eu idem, mas soubemos nos deixar partir. Você me ensinou a dar laços e não nós, a assistir um voo sem torcer para que o outro caia. Continuo querendo te encontrar por aí num sábado, dessa vez, e que ele seja ameno também. Tenho certeza que o dia vai estar nublado e talvez chova dentro de mim quando eu ouvir tuas palavras. Uma chuva branda que vai lavar e me tirar as incertezas, lembrando da tua docilidade e me fazendo querer ser melhor.

domingo, 8 de abril de 2012

Vou te levar comigo

postblog

Laís,

  Te escrevi uma carta, te avisei da carta e não te mandei. Você já sabe como sou; provavelmente a carta está agora perdida na minha gaveta entre apostilas do ano passado e artigos que preciso ler para as provas que começam semana que vem. Ela está lá, apesar disso, e um dia, quando formos bem mais velhas ainda vou relê-la pra lembrar dos nossos feitos e rir das nossas bobeiras. Pois bem, resolvi escrever-te de novo e dessa vez postar aqui no meu cantinho, onde me sinto a vontade e não há risco deste texto sofrer qualquer tipo de extravio.

  Pra começar, preciso falar que tenho sentido sua falta mais do que achei que fosse sentir. É claro que eu sempre soube que minha rotina, círculo de amizades e conversas iriam mudar, mas aquela história de que sentimos falta quando há a presença da ausência faz mais sentido agora. Sinto falta de alguém pra compartilhar qualquer coisa imbecil, rir das minhas piadas que poucos entendem, abrir o coração de forma sincera. Sinto falta de rir com você no ônibus, chorar quando as coisas vão mal, reclamar de pressão, cansaço, estresse. Fazemos do programa mais meia-boca o acontecimento do ano! Dançamos até não aguentar mais ficar sobre o salto e, se for preciso, descemos dele pra continuar na pista.

  Esse ano faz três anos que viramos amigas. E também faz 18 anos que nos conhecemos. Incoerente, mas foi a coisa mais sábia que o destino, os deuses, os astros e mesmo Deus fez por nós. Agradeço por cada pedacinho seu que você deixou na minha vida (e acredite, vão ficar para sempre). Nesse tempo, aprendi a lidar com você, suas inconstâncias, seu temperamento, sua personalidade forte, sua sinceridade e sua sensibilidade exacerbada. Você é muitas em uma só, e por isso é julgada muitas vezes. Basta que te deem a chance de se mostrar um pouquinho e essa menina que se esconde em mulher logo sai pra brincar.

  Eu só queria que não perdêssemos o que temos agora. Por incrível que pareça, apesar de não estarmos mais juntas todos os dias, sinto que nossa amizade só cresce e isso me deixa imensamente feliz. Quero partilhar das suas alegrias e tristezas mesmo longe. Quero que você me ligue pra ficarmos horas a fio falando de nada no telefone. Quero continuar te mandando mensagem pra falar uma idiotice ou só pra te lembrar que você não está sozinha. Não quero te perder mesmo que as circunstâncias nos levem a pensar o contrário ou a vida nos ponha em caminhos totalmente distintos.

  Vejo que mudamos e ainda assim nos moldamos uma à outra e espero que essa seja uma característica permanente na nossa amizade, por mais difícil que isso possa ser.

  Que a gente continue com essa alegria de viver cada dia como se fôssemos livres, sem compromisso com a vida ou qualquer outra coisa.

  Viver só por viver, da forma mais suave...

  Um beijo,

  Paula.

“Menina, vou te guardar comigo (…)

Menina, levo você comigo.”

sábado, 31 de março de 2012

Por uma noite

  Aquelas mãos não eram tuas, bem como não era tua aquela boca, a saliva, o hálito, o beijo. Só era tua a lembrança. A intimidade era com um ser estranho, que eu não soube o nome e nem me interessa saber. Ele só queria aquele momento (assim como eu) e testar meus limites, que deixei claro quais eram. Tentou tirar de mim o máximo que eu tinha a oferecer, sem conseguir muito além de um quase amasso. Não era culpa dele, mas dessa insistência minha em não me permitir ou não conseguir uma intimidade tão repentina com um ser aleatório.

  Eu sei, eu sei, é essa minha mania de poetizar tudo. Mas também sei que deve ter alguém que, assim como eu, sinta-se em outro corpo ao criar laços inexistentes e fictícios com um desconhecido. Alguém que sinta falta de uma conversa mais profunda antes de qualquer gesto ou um olho no olho antes de um beijo intenso e lentinho.

  Talvez eu esteja até muito nova pra querer enxergar profundidade em tão corriqueiras situações. Não desgosto da liberdade, do não compromisso, veja bem... Só não sei ser assim o tempo inteiro. Quero colo conhecido, um abraço que esteja carregado de sentimentos e que estará presente mesmo depois que as horas quentes esfriem. Compartilhar alegrias, derrotas, conquistas, banalidades. Quero poder dizer que a aula de contabilidade hoje foi um saco, mas que adorei a de comércio exterior e que o professor me lembra um avô que eu não tive. Quero dizer o quanto estou confusa e insegura com tudo, mesmo tendo feito a escolha certa. Quero falar do livro que li que me ensinou tanta coisa, mesmo sendo autoajuda e eu tendo um preconceito enorme com o gênero.

  Você não pode me ouvir, eu sei. Nem quero que o faça, acredite. Só queria poder te tirar desse posto e pôr outro no teu lugar. Não te contei? Essa é a minha meta pessoal e sei que vou conseguir.

(Trilha sonora? Vamos de City and Colour. Com vocês, Dallas Green.)

So say goodbye to love,
and hold your head up high.
There's no need to rush
we're all just waiting, waiting to die
.”

sábado, 17 de março de 2012

Em segredo – Bilhete

  Tive vontade de te escrever. Não pra você, por mim. Pra me convencer do teu bem por aqui, da tua audácia de estar ao meu lado apesar da minha inconstância e indecisão. Sou horrível, sei disso. Meu temperamento oscila constantemente e não me aguento diversas vezes. Pergunto-me como você o faz, sempre tão paciente e resignado com todas as minhas dúvidas.

  Obrigada pelo teu silêncio, tua mudez relevante e decisiva comigo. Teu olhar mais compreensível que qualquer frase clichê de conforto. Tuas mensagens e ligações inesperadas e necessárias, mesmo quando a última coisa que eu queria era falar com alguém. Doente, na rua, com sono, na aula; você sempre me surpreende. Eu devia estar escrevendo sobre outra pessoa, essa que me machuca apesar de ausente, mas achei injusto contigo. Injusto não te notar, não te ressaltar em meio a confusão que está minha vida. Você me ajuda a me encontrar mesmo sem perceber, mesmo me sentindo insensata e insana, fora de mim.

  O problema é que gosto de você (e muito!). Não da maneira que você merece, mas da minha maneira. É injusto, ridículo e até doentio não conseguir te enxergar enquanto você grita silenciosamente que me aceita assim. Desculpe! Desculpa essa louca que há muito já não sabe o que fazer. Ajuda-me a abrir mão de ti sem te deixar. Não me deixe envolver pela metade quando não é isso o que merece. Só me diz que vai ficar tudo bem, que é pra eu ir em frente e ser razoável, não me culpar tanto.

  Vá embora sem sair da minha vida, pro teu bem.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O meme das 11 perguntas

 Como a Monique mesmo disse, é preciso dar um tempo na escrita pra respirarmos um pouco, ainda que “transbordemos palavras” (o blog dela é um charme, super recomendo). Por esse motivo, resolvi responder esse meme (e adorei!).

REGRAS

· Escrever 11 coisas (aleatórias) sobre si mesmo em seu blog;

· Responder 11 perguntas feitas pra você por quem lhe indicou e criar 11 novas;

· Indicar 11 pessoas para responder ao meme e avisá-las em seus respectivos blogs;

· Postar essas regras.

11 COISAS ALEATÓRIAS SOBRE MIM

1. Não converso quando acordo.

2. Sou extremamente sensível.

3. Meu riso é fácil. Rio de tudo e todos, muito difícil ficar triste por um longo período de tempo.

4. Curso o primeiro período de Relações Internacionais e não é por ser “o curso da moda” que o escolhi.

5. Já tive o sonho de ser Jornalista.

6. Sou muito desligada e esquecida.

7. Gosto de ficar sozinha em casa.

8. Nunca viajei pro exterior, mas tenho o sonho de conhecer Londres/Nova Iorque/Toronto.

9. Não divulgo meu blog pra conhecidos (fora algumas exceções) por pura vergonha.

10. Não ligo pra Mcdonalds.

11. Fui um verdadeiro molequinho na minha infância.

11 PERGUNTAS DA MONIQUE

1. BBB: sim ou não? Por quê?

Não. Na verdade, sou indiferente ao programa. Não faço questão de assistir por não concordar com uma série de coisas a respeito de regras e afins. Também acho o Pedro Bial um jornalista muito bom pra dirigir um programa dessa natureza (mas é claro que ele ganha rios de dinheiro por isso, então quem sou eu pra julgar rs?). Não condeno quem assiste; há tanta besteira na televisão brasileira hoje em dia que tem audiência que seria ridículo cismar justamente com o BBB. Resumindo: não faz diferença na minha vida.

2. Você tem uma dívida e precisa vender coisas suas pra pagar. O que você não venderia?

Muito difícil. Provavelmente eu responderia meus livros, mas não acredito que eles pagariam dívida financeira alguma rs. De qualquer forma, seria difícil desapegar deles porque cada um representa uma fase da minha vida e eu adoro relê-los. Talvez eu também não vendesse meu computador porque tenho milhares de músicas, fotos e textos meus que não abriria mão.

3. Melhor filme e pior filme que já assistiu.

Não sou muito ligada em filmes, só assisto quando vou ao cinema. Queria responder aqui algum filme cabeça e inteligente, mas gosto de dramas e comédias românticas água com açúcar mesmo, então... Melhor filme: “Um dia” (apesar de eu preferir o livro); pior filme: “A hora do pesadelo”.

4. Uma frase que você tem como lema.

Esse negócio de frase é complicado, geralmente não gosto de clichês (ainda mais com essa banalização de autores consagrados que na internet mais parecem escritores autoajuda). Vou citar uma “frase” que ano passado me ajudou demais e sempre me motiva quando alguma coisa não vai bem. “Milagres acontecem quando a gente vai à luta”. É um trecho de uma música d’O Teatro Mágico, que na verdade foi escrito pelo poeta Sérgio Vaz.

5. Você tem o poder de mudar qualquer coisa no mundo. O que seria?

Sempre achei que o egoísmo é um dos grandes males da sociedade. Se parássemos pra pensar um pouco mais no outro, deixando por vezes de lado nossas próprias ambições, certamente seríamos mais humanos e iguais. Também sei que isso é utopia, talvez num outro sistema...

6. Filmes ou livros?

Sério? Livros, livros, livros.

7. Já se apaixonou por alguém?

Sim. Apaixonar-se é a melhor e a pior sensação que se pode ter.

8. Se você pudesse escolher um mês do ano pra pular, qual seria?

Talvez novembro, porque eu adoro dezembro e daí ele chegaria mais rápido rs.

9. Qual a melhor compra que você já fez?

Não lembro se foi a melhor, mas foi a mais recente que gostei bastante: maquiagem. Adoro make e acho que toda mulher devia usar. Faz a gente se sentir incrível rs!

10. Um show imperdível.

Eu já fui a inúmeros shows incríveis, mas vou citar um do ano passado. O teatro mágico, novamente. Desculpem bater na mesma tecla, mas o show deles é realmente mágico, com o perdão do trocadilho. Também teve um no início desse ano alucinante: show d’O Rappa. Muito bom!

11. A coisa que você mais gosta em si mesmo.

No aspecto físico, gosto do meu sorriso. Em relação à personalidade, a característica que mais gosto também é a que menos gosto: o fato de ser muito compreensiva. É ótimo porque procuro não me irritar com coisas muito pequenas, mas péssimo porque muita gente enxerga isso de outra forma e por vezes me machuco.

11 PERGUNTAS A SEREM RESPONDIDAS PELOS INDICADOS:

1. Por que ter um blog em tempos onde a escrita ficou “ultrapassada”?

2. Diga uma loucura que você já fez.

3. Uma viagem inesquecível.

4. Como você se imagina daqui a 20 anos?

5. Conte uma mania que você tem ou já teve.

6. Praia ou serra? Por quê?

7. Qual seu pior defeito e sua melhor qualidade?

8. Filme e/ou livro preferido.

9. Tem algum cantor/banda que marcou alguma fase da sua vida? Qual foi e por quê?

10. Já sofreu por amor?

11. O que você faz da vida (escola, faculdade, cursinho...)?

BLOGUEIROS INDICADOS

Camillynda, Lívia, Pipoca, Sabrina Andrade, Clara Guerra, Larah e mais quem quiser fazer :)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Para falar de ausência

  Resolvi por este texto, que há tempos estava contido não só nos meus arquivos, mas dentro de mim.

  Por que dói dessa maneira? As lágrimas rolam por um caminho que já lhes é familiar, apesar do tempo em que ficaram conservadas e prisioneiras aqui dentro. Juntam-se à carência e à minha abstinência de você e o resultado é esse vazio doloroso e absurdo. Doloroso porque é involuntário e absurdo por não ter sentido, por continuar apesar das ressalvas a seu respeito, que são muitas. Em outras ocasiões, passei pelo mesmo, mas tudo isso foi embora. Você, teimoso como é, insiste em ficar, mesmo que a todo custo eu proteste com sua permanência aqui. Sei do arrependimento que terei quando ler essas palavras; sentirei-me frágil, vulnerável e imbecil. Só não posso evitar e parece sem nexo conter-me justo com as palavras, essas que tomo como minhas. Por que o coração é desse jeito, criando saídas pro improvável, incabível, inaceitável? Achei que tivesse curada dessa doença, mas descobri-me ainda enferma. Dói e não sei por que. É muita ausência, silêncio, um eco, um vazio, um inacabado com gosto do que devia ter sido. E essa insônia que eu nem sabia ser tua culpa virou logo uma desculpa pra te condenar por todo esse mal. Quero te superar, quero não me preocupar ao ver tua foto, ser surpreendida por teu nome, ouvir tua música, lembrar tua esquina, fitar nossa lua. Nada disso me diz respeito, não mais. Queria poder dizer que te desejo o melhor, mas não me percebo pronta pra tal. Não consigo admitir nem pra mim o quão significante é a sua lembrança aqui. Não quero outro texto só teu, mas o que faço se você ainda desperta essa inspiração louca e melancólica (não, não é tristeza!)? Arrumei focos e ocupações, mas na semana em que os mesmos cessaram, você me tomou o que um dia foi teu. Para de chorar, chega, seja madura como sempre foi! Você tira toda a minha maturidade e sensatez em segundos... Volta ao teu normal e enfrenta tudo como deve ser. Ignora, anula. Exclua? Até onde eu aguentar. E daí volta tudo outra vez...

 

Tentei elaborar argumentos que possam covencê-los a ouvir a música, mas ela é daquelas que falam com a gente, sem precisar de nenhuma ponte até o coração.

*(Marcado como Conto por não ter uma definição melhor)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Autopermissão

  É como se eu já tivesse passado por isso diversas vezes em um curto espaço de tempo e agora fosse tudo diferente. Não a situação, as circunstâncias. É difícil manter a cabeça no lugar quando tudo parece se perder, seus ideais vão escorrendo por entre os dedos e tudo o que você quer e precisa é fugir pra um lugar qualquer. Desses escondidos do mundo, sabe? Sem complicações, só vivendo. Vivendo de forma simples, leve e audaciosa.

  Por um momento eu me permiti desacreditar de tudo. Questionar, não me conformar, pensar em como o mundo é injusto e jogar a culpa em qualquer coisa ou pessoa que viesse à mente. Percebi que um momento cru, humano, do qual sentirei repúdio futuramente é preciso. É duramente necessário, eu diria. Só então pude me despir de tudo aquilo que vim guardando, pensamentos sem nexo e crenças que julguei sem sentido. Não, não permanentemente. Mais que isso: perder a fé para aprender a reciclá-la. Despir-se para cobrir-se com um sentimento mais puro que antes. Ser frágil para descobrir-se forte. Descobrir, no improvável, o alento que conforta o coração.

  Por tudo o que aconteceu, - desde o imprevisto mais simples até o mais doloroso - confio no meu destino. Às vezes a gente esquece-se do essencial, mesmo sendo este o mais singelo. Está tudo guardadinho, à minha frente, da forma que tem que ser. Esperando por uma menina mulher mais madura, mais calejada, mais confiante, mais crente em si mesma. Só quando estiver pronta – e isso só o tempo pode mostrar (desculpem o inevitável clichê) – poderei alcançar tudo aquilo que quero e almejo pro meu futuro um dia. Conformar-se com o aparente inconformável. Ei de aprender...

  Não desisto de maneira alguma.

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora

(...)

Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora
E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo

Djavan – Disfarça e chora

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Odeio

(Seguindo o modelo do post passado.)

Ser acordada cedo aos fins de semana a não ser para ir à praia. Ter que dar satisfação de minhas atitudes. Arrumar meu armário ou qualquer outra tarefa doméstica. Música brega no último volume na casa do vizinho. Ser apressada. Minhas amnésias/relapsos de memória constantes. Não ser fisionomista. Dificuldade de confiar nas pessoas. Que interrompam minha leitura. Falar assim que acordo. Ir a lugares nos quais não conheço quase ninguém. Depender financeiramente dos meus pais. Decepcionar pessoas. Ser relapsa com amigos. Promessas ditas com teor de verdade, mas que não serão cumpridas. Pessoas fúteis com apenas um assunto. Relacionamentos forjados e superficiais. Que apertem minhas unhas dos pés (não tentem entender). Pessoas que acreditam fazer parte da minha vida sem que eu dê liberdade. Minha antipatia. Não ser extrovertida e não conversar com todos. Ter que ser agradável quando não quero. Ser muito calada diversas vezes (e outras tantas falar sem parar). Demorar muito tempo para esquecer alguém. Programas como TV fama e superpop. Críticas a meu ótimo gosto musical por não ser como a maioria. Ser julgada por não ser simpática. Não controlar o riso quando devo. Não fazer grande coisa para melhorar o mundo. Esquecer datas importantes. Sentir-me perdida em uma conversa. Pessoas que inventam histórias para terem o que falar. Pessoas que falam demais de sua vida, abertamente. Falta de privacidade. Injustiça. Ter me desencantado com o mundo. Ter parado de dançar, mesmo que isso fosse necessário. Falta de humildade. Pessoas intolerantes. Que depositem expectativas em mim. Trabalhar sob pressão. Que reclamem da MINHA falta de organização. Magoar quem não merece sofrer. Pedir dinheiro emprestado. Minha estatura. Ser o centro das atenções. Ser tímida. Quem não dá lugar ao idoso no ônibus. Falta de educação. Egoísmo. Descontar meu estresse em alguém que não tenha nada a ver. Encontrar conhecidos no shopping. Quem se acha o dono da verdade em tudo sem ter argumentos válidos. Ostentação. Falta de determinação.

                                             Ah, Feliz 2012!