quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Amo

O céu. A aquarela que as cores pintam nas nuvens e no céu todo fim de tarde. Lua. Cheia, sempre. Natureza. Sol, praia, mar, corrida, água de côco. Viajar. Liberdade de ir e vir. Rir com amigos e amigas. Rir sempre, de tudo e todos. Conversar até tarde. Café. Dança. Saudade gostosa. Livros de romances românticos água com açúcar. Livros complexos. Livros fáceis. Livros de todos os jeitos. CD’s. Acompanhar a letra da música. Abraços apertados. Beijo intenso. Ecrever. Falar muito e pouco. Observar. Saídas à noite. Saídas calminhas de dia. Escrever cartas. Receber cartas. Música. Branco. Colorido. Fotografia. Receber sms de madrugada. Acordar tarde. Acordar cedo pra ir à praia. Sair só meu pai e eu. Estar com meus primos-irmãos. Rir das palhaçadas da minha vó. Voltar pra casa de manhã, junto com o sol. Dançar até não agüentar mais estar em cima do salto. Ficar descalça e continuar dançando. Estar com a minha irmã, independente da situação. Meu blog. Ler meus textos antigos e ver o quanto cresci. Nostalgia. Fotos antigas. Tudo o que é retro. Docilidades. Palavras bonitas e bem escolhidas. Apreciar a inteligência do outro. Ser conquistada por ela. Bom gosto musical do outro. Surpreender-me com atitudes. Tomar banho de chuva. Tomar banho de mangueira na casa da vó. Ficar horas ao telefone falando banalidades. Conversas cabeças. Cinema. Assuntos internacionais. Fotografar natureza e gente. Minha timidez (ao mesmo tempo em que a odeio). Minha personalidade. Família. Natal. Fim de ano. Carnaval. Apaixonar-me. Escrever na solidão e na tristeza. Inspiração. Praia Seca. Férias de fim de ano em Praia Seca. Relaxar. Fazer nada. Ajudar. Dormir com chuva. Cheirinho de chuva. Comida de festas de 15 anos e casamento. Pessoas determinadas. Homens com barba. Unhas vermelhas. Quando não tenho tempo de parar em casa. Filmes de drama. Atividade física, mas não todas. Churrasco. Conhecer outras culturas. Quindim. Calor nas férias. Piano, apesar de não saber tocar. Rock. Arco-íris.
                   O texto foi inspirado no Irritando Romova, do João. Só que ao contrário.

domingo, 25 de dezembro de 2011

pequenez

  Sensação de uma enorme impotência em relação ao mundo. Pequena, pequena, pequenina demais. Parece pouca coisa, mas tem tanta coisa acontecendo e eu aqui. Aqui pensando, remoendo, me formulando de novo. Querendo fazer algo que me faça sentir de bem com o mundo, bom para alguém, transparecer felicidade com os olhos, transformar um dia. Sensibilizar com o imperceptível, perceber minha pequenez na infinitude de um mundo tão injusto e cruel. Sou pouca e grande quando quero, quando cabe, quando caibo em mim. Quero mais que tudo agora me mover, fazer o bem. Não olhar para o que há por trás de cada ação premeditada de uma elite que finge sorrir para transparecer estar bem. Distanciar-me do provável, do esperado e da conduta que esperam que seja seguida.

  Deve ser esse espírito natalino despertando vontades que sempre tive, mas permaneciam adormecidas e desmerecidas aqui dentro. Preciso me fazer bem fazendo o melhor àqueles que precisam de mim. E muitos precisam, mesmo sem saber. Ajuda vem de dentro, do coração, da alma, da humildade de se enxergar imperfeito e necessário de mudanças. Sou pequena, liberta, preciso voar. De novo e mais alto, fazendo o mínimo pra chegar ao topo de um lugar desconhecido. Não há ouro, prata, jóias lá. Há gratidão, alegria, pureza, docilidade, apego. Necessidade de sentir. Sentir o amor, a fraternidade, a compaixão, o berço e o colo. Sem esperar e precisar de nada em troca, porque a sensação é de preenchimento de um vazio completo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

“Novo” recomeço

  Queria deixar meu post tradicional de fim de ano para mais tarde porque o ano está longe de terminar (pelo menos para mim). Acontece que andei pensando em tantas coisas, tantas recordações desse ano que fui vencida pela vontade de escrever (aquela que anda não ausente, mas impondo-se dificuldades que bem sei quais são). Queria ter um argumento válido para justificar minha ausência, mas além do meu desgaste, não há uma justificativa que me pareça boa o bastante e seja totalmente plausível. Sinto como se estivesse me traindo, já que tenho rabiscado algumas coisas e tenho receio de postar no blog, o que nunca aconteceu antes. Pergunto-me o que isso quer dizer, mas já é assunto de outro possível post.

  Vamos ao flashback...

  Comecei com uma expectativa tremenda sobre como seria minha rotina esse ano. Tinha um objetivo em mente e também uma visão leviana e dura demais, ao mesmo tempo. Se pudesse voltar ao ano de 2009, 2010, talvez eu tivesse dito a mim mesma para relaxar e aproveitar um pouco mais a minha não responsabilidade e o não comprometimento com as coisas. Mas minha essência sempre foi de muita cautela e - por que não?- seriedade.

  E então 2011 veio e me pôs à frente de uma responsabilidade que, apesar da minha maneira natural de encarar as coisas, não estava preparada para assumir. Ninguém está. Não digo só pelo fato de ter uma carga enorme de estudo ou conteúdo para aprender “de novo”. Há muito mais envolvido.

  Há a minha pressão, a minha cobrança, o meu desejo de realizar um ideal. Não sei se parece exagerado, mas essa é a minha forma de encarar a vida: engrandecendo cada coisa de extraordinária e fora do comum. Eu não tinha idéia do que é estar sob pressão. E não aquela normal, de família, professor, amigo ou namorado à qual estamos acostumados. Eu não aceito saber que fiz apenas o esperado; quero ir além, quero sempre o meu limite e não sei até que ponto isso foi saudável. Talvez nunca saiba.

  Abdiquei de muitas coisas; pessoas demais. Sempre pensei que fosse realmente o necessário, mas minhas certezas tornaram-se escassas e insuficientes. Pensei por diversas vezes nas minhas fraquezas, mas acho que nunca seriamente em desistir. Meus medos são iguais aos de todos aqueles que passaram por um terceiro ano do ensino médio. Eu só queria abafá-los e não ter que confrontá-los tão cedo, por isso evitava-os e focava no resultado do meu esforço.

  Seria certa injustiça dizer que esse ano foi um desperdício. Nenhum dia é digno de ser jogado fora e por mais que eu não consiga enxergar com clareza, acredito que aprendi mais algumas lições ao longo desses quase completos 12 meses.

  Tive a presença física e espiritual dos amigos que me fizeram (e fazem) querer seguir em frente. Enfraqueci com uns, fortaleci com tantos outros. Incomoda-me saber que o que foi construído em anos anteriores hoje já não tem mais tanta força, mas prefiro acreditar que isso é um fator necessário à continuidade da vida. Criei laços que não imaginei e perdi aqueles mais improváveis. Achei um pedaço de mim incrivelmente forte em meio à dor e percebi-me com imensa capacidade de abstração. Esse foi o meu ano, ainda que eu não saiba seu desfecho.

  Tenho vontades rodeadas por insegurança e muito medo. Talvez eu precise desses dois componentes para me frear porque sei que o impulso pode machucar.

  Enfim, não quero me alongar muito mais. Resta-me essa incerteza do futuro e a necessidade de passar de fase. Quero renovações, mas mais que isso: preciso delas. Quero um novo recomeço, ainda que pareça redundante. Não apenas recomeçar; me fazer nova, despir-me do velho e encarar tudo como um renascimento.

  Agora só preciso de férias (falta pouco; dia 18 tudo isso termina) da rotina, das obrigações, da necessidade de abstrair-me para seguir em frente. Preciso de férias de mim, do meu bom senso, da sensatez, da responsabilidade.

***

Pra cantar baixinho…

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...”

Caetano Veloso – Oração ao tempo