sábado, 16 de julho de 2011

e se…

  (Das inconformidades da vida)

  Nunca gostei de pensar nas coisas ruins que o mundo tem. Não gosto de imaginar o pior, o que poderia acontecer se fosse comigo ou se tudo acontecesse de um jeito diferente. Sempre pensei que coisas ruins atraem coisas ruins, mas hoje foi tão inevitável...

  Eu chorei por alguém que não conhecia, senti a dor da família de uma pessoa que eu nem ao menos tinha contato. Não entendi como uma vida podia ter sido tirada tão repentinamente e de forma tão brutal; fiquei inconformada. Era apenas mais uma fatalidade nesse mundo tão sujo e injusto. Mais um jovem somado a estatística.

  Talvez porque estivesse em um dia sensível, ou por ainda ficar chocada com as adversidades as quais somos expostos, eu não aceitei. O fato é que aquilo me tocou de uma forma que eu não entendi e me levou a repensar tudo.

  Preocupamo-nos tanto com o detalhe das coisas! Perdemos tantas chances de ser quem realmente somos e passamos a maior parte do tempo vestindo uma máscara que nos é conveniente. Temos medo do mundo, das surpresas. Perdemos tempo com banalidades. Quando olhamos pra trás, já é tarde. Não temos mais a chance de viver inteira e completamente.

  Não nos são dadas explicações para as coisas ruins, mas insistimos em buscá-las de toda forma. Como se isso fizesse alguma diferença...

  Eu não sei o que escrever, pela primeira vez. É um mistério grande demais para mim e seria inútil tentar quebrá-lo. De qualquer forma, como tudo na vida, o aprendizado mais uma vez bateu à porta. Eu simplesmente deixei-o entrar, porque não quero olhar pra trás e ver o nada.

  Queria entender porque tudo acontece tão apressadamente, porque nossos amigos se vão e nós ficamos aqui, porque a ordem natural das coisas não é respeitada, porque quem é cheio de alegria um dia se apaga. Eu não entendo, e não aceito. Sei que tudo tem sua hora, seu jeito de acontecer, mas às vezes é muito difícil simplesmente abaixar a cabeça e “entender”.

  Todo o conforto do mundo, se for possível, a famílias que perdem pessoas especiais tão abruptamente e precisam achar um motivo para continuar vivendo, ainda que todo dia pareça pesado e insuportável demais.

  Ele não era meu amigo, meu parente, meu conhecido. Mas podia ser.

2 comentários:

  1. Tem como não se surpreender? Me identifiquei muito com o texto, principalmente da parte em que fala sobre o medo de viver, sabe, às vezes me sinto completamente assim. E sobre não saber o que e como escrever, isso é inevitável, tem horas em que escrever é necessidade, mas não necessariamente precisamos ter algo em mente. Incrível, adorei mesmo. Beijos.

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  2. A Bíblia menciona quatro formas de 'amor'... O amor "eros" é o amor que ocorre entre um homem e uma mulher, por causa da atração física; o amor "philos" é o amor entre amigos, que ocorre por causa do companheirismo; o amor "storge" ocorre entre a família, por causa do próprio laço familiar e tem o amor "ágape" que ocorre por causa... sem causa. É um amor sobrenatural que Deus coloca no coração das pessoas e assim elas amam mesmo sem ter um motivo para amar, mesmo que não haja um laço que una duas pessoas completamente desconhecidas... Ama-se "simplesmente" porque é um semelhante, ama-se mesmo que este não seja digno de amor.
    Toda crueldade que existe no mundo e tudo aquilo que parece ser injusto (e que de fato é) deriva, invariavelmente, do pecado. Os assassinatos, estupros e demais coisas tão horríveis (que nos fazem pensar: e se fosse eu?) são intensos demais em sua maldade para serem plenamente compreendidos. O que eu faço é orar.

    Lívia - http://vocabuloblog.blogspot.com/

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