sábado, 21 de maio de 2011

“O paradoxo do nosso tempo”

  Observar a atitude das pessoas talvez seja a coisa mais útil de se fazer quando não se tem mais nada. É surpreendente o que se encontra por aí. Apesar de não me chocar mais com muitas coisas, ainda não consigo compreender diversas decisões. Sei que cada um sabe o que faz e por que o faz, ainda assim isso não me impede de chegar a conclusões.

  Dentre as palavras que mais saltam nos olhos e gestos das pessoas poderia citar duas: egoísmo e superficialidade. Já disse uma vez que o egoísmo é o mal do mundo e a superficialidade tornou-se mais um ultimamente (porque o egoísmo vem desde sempre).

  Semana passada, na minha aula do curso de inglês, lemos e debatemos um texto incrivelmente bom (The paradox of our time). Postarei logo abaixo a tradução e talvez vocês sintam a mesma coisa que senti, ou não, mas quero falar sobre essas palavras.

  Somos tão cheios de si que não reparamos ao nosso redor. Esfriamos com o tempo e sinto que, mesmo sem querer, todos nós nos tornamos como máquinas em alguns momentos (não me excluo disso). Vangloriamo-nos por nossos feitos na ciência, na medicina, na tecnologia, na astronomia. Somos o auge da evolução e com isso somos postos a prova a todo o momento. Comemoramos nossos avanços e conquistas com momentos efêmeros e sem sentido.

  Não temos com quem comemorar. Todos aqueles que costumavam estar ao nosso lado, por algum motivo aqui não mais estão, e a culpa é exclusivamente nossa; Egoístas a ponto de achar que nenhum deles tem real importância. O que é a vida sem os relacionamentos? Sem esse calor da palavra, o sentimento de reciprocidade que encontramos nos nossos amigos? Será que nossas vidas se resumem as grandes contribuições para a biologia ou para a historiografia moderna? Nossa plena satisfação tem que estar ligada a felicidade que compartilhamos. Ser feliz (com toda a abrangência e especificidade que essa palavra carrega) não é o suficiente se não for compartilhada (vi um filme -“Into The Wild” - que dizia algo parecido).

  Quanto a superficialidade, é impossível não notar se tivermos a mínima percepção de mundo. Relacionamo-nos por interesse, pensando nas vantagens que tal pessoa nos trará. Somos vazios, demonstramos sentimentos que sequer existem. Sentimos necessidade de transparecer aos outros que estamos felizes, bem acompanhados, freqüentando ambientes legais. Muitas vezes para criar uma imagem fajuta de nós mesmos.

“It is a time when there is much in the show window and nothing in the stockroom”

Se puderem, leiam o texto clicando aqui.

Ps: descobri que é uma música do George Carlin.

domingo, 1 de maio de 2011

verdades

  Hoje ouvi o que não queria, o que não podia, o que não precisava. Minto, precisava muito. Tanto que até me recusei a acreditar naquilo que ouvia. Quando uma verdade não é óbvia fica mais difícil de lidar, porque não se quer enxergá-la. A verdade é que eu me comportei de um jeito que não senti, não previ o mal que fazia aos que estavam ao meu redor. Pois bem, sou humana. Errei tanto que preciso tentar mais uma vez, e outra e outra e ainda uma a mais para que possa me convencer de que continuarei, mesmo que as tais tentativas sejam falhas no futuro.

  Doeu demais ouvir. Falar não foi preciso, só precisei absorver aquelas palavras e tomá-las como minhas, como reconhecimento do que vim sendo nos últimos meses. Algo oco, sem fundo, incerto. Não quero isso, não quero magoar aqueles que sempre estão ao meu lado, mesmo sem um pedido meu. Aqueles que a qualquer queda estão aqui, apesar do meu silêncio. Preciso dizer que não era a minha intenção. Não há nada errado comigo, ainda que as evidências levem a outra conclusão. Estive apenas ausente, e só. Nem sei bem os motivos, só que eles me consomem. Meu inimigo estava aqui, dentro de mim e nem ao menos pude indentificá-lo.

  Chega de desapontamentos. Erguerei minha cabeça como sempre fiz e seguirei em frente, porque nada disso vai servir como justificativa.