sexta-feira, 22 de abril de 2011

pelos meus olhos

  O que há aqui dentro é o inexplorado. Só no meu íntimo talvez eu consiga compreender. Será possível desvendar-me de todas as formas até um ponto em que não haja mais surpresa com minhas próprias atitudes e sentimentos? Como alcançar a plena sabedoria de si? Até então sigo nessa procura, mesmo sabendo que ela é interminável e talvez não seja o suficiente para responder minhas questões. De qualquer forma me ajuda esse não contentar-se com o que tenho, com o vago, com tudo aquilo que não posso explicar. Me instiga a querer mais, descobrir, desvendar.

  Com os olhos eu tento dizer o que, por algum motivo, tenho medo de pronunciar. Pronunciar dói, fere, machuca de um jeito incrível. Mais duro do que falar é admitir; não ouso. Por isso deixo que me encontrem através dos meus olhos, que até podem mentir, mas não sustentam a mentira por muito tempo. Minhas lágrimas me traem assim que a dissimulação brota nas pupilas. Então não me olhe nos olhos, deixe que me mascare através do meu sorriso, do meu aceno, do meu abraço.

  Deixe-me brincar com você, quero ver até onde posso ir com esse “eu” até então não descoberto por ninguém. Hoje quero ser Ela, totalmente fora de mim.

Um comentário:

  1. Ah, a vontade é de ler e reler. Escrita profunda, mas não melancólica. Nem muito fantasiosa, apenas a realidade.
    Me identifiquei muito com o texto, é aquela vontade de falar e não conseguir, mas ser denunciado por si própria, pelos sentimentos que não podem ser ocultos.
    Aliás, adorei o último post, "Vinho Tinto". Volto a repetir, você escreve maravilhosamente bem.

    Beijos, Larah.

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