domingo, 27 de fevereiro de 2011

realidade

   A coisa que mais me assusta, depois do futuro, é a realidade.

  Algo frio e inesperado que, como um balde de água fria, me toma toda a sensação de estar vivendo uma vida que não me pertence.

  Dei-me conta de que vai ser difícil. Não que eu não tivesse tal noção, mas convenhamos que na teoria é tudo muito mais simples. Quando percebi do que se tratava, eu entendi a importância desse meu momento. Ele é tão único e por isso me assusta.

  Já ouvi tantas vezes que a realidade é dura e sinceramente, odeio ter que repetir isso pelo simples fato de odiar ditados e frases prontas. Frases prontas só servem para parecermos politicamente corretos e intelectuais. Apesar disso, a realidade é, digamos, fria.

  Esse meu momento exige muito, mais do que qualquer coisa pela qual tenha passado. E não tem nada a ver com sentimentos, é totalmente o contrário. Tenho que agir da forma mais impessoal possível, deixando de lado meus aspectos psicológicos e draminhas adolescentes.

  Foco. É tudo o que eu preciso. Trata-se de um objetivo que pretendo alcançar.

  Uma vez me disseram que sou subjetiva com as palavras. Talvez não seja tanto assim, a verdade é que sou mal interpretada. Ou ninguém faça um esforço maior para tentar me entender.

  No fim, acho que tentei passar uma coisa e não disse nada.

“A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.”  Mário Quintana

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Autonomia

  Busco um ideal, uma realidade independente de qualquer um. Quero viver o que estiver guardado, descobrir um mundo novo e ilimitado onde eu encontre meu equilíbrio. Prezo minha liberdade e me espanto com minha autonomia.

  Não pretendo estar presa a nada, não quero sentimentos de culpa junto comigo. Espero estar sempre além e me encontrar e descobrir-me dentro de mim todas as vezes que for preciso.

  Quando me dou conta, o medo é só mais um resquício. Minha vontade e determinação de vencer são muito maiores do que qualquer dúvida.

  Dê-me asas, quero alçar voo. Sei que sou apenas um filhote, um pequenino pássaro, mas é falhando e caindo que obtenho êxito. Estou pronta para cair e levantar, incessantemente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

foi então que resolvi falar de você…

 

  Tanta coisa passou, tanta coisa voltou e tanta coisa restou. Do mesmo jeito, você continua aqui. Não da mesma forma que antes, claro, hoje somos diferentes, seguimos nossas estradas e sinto que foi a coisa certa. Minha estrada às vezes esburacada, o que me dá mais desejo de ir em frente. Eu me testo com desafios, gosto do sabor que eles têm. Sua estrada prometia algo brilhante, mas lá ao longe, eu não conseguia ver. Enquanto você esperava esse “algo” chegar, seguia seu caminho por intuição, “pisando em ovos”. O paralelo que insisto em fazer entre nós, veja bem, não é por mal. É minha mania de querer analisar tudo, cada ato desmedido, cada pensamento do ser humano, por mais difícil e errôneo que possa ser.

  Eu poderia me odiar por ainda ousar falar em você, mas o que sinto agora está muito mais seguro de si. Encaro as coisas com uma naturalidade que em um passado remoto eu não achei ser possível. Não é uma fraqueza minha, acredite. É só que quando achamos que nada mais pode ser dito, encontramos ou descobrimos algo novo, que se modifica de acordo com nossa forma de sentir. Só quero escrever displicentemente sobre você, posso?

  Você é cheio de sonhos (ainda, aposto). Sempre foi. Vive em um mundo onde tudo é possível e com o aparecer das dificuldades, o seu bordão é “vamos dar um jeito”. Não, não vamos dar um jeito, não demos um jeito; você não mais se esforça para isso. Não é uma crítica, querido, mesmo que pareça.

  Eu era os seus pés. Você era como aquelas crianças que passeiam com seus balões cheios de ar e por pouco não se deixam levar pelos mesmos. Meu dever era te fincar ao chão, para que o vento não te tomasse e, posteriormente, você não caísse lá de cima e sofresse danos terríveis.

  A hora que meus pés quiseram trilhar seus próprios caminhos chegou, e fui obrigada a te deixar para trás. Você e seus tantos sonhos que eu sabia que não se realizariam. Não sei se só por falta de empenho seu (ou de ambos?), mas por uma força maior sobre a qual não temos controle. O destino. De qualquer forma, me cansei de estar sempre ali, te guiando, te freando, tendo que ver você se esvaindo e perdendo-se em seus sentimentos e sonhos e dúvidas sem poder fazer nada.

  Minha vida hoje não é e nunca será como aquela dos livros. Gosto de tudo que é real, instantâneo e nada abstrato para estar ao meu lado. Você, por outro lado, tomou rumos que desconheço ou talvez tenha tomado os rumos já previstos por mim. Quem irá saber? Comigo, ainda permanece uma pequena curiosidade de saber o que se fez de você ou o que fizeram de você (o que acho mais provável, tal assustadora era sua maleabilidade).

  Não vou dizer que estou triste, lamentando nossos rumos. Digo que essa fase já passou. Talvez eu não tenha que dizer nada, mas ainda assim prefiro. Eu só sinto. Não sei o que; quem sabe um vácuo? Um vácuo, propriamente dito, porque não há exatamente nada aqui. Eo incrível é que há exatamente tudo. Há ausência de sentimento, de compaixão, de raiva, de carinho. Ah, sim, talvez seja indiferença.

  Não te quero mal, não mesmo. Desejo-lhe sorte, para o que quer que a vida lhe reserve. Quero dizer que... bem, eu já não sei mais o que dizer.

Foto por Paula Napolião.  + em : www.flickr.com/paulanapoliao

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Irmandade

  Jú,

  Não foram poucas as vezes em que disse o que eu sentia por você. Claro, somos irmãs e esse laço de amor é previsível. O que me pergunto é se há irmãs como nós. Acho, sinceramente, que é difícil encontrar tamanha amizade e cumplicidade como demonstramos.

  Você esteve ao meu lado desde sempre. Lembro-me diversas vezes em que você me defendeu e exerceu lindamente seu papel de irmã mais velha. Lembra quando um menino na escola falou umas gracinhas para mim na 3ª série e você quase pôs o menino para correr? Você me tem como uma espécie de filha e eu a vejo como uma mãe, um tanto compreensiva e displicente, sem deixar de ser afetuosa e incrivelmente divertida.

  Passamos tanta coisa juntas que as memórias que me vem à cabeça me dão certa sensação de nostalgia com misto de emoção. Eu não poderia desejar uma irmã melhor, porque você foi feita sob medida para esse posto. Somos incrivelmente parecidas e ainda mais assustadoramente diferentes. Crescemos com base nos mesmos princípios e temos temperamentos tão opostos!

  Sempre serei o seu freio. Quando você se exaltar e falar um pouco demais, eu estarei aqui para apontar onde você errou. Você estará sempre aqui para me confortar todas as vezes que eu achar que sou pequena demais e fraca para seguir em frente. O seu abraço é a coisa mais sincera que alguém pode receber e quando o recebo, é como se meu coração ficasse pequeno demais e fôssemos uma só, tamanha cumplicidade que compartilhamos.

  Vê-la triste me entristece e também sei que seu coração fica partido quando me vê assim. Nossas brigas eram freqüentes e igualmente bobas, mas hoje ambas crescemos e amadurecemos juntas. Nossas brigas são raríssimas, apesar de continuarem bobas. Você me conhece como a palma de sua mão e eu digo o mesmo. Talvez eu seja a única pessoa que te conhece realmente e, acredite, eu sei o que você não faria jamais e do que você é capaz.

  Talvez isso seja fruto de um amor que não tem nada a ver com o simples fato de sermos irmãs, pois esse amor já é premeditado: irmãs amam irmãs e é assim que sempre foi. Nós somos diferentes. Nós nos amamos não pelo fato de termos tal parentesco, mas também por isso. Amamos-nos por tudo o que somos, pelo o que vivemos, pela admiração que sentimos uma pela outra, pelos sonhos que alcançaremos um dia.

  Você tem um coração enorme, é meu orgulho. Admiro seu caráter, sua personalidade forte, sua capacidade de dizer não, sua franqueza, sua honestidade com os sentimentos. Torço por você como ninguém, acredito em você e nos seus objetivos, que serão alcançados pelo seu potencial e sua determinação.

“Eu te amo do tamanho do universo!”, como você mesma diz.

  Obrigada por tudo, TUDO mesmo. Até pelas coisas mais banais, como aquela alegria que você demonstra quando chega do trabalho e abre instantaneamente um sorrisão apenas pelo fato de me ver em casa.

Seremos sempre unidas, tenho certeza.

Um beijo, sua irmã.