quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

surpresas

  Quando ele batera a sua porta depois de tanto tempo afastado, ela mal podia disfarçar a surpresa em seu rosto. Era algo totalmente inesperado, já não se viam e não se tinham notícia há tanto tempo que ela simplesmente o deixara de lado em seus pensamentos. Vez ou outra pegava-se passeando por antigas memórias que tinham juntos, mas evitava chegar àquela sensação de vazio e nostalgia já tão conhecida.

  Foram dois anos de incansável espera por uma coisa incerta e insensata. Ela queria acreditar que, apesar de tudo, ele voltaria. Em seu íntimo sabia que as chances de que isso acontecesse eram praticamente nulas. Levou-lhe um tempo, mas conseguiu convencer-se que o melhor era seguir em frente e anulá-lo de todas as formas.

  Não entendia o que aquela figura fazia agora, na sua frente, na porta de sua casa. Queria xingá-lo, expor toda a sua raiva e gritar que aquela situação era ridícula e absurda. Tudo o que saía era um silêncio agonizante que a fazia sentir fraca. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela queria que ele soubesse que não eram lágrimas de redenção ou alegria, mas de raiva, repúdio, insignificância até. Queria perguntá-lo como ele podia carregar aquele sorriso desbravado no rosto como se nada tivesse mudado, como se ele esperasse que ela a recebesse com um abraço e um beijo caloroso pelos velhos tempos.

  Era fraca para dizer qualquer coisa; estava em frangalhos por dentro. Juntou todo o orgulho e amor próprio que podia e sem dizer uma palavra, bateu a porta na cara daquele estranho.

  Aquilo era um ponto final em algo que há muito não existia. Precisava estar em paz consigo mesma e essa era a única maneira. Jamais se perdoaria se voltasse a se entregar a alguém que tanto a machucara.

  O que importava agora, era que ela se aceitasse de volta, de bem com tudo a sua volta, de bem com o amor que, apesar de causar tamanha decepção, ainda mostrava-se ali, prontinho para ser descoberto de novo de tantas outras formas.

  Estava livre, enfim.

Um comentário:

  1. Finalmente, uma história de amor com final feliz. Mas não exatamente como as pessoas pensam que seria.

    Beijos, Larah

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