quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Refúgio

  Caminhar pela areia sempre me proporciona uma sensação única. É como se eu pudesse sentir toda a paz que tudo ao me redor me transmite... E, agora, olhando para aquela lagoa, eu sinto como se tudo estivesse em seu lugar. Não existe mais ninguém aqui, só eu e aquele céu azul que dá a sensação de infinito. As nuvens, o sol, os coqueiros ladeando a lagoa... tudo tão perfeitamente combinado. Tudo o que quero nesse momento é o nada, o vazio, a ausência. Eu me quero para mim, para sempre. Encontro todas as minhas respostas aqui dentro, onde só eu e mais ninguém consegue alcançar. São as mais sinceras respostas e, pela primeira vez, não tenho vergonha de descobri-las.

  Ah, o vento. Eu caminho e ele me leva junto, como se “me tirasse para dançar”. Chego pertinho da água e os salpicos das ondas enchem meu rosto. Molho os pés, sinto uma temperatura perfeita. É tudo tão completo... eu estou completa. Isso me motiva de tal forma que a alegria que sinto parece impossível de conter. Não me falta mais nada, como pude achar alguma vez que eu estava em pedaços? Tudo o que preciso está aqui, nesse momento. Não ouso interromper essa sensação – a coisa mais idealizada que já pude sonhar – por nada.

  Quero agarrar tudo isso, levar comigo, não me deixar esquecer de como tudo pode ser, se eu quiser. Eu quero essa simplicidade, essa coisa amena que me enche, me preenche, me toma. Não quero mais a certeza, eu quero a dúvida do amanhã. Eu quero o hoje só para mim, em seu máximo. Quero o tudo que esse nada me deu.

  Momentos assim, sim, valem por toda uma existência. Me leve agora se assim eu for feliz. Estou no meu refúgio.

5 comentários:

  1. Texto lindo!! Como sempre, né? :)

    portillodesign.com.br/miss_storm

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  2. eu quero correr para a praia logo. eu quero me distrair. eu quero me REFUGIAR.

    beijo Paulinha!

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  3. Olá, encontrei o seu blog na comunidade dos blogueiros literários. E te digo uma coisa: Precisava ler algo assim hoje. Muito bom,Paula. Seguindo.

    http://ariannecarla.blogspot.com

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  4. Descrição perfeita. Quase senti o que eu li.
    Eu sou assim também. Eu me emociono com lugares, com sensações. Eu me entrego, sem medo, sem vergonha. Eu já aprendi e já aceitei que sou diferente. Muitas pessoas vão à praia, vão perto de um lago, vão a lugares maravilhosos e nem ao menos se dão conta disso. Já eu quase choro só de olhar pela janela. Amei seu texto por vários motivos, um deles é a sinceridade. Vou dar um conselho, se é que posso... Nunca perca isso. Mesmo que a vida te cobre a frieza, não ceda. Tenha sempre um pouco daquele deslumbre que toda criança tem face ao mundo. Desculpe por querer "dar um conselho", hehe. É que eu tomo ele para mim também! (: Beijos. (E obrigada pelo selinho!)

    Lívia - http://vocabulo.confabulando.net

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  5. Que post gosto de ler, Paulinha. é como se você estivesse na própria paisagem, molhando os pés à beira mar, ou afundado-os na areia fofa. Imagino o céu azul, o vento me "tirando para dançar".
    Parabéns!

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