quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Amo

O céu. A aquarela que as cores pintam nas nuvens e no céu todo fim de tarde. Lua. Cheia, sempre. Natureza. Sol, praia, mar, corrida, água de côco. Viajar. Liberdade de ir e vir. Rir com amigos e amigas. Rir sempre, de tudo e todos. Conversar até tarde. Café. Dança. Saudade gostosa. Livros de romances românticos água com açúcar. Livros complexos. Livros fáceis. Livros de todos os jeitos. CD’s. Acompanhar a letra da música. Abraços apertados. Beijo intenso. Ecrever. Falar muito e pouco. Observar. Saídas à noite. Saídas calminhas de dia. Escrever cartas. Receber cartas. Música. Branco. Colorido. Fotografia. Receber sms de madrugada. Acordar tarde. Acordar cedo pra ir à praia. Sair só meu pai e eu. Estar com meus primos-irmãos. Rir das palhaçadas da minha vó. Voltar pra casa de manhã, junto com o sol. Dançar até não agüentar mais estar em cima do salto. Ficar descalça e continuar dançando. Estar com a minha irmã, independente da situação. Meu blog. Ler meus textos antigos e ver o quanto cresci. Nostalgia. Fotos antigas. Tudo o que é retro. Docilidades. Palavras bonitas e bem escolhidas. Apreciar a inteligência do outro. Ser conquistada por ela. Bom gosto musical do outro. Surpreender-me com atitudes. Tomar banho de chuva. Tomar banho de mangueira na casa da vó. Ficar horas ao telefone falando banalidades. Conversas cabeças. Cinema. Assuntos internacionais. Fotografar natureza e gente. Minha timidez (ao mesmo tempo em que a odeio). Minha personalidade. Família. Natal. Fim de ano. Carnaval. Apaixonar-me. Escrever na solidão e na tristeza. Inspiração. Praia Seca. Férias de fim de ano em Praia Seca. Relaxar. Fazer nada. Ajudar. Dormir com chuva. Cheirinho de chuva. Comida de festas de 15 anos e casamento. Pessoas determinadas. Homens com barba. Unhas vermelhas. Quando não tenho tempo de parar em casa. Filmes de drama. Atividade física, mas não todas. Churrasco. Conhecer outras culturas. Quindim. Calor nas férias. Piano, apesar de não saber tocar. Rock. Arco-íris.
                   O texto foi inspirado no Irritando Romova, do João. Só que ao contrário.

domingo, 25 de dezembro de 2011

pequenez

  Sensação de uma enorme impotência em relação ao mundo. Pequena, pequena, pequenina demais. Parece pouca coisa, mas tem tanta coisa acontecendo e eu aqui. Aqui pensando, remoendo, me formulando de novo. Querendo fazer algo que me faça sentir de bem com o mundo, bom para alguém, transparecer felicidade com os olhos, transformar um dia. Sensibilizar com o imperceptível, perceber minha pequenez na infinitude de um mundo tão injusto e cruel. Sou pouca e grande quando quero, quando cabe, quando caibo em mim. Quero mais que tudo agora me mover, fazer o bem. Não olhar para o que há por trás de cada ação premeditada de uma elite que finge sorrir para transparecer estar bem. Distanciar-me do provável, do esperado e da conduta que esperam que seja seguida.

  Deve ser esse espírito natalino despertando vontades que sempre tive, mas permaneciam adormecidas e desmerecidas aqui dentro. Preciso me fazer bem fazendo o melhor àqueles que precisam de mim. E muitos precisam, mesmo sem saber. Ajuda vem de dentro, do coração, da alma, da humildade de se enxergar imperfeito e necessário de mudanças. Sou pequena, liberta, preciso voar. De novo e mais alto, fazendo o mínimo pra chegar ao topo de um lugar desconhecido. Não há ouro, prata, jóias lá. Há gratidão, alegria, pureza, docilidade, apego. Necessidade de sentir. Sentir o amor, a fraternidade, a compaixão, o berço e o colo. Sem esperar e precisar de nada em troca, porque a sensação é de preenchimento de um vazio completo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

“Novo” recomeço

  Queria deixar meu post tradicional de fim de ano para mais tarde porque o ano está longe de terminar (pelo menos para mim). Acontece que andei pensando em tantas coisas, tantas recordações desse ano que fui vencida pela vontade de escrever (aquela que anda não ausente, mas impondo-se dificuldades que bem sei quais são). Queria ter um argumento válido para justificar minha ausência, mas além do meu desgaste, não há uma justificativa que me pareça boa o bastante e seja totalmente plausível. Sinto como se estivesse me traindo, já que tenho rabiscado algumas coisas e tenho receio de postar no blog, o que nunca aconteceu antes. Pergunto-me o que isso quer dizer, mas já é assunto de outro possível post.

  Vamos ao flashback...

  Comecei com uma expectativa tremenda sobre como seria minha rotina esse ano. Tinha um objetivo em mente e também uma visão leviana e dura demais, ao mesmo tempo. Se pudesse voltar ao ano de 2009, 2010, talvez eu tivesse dito a mim mesma para relaxar e aproveitar um pouco mais a minha não responsabilidade e o não comprometimento com as coisas. Mas minha essência sempre foi de muita cautela e - por que não?- seriedade.

  E então 2011 veio e me pôs à frente de uma responsabilidade que, apesar da minha maneira natural de encarar as coisas, não estava preparada para assumir. Ninguém está. Não digo só pelo fato de ter uma carga enorme de estudo ou conteúdo para aprender “de novo”. Há muito mais envolvido.

  Há a minha pressão, a minha cobrança, o meu desejo de realizar um ideal. Não sei se parece exagerado, mas essa é a minha forma de encarar a vida: engrandecendo cada coisa de extraordinária e fora do comum. Eu não tinha idéia do que é estar sob pressão. E não aquela normal, de família, professor, amigo ou namorado à qual estamos acostumados. Eu não aceito saber que fiz apenas o esperado; quero ir além, quero sempre o meu limite e não sei até que ponto isso foi saudável. Talvez nunca saiba.

  Abdiquei de muitas coisas; pessoas demais. Sempre pensei que fosse realmente o necessário, mas minhas certezas tornaram-se escassas e insuficientes. Pensei por diversas vezes nas minhas fraquezas, mas acho que nunca seriamente em desistir. Meus medos são iguais aos de todos aqueles que passaram por um terceiro ano do ensino médio. Eu só queria abafá-los e não ter que confrontá-los tão cedo, por isso evitava-os e focava no resultado do meu esforço.

  Seria certa injustiça dizer que esse ano foi um desperdício. Nenhum dia é digno de ser jogado fora e por mais que eu não consiga enxergar com clareza, acredito que aprendi mais algumas lições ao longo desses quase completos 12 meses.

  Tive a presença física e espiritual dos amigos que me fizeram (e fazem) querer seguir em frente. Enfraqueci com uns, fortaleci com tantos outros. Incomoda-me saber que o que foi construído em anos anteriores hoje já não tem mais tanta força, mas prefiro acreditar que isso é um fator necessário à continuidade da vida. Criei laços que não imaginei e perdi aqueles mais improváveis. Achei um pedaço de mim incrivelmente forte em meio à dor e percebi-me com imensa capacidade de abstração. Esse foi o meu ano, ainda que eu não saiba seu desfecho.

  Tenho vontades rodeadas por insegurança e muito medo. Talvez eu precise desses dois componentes para me frear porque sei que o impulso pode machucar.

  Enfim, não quero me alongar muito mais. Resta-me essa incerteza do futuro e a necessidade de passar de fase. Quero renovações, mas mais que isso: preciso delas. Quero um novo recomeço, ainda que pareça redundante. Não apenas recomeçar; me fazer nova, despir-me do velho e encarar tudo como um renascimento.

  Agora só preciso de férias (falta pouco; dia 18 tudo isso termina) da rotina, das obrigações, da necessidade de abstrair-me para seguir em frente. Preciso de férias de mim, do meu bom senso, da sensatez, da responsabilidade.

***

Pra cantar baixinho…

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...”

Caetano Veloso – Oração ao tempo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O hoje que ficou pra ontem

  O choro levou embora uma parte de mim. Bruto, tomou-me impiedosamente e me pôs de um jeito vulnerável. Precisei dele, ainda que contra a vontade de todos, até mesmo contra minha vontade. Ele me tirou o mais profundo sentimento de decepção ou algo que não consegui definir. Difícil resignar-se com o que não é escolhido por sua própria vontade. Todos dizem para aceitar, como se tudo pelo qual se passa não valesse mais nada e simplesmente o que tem a ser feito é abaixar a cabeça e conformar-se. É difícil demais e não me acho sendo justa ao reivindicar isso, apenas não se pode evitar. Fácil proferir que cada coisa tem seu tempo, ainda que eu acredite piamente nisto. É duro demais ver a facilidade com que as coisas se perdem.

  Ainda assim, precisei de um pequeno tempo para notar que, não importa o que eu precise passar, não pretendo deixar que minha força de crescer vá embora. Sei que sou forte e é por meus sonhos que continuo. O dia inteiro fiquei com esse trecho na cabeça: “Milagres acontecem quando a gente vai à luta”.

  Para tentar de novo, é preciso estar pronto para recomeçar. Que o hoje fique para ontem...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Primavera

  Era fim de tarde. Estava cansada de um dia pesado e duro demais para notar qualquer coisa que não fosse extremamente significante. A cabeça, além disso, doía e parecia alertar que o nível de informação já era grande demais para o que ela podia comportar. Entrei em casa, larguei a mochila que andava me trazendo dores de coluna nunca antes sentidas. Fui até a varanda, tirei os tênis e já ia me virando sem nada notar. Então no segundo em que olhei e não vi, percebi um borrão de cores ao virar rapidamente a cabeça. Voltei a olhar para o que se destacara em meio ao preto e branco de meu mundo.

  Era uma árvore na rua ao lado de meu prédio. Não saberia dizer ao certo qual era o tipo, mas acreditei ser uma cerejeira, por meu limitado conhecimento a respeito de plantas. Não era uma árvore qualquer; tinha um tom róseo de alegria e leveza como eu nunca tinha visto antes. Ou percebido. Ela se destacava talvez não apenas por sua exuberância, mas por estar em meio a tanta insignificância e monotonia de um dia comum e arrastado. O céu escurecia, havia nuvens encobrindo qualquer tentativa de surgir felicidade. Pessoas passavam por ela sem notá-la, com ar de importância e prepotência como se houvesse muitas outras questões mais importantes em suas vidas. Ainda assim, ela estava ali, agraciando a todos com sua bondade incondicional.

  Senti esperança. Um sentimento ameno se instaurou por meu corpo, percorrendo mãos, cabeça e chegando ao coração. Meu ar tornou-se leve, as dores físicas e emocionais se dissiparam sem nenhuma pílula receitada por médicos céticos. Meu remédio estava ali, pronto para ser tomado e sanar todas as minhas feridas. Senti uma luz quente crescer aqui, no peito. O mundo, magicamente, encheu-se de cor e fui tomada por uma alegria desmotivada e serena súbita. Perguntei-me se eu passava bem ou se era o caso de alguma alucinação causada pelo estresse recente. Nunca saberei dizer.

  Não sei até que ponto aquele momento foi real para o resto do mundo. Aqui dentro, porém, foi a parte mais real de mim querendo se mostrar. Uma parte que eu não tinha conhecimento da existência, que se manifestou de forma inesperada e exata, no momento em que precisei. Talvez seja um sinal, um pedido do meu eu que não quer que eu me sinta tão vulnerável a tudo e todos.

  A sensação de paz foi embora, mas é como se ainda estivesse por aqui, esperando que eu me distraia para então me tomar nos braços outra vez e me levar a outro mundo paralelo a esses dias tristes e coloridos de preto e branco.

  Descobri que as flores rosas da tal árvore só mantêm-se vivas por 3 ou 4 dias. E aparecem apenas na primavera. Não quero imaginar o que isso quer dizer, entende?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sobre alívios e intuição

  Sinto como se tudo estivesse andando. À passos pequenos, mas andando. Posso ver as curvas à minha frente se delineando, de forma a formarem um caminho coerente. Por diversas vezes tive vontade de desistir, desfazer-me de tudo o que eu vinha mantendo. Olhava ao meu redor e a visão era turva, o que não me agradava. Pensava em tudo o que poderia estar “perdendo”, nas minhas abdicações, nas ausências, no silêncio, no vazio, no tudo e no nada. Vi que o mundo seguia e o meu desenrolar era lento; eu não tinha paciência para esperar.

  E então percebi um estímulo. Na hora exata, no momento certo, tudo em seus conformes, certinho. Dessas ironias que a gente pensa entender e vê que na verdade não faz o mínimo sentido. Achei saber qual era o meu futuro, tamanha minha pretensão. Sim, eu entendo e aceito o que estiver posto à frente. Imaginei por diversas coisas um amanhã idealizado, mas eis que o que a vida me dá agora é o que tenho em mãos e só isso me satisfaz.

  Tenho vivido à minha maneira, achando brechas e desabrochando o riso sempre que posso. Não quero preocupações excessivas com nada que não me diga respeito, sou extremamente egoísta agora. Pareço recobrar minha segurança e sei que as reservas que me aguardam não serão fáceis.

  Apesar de alguns tropeços, respiro aliviada (palavra leve, de uma suavidade incrível, daquelas que o vento traz…).

  Quero mais uma rodada de alegria, com todos os sentidos que a palavra pode ter. Descobri como apreciá-la em meio ao aparente caos. Agora, mais do que em qualquer outro momento, sinto o coração acalmar e pedir calma, vai ficar tudo certinho, seu futuro é lindo demais para ser apressado.

  Nunca confiei tanto nessa tal intuição.

domingo, 21 de agosto de 2011

minha paz

Nunca achei que fosse precisar pedir por paz no meio em que vivo. Não aquela mundial, com a qual sonhamos e sabemos ser utópica para os dias de hoje. Preciso da paz mais simples; aquela com a qual eu convivi desde sempre e agora, quando mais preciso, foi-se embora como em um sopro. Não gosto de intrigas, confusões ou desentendimentos, apesar de muitas vezes tais males serem extremamente necessários para o engrandecimento como pessoa. Sinceramente, isso não vem ao caso, pouco me importo com o meu crescimento agora. Quero minha tranquilidade de volta!

  Triste é saber que não a tenho pelo simples fato de depender de terceiros ao meu redor. Não estamos sozinhos e, ainda que pensemos o contrário, sempre estaremos ligados de alguma forma àqueles que nos cercam (sendo amigos ou não). Mais deplorável ainda é ver que essa perturbação toda acontece por uma incrível mediocridade humana que parece agarrar-se a qualquer tipo de sentimento barato e desprezível.

  Penso que as pessoas deviam preocupar-se somente com aquilo que lhes diz respeito. Agir para ferir os outros é algo digno de pena, típico daqueles que não evoluíram ao longo de tempo demais. Alimentam coisas pequenas e fúteis, assistindo a chances incríveis de ser alguém melhor irem embora por imaturidade.

  Não pretendo mudar nada e ninguém. Também acho que cada um tem sua vida, suas escolhas, suas burrices e seus acertos. Só acho que quando uma atitude fere o bem estar daqueles que te cercam, deixando de ser uma questão pessoal, está na hora de analisar as atitudes.

  Acho que seria pedir demais, não é? Temo que muitas pessoas não tenham essa visão ampla de que o mundo não gira em torno de nós mesmos.

  Manterei meu foco, ainda que difícil. Minha recompensa consigo enxergar claramente no meu futuro - não digo o mesmo a você, que tirou minha paz.

sábado, 16 de julho de 2011

e se…

  (Das inconformidades da vida)

  Nunca gostei de pensar nas coisas ruins que o mundo tem. Não gosto de imaginar o pior, o que poderia acontecer se fosse comigo ou se tudo acontecesse de um jeito diferente. Sempre pensei que coisas ruins atraem coisas ruins, mas hoje foi tão inevitável...

  Eu chorei por alguém que não conhecia, senti a dor da família de uma pessoa que eu nem ao menos tinha contato. Não entendi como uma vida podia ter sido tirada tão repentinamente e de forma tão brutal; fiquei inconformada. Era apenas mais uma fatalidade nesse mundo tão sujo e injusto. Mais um jovem somado a estatística.

  Talvez porque estivesse em um dia sensível, ou por ainda ficar chocada com as adversidades as quais somos expostos, eu não aceitei. O fato é que aquilo me tocou de uma forma que eu não entendi e me levou a repensar tudo.

  Preocupamo-nos tanto com o detalhe das coisas! Perdemos tantas chances de ser quem realmente somos e passamos a maior parte do tempo vestindo uma máscara que nos é conveniente. Temos medo do mundo, das surpresas. Perdemos tempo com banalidades. Quando olhamos pra trás, já é tarde. Não temos mais a chance de viver inteira e completamente.

  Não nos são dadas explicações para as coisas ruins, mas insistimos em buscá-las de toda forma. Como se isso fizesse alguma diferença...

  Eu não sei o que escrever, pela primeira vez. É um mistério grande demais para mim e seria inútil tentar quebrá-lo. De qualquer forma, como tudo na vida, o aprendizado mais uma vez bateu à porta. Eu simplesmente deixei-o entrar, porque não quero olhar pra trás e ver o nada.

  Queria entender porque tudo acontece tão apressadamente, porque nossos amigos se vão e nós ficamos aqui, porque a ordem natural das coisas não é respeitada, porque quem é cheio de alegria um dia se apaga. Eu não entendo, e não aceito. Sei que tudo tem sua hora, seu jeito de acontecer, mas às vezes é muito difícil simplesmente abaixar a cabeça e “entender”.

  Todo o conforto do mundo, se for possível, a famílias que perdem pessoas especiais tão abruptamente e precisam achar um motivo para continuar vivendo, ainda que todo dia pareça pesado e insuportável demais.

  Ele não era meu amigo, meu parente, meu conhecido. Mas podia ser.

sábado, 9 de julho de 2011

pausa

  Estive pensando em muitas coisas. Na verdade, acho que o que mais tenho feito ultimamente é pensar, mas controlo-me para focar apenas no que devo.

  Serei sincera: desanimei inúmeras vezes esse ano. Não sei se por cansaço, falta de confiança, confusão, ou por tudo isso junto. Tenho medo de não estar fazendo as coisas do jeito correto, de não conseguir alcançar meu sonho. Esse ano agora vem mostrando sua forma e percebi que as coisas não são tão simples quanto pensei. O cansaço físico e mental bateu, e com ele veio o desapontamento e minha própria cobrança. Quero ser maior e sei que posso, mas é difícil.

  Não estou me julgando ou condenando por nada. O problema é a incerteza; detesto tudo o que é inseguro e só agora me dei conta disso. O que escrevo hoje não é direcionado a ninguém, mas a mim.

  O que me impulsiona são justamente os obstáculos. Sempre pensei que somos merecedores daquilo pelo qual lutamos. Se não há luta, não há valorização. Consolo-me ao pensar que os acontecimentos certos vêm quando estamos preparados para encará-los e fazer deles o melhor que possam ser.

  Preciso de pequenas “férias” para me recompor, deixar de lado essa preguiça de tudo que me tomou nas últimas semanas e continuar persistindo. Quando penso em cair, olho através do tempo e me projeto para um futuro no qual me orgulharei um dia.

domingo, 19 de junho de 2011

lições

  Engraçado ver como a gente muda em tão curto espaço de tempo. Não sei em que momento percebi isso, creio que foi aos poucos. Mudei sim, e radicalmente. Não a ponto de não me reconhecer, mas somente aqueles que estão próximos perceberiam.

  Minhas opiniões hoje se encontram diversificadas. Abri a cabeça a tantas coisas novas e ideias revolucionárias. Enxergo tudo por outro prisma e acho que por isso não sou mais tão radical. Talvez minha sensibilidade para observar o outro tenha se expandido, ou só amadureci um pouco mais. De qualquer forma, percebi que mudar de opinião não devia ser visto como algo vergonhoso. Não é sinônimo de falta de personalidade ou de caráter. Ao contrário, acho digno quem reconhece estar errado ou estar tendo uma visão superficial das coisas. Sinal de que há humildade lá dentro, qualidade rara que alguns apenas pensam possuir.

  Sou mais forte agora. Na verdade, acho que sempre fui, apenas desconhecia certos lados que estavam escondidos em algum lugar em mim. Meu pai me disse uma frase que me marcou recentemente. Algo do tipo “Um guerreiro, ao lutar, não deve enxergar seu adversário, mas através dele. Seu maior inimigo está dentro de você; você precisa lutar para se superar e a mais ninguém.” Ousaria dizer que não somos apenas nosso maior inimigo, mas também nosso maior aliado. Basta ter foco e objetivar superar-se que tudo fica mais válido. Levo isso dessas últimas semanas loucas e um pouco turbulentas.

  Nunca desistir. Fazer ou não fazer, porque não existem tentativas.

  (Começo de um jeito e termino de outro, mas para mim faz todo o sentido.)

sábado, 21 de maio de 2011

“O paradoxo do nosso tempo”

  Observar a atitude das pessoas talvez seja a coisa mais útil de se fazer quando não se tem mais nada. É surpreendente o que se encontra por aí. Apesar de não me chocar mais com muitas coisas, ainda não consigo compreender diversas decisões. Sei que cada um sabe o que faz e por que o faz, ainda assim isso não me impede de chegar a conclusões.

  Dentre as palavras que mais saltam nos olhos e gestos das pessoas poderia citar duas: egoísmo e superficialidade. Já disse uma vez que o egoísmo é o mal do mundo e a superficialidade tornou-se mais um ultimamente (porque o egoísmo vem desde sempre).

  Semana passada, na minha aula do curso de inglês, lemos e debatemos um texto incrivelmente bom (The paradox of our time). Postarei logo abaixo a tradução e talvez vocês sintam a mesma coisa que senti, ou não, mas quero falar sobre essas palavras.

  Somos tão cheios de si que não reparamos ao nosso redor. Esfriamos com o tempo e sinto que, mesmo sem querer, todos nós nos tornamos como máquinas em alguns momentos (não me excluo disso). Vangloriamo-nos por nossos feitos na ciência, na medicina, na tecnologia, na astronomia. Somos o auge da evolução e com isso somos postos a prova a todo o momento. Comemoramos nossos avanços e conquistas com momentos efêmeros e sem sentido.

  Não temos com quem comemorar. Todos aqueles que costumavam estar ao nosso lado, por algum motivo aqui não mais estão, e a culpa é exclusivamente nossa; Egoístas a ponto de achar que nenhum deles tem real importância. O que é a vida sem os relacionamentos? Sem esse calor da palavra, o sentimento de reciprocidade que encontramos nos nossos amigos? Será que nossas vidas se resumem as grandes contribuições para a biologia ou para a historiografia moderna? Nossa plena satisfação tem que estar ligada a felicidade que compartilhamos. Ser feliz (com toda a abrangência e especificidade que essa palavra carrega) não é o suficiente se não for compartilhada (vi um filme -“Into The Wild” - que dizia algo parecido).

  Quanto a superficialidade, é impossível não notar se tivermos a mínima percepção de mundo. Relacionamo-nos por interesse, pensando nas vantagens que tal pessoa nos trará. Somos vazios, demonstramos sentimentos que sequer existem. Sentimos necessidade de transparecer aos outros que estamos felizes, bem acompanhados, freqüentando ambientes legais. Muitas vezes para criar uma imagem fajuta de nós mesmos.

“It is a time when there is much in the show window and nothing in the stockroom”

Se puderem, leiam o texto clicando aqui.

Ps: descobri que é uma música do George Carlin.

domingo, 1 de maio de 2011

verdades

  Hoje ouvi o que não queria, o que não podia, o que não precisava. Minto, precisava muito. Tanto que até me recusei a acreditar naquilo que ouvia. Quando uma verdade não é óbvia fica mais difícil de lidar, porque não se quer enxergá-la. A verdade é que eu me comportei de um jeito que não senti, não previ o mal que fazia aos que estavam ao meu redor. Pois bem, sou humana. Errei tanto que preciso tentar mais uma vez, e outra e outra e ainda uma a mais para que possa me convencer de que continuarei, mesmo que as tais tentativas sejam falhas no futuro.

  Doeu demais ouvir. Falar não foi preciso, só precisei absorver aquelas palavras e tomá-las como minhas, como reconhecimento do que vim sendo nos últimos meses. Algo oco, sem fundo, incerto. Não quero isso, não quero magoar aqueles que sempre estão ao meu lado, mesmo sem um pedido meu. Aqueles que a qualquer queda estão aqui, apesar do meu silêncio. Preciso dizer que não era a minha intenção. Não há nada errado comigo, ainda que as evidências levem a outra conclusão. Estive apenas ausente, e só. Nem sei bem os motivos, só que eles me consomem. Meu inimigo estava aqui, dentro de mim e nem ao menos pude indentificá-lo.

  Chega de desapontamentos. Erguerei minha cabeça como sempre fiz e seguirei em frente, porque nada disso vai servir como justificativa.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

pelos meus olhos

  O que há aqui dentro é o inexplorado. Só no meu íntimo talvez eu consiga compreender. Será possível desvendar-me de todas as formas até um ponto em que não haja mais surpresa com minhas próprias atitudes e sentimentos? Como alcançar a plena sabedoria de si? Até então sigo nessa procura, mesmo sabendo que ela é interminável e talvez não seja o suficiente para responder minhas questões. De qualquer forma me ajuda esse não contentar-se com o que tenho, com o vago, com tudo aquilo que não posso explicar. Me instiga a querer mais, descobrir, desvendar.

  Com os olhos eu tento dizer o que, por algum motivo, tenho medo de pronunciar. Pronunciar dói, fere, machuca de um jeito incrível. Mais duro do que falar é admitir; não ouso. Por isso deixo que me encontrem através dos meus olhos, que até podem mentir, mas não sustentam a mentira por muito tempo. Minhas lágrimas me traem assim que a dissimulação brota nas pupilas. Então não me olhe nos olhos, deixe que me mascare através do meu sorriso, do meu aceno, do meu abraço.

  Deixe-me brincar com você, quero ver até onde posso ir com esse “eu” até então não descoberto por ninguém. Hoje quero ser Ela, totalmente fora de mim.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

vinho tinto

  Era noite e ela estava sozinha. A bagunça na sala indicava o quão desleixada ela estava nos últimos meses. Mas, especialmente hoje, a data era tão melancólica quanto havia sendo sua vida. Fazia um ano desde seu último encontro e ela conseguia lembrar todos os detalhes minimamente, começando pelo cheiro de chuva daquela noite, o ambiente acolhedor e tão íntimo do apartamento dele. Lembrava-se do vinho que tomaram, esse mesmo chileno e encorpado que tinha nas mãos agora. Não que gostasse de vinho, aliás era um hábito exclusivamente dele que ela adquirira com o tempo. Ela agora tentava reproduzir todas as lembranças que vinham à sua mente.

  Ligou o rádio, que reproduzia uma música em espanhol, a cantora com voz arrastada, mas doce de forma insuportável. Sentiu-se confortável com aquilo tudo. Pegou papel e caneta e se pôs a escrever. As palavras saíam como um jorro, um desabafo, um choro agoniado de criança, um grito desesperado de dor, uma por uma, machucando-a como se fossem feridas que não parassem de doer e precisassem ser curadas.

  Esperava que ele abrisse a porta e lhe beijasse como fizera àquela época, lhe tomasse para dançar e sugasse toda a sua dor, frustração, lamento, lhe dissesse não irei embora, estou aqui e não te deixarei como tantos outros fizeram.

  Nada disso aconteceria, porque ela sabia que seus erros tinham sido muito maiores do que seus acertos. Tudo estava diferente agora e sua vida parecia não mais pertencê-la, não se reconhecia no espelho, suas olheiras eram demasiadamente obscuras como seu futuro e seu passado era apenas uma névoa branca que a impedia de enxergar com clareza.

  Encheu sua taça e de um gole acabou com todo o líquido vermelho-vivo. Do canto da boca escorreu uma gota, como o veneno que outrora tinha derramado sobre outros.

  Adormeceu ali e sonhou, revivendo suas lembranças, com decisões erradas e caminhos dos quais se arrependia. Nada era como antes.

sábado, 16 de abril de 2011

amizade

  E quando você está triste, me fere igualmente. Quando te fazem mal, sinto como se fizessem a mim. Quando você sente insegurança, eu fico instável. Quando enxugo suas lágrimas, quero te lavar de tudo o que é ruim ao qual você se expõe todos os dias. Não há nada que me atinja mais do que ver você sofrer.

  Não direi não chore, vai passar, mas chore tudo o que estiver preso aí dentro, jamais deixe que seus medos e dúvidas se acumulem, deite aqui, vamos conversar, diga o que te assombra e eu tentarei só te confortar. Com um abraço, um olhar, um gesto sincero e profundo. Entrego-lhe minhas forças para você não cair, estarei ao seu lado quando todos estiverem contra ti. Não preciso esperar nada em troca, porque sei que você, em todas as ocasiões, esteve ao meu lado.

  Enquanto essa nuvem escura e carregada de negatividade pairar sobre sua cabeça, quero que pense em mim como conforto. Porque sua alegria é o que me faz feliz, nossa cumplicidade é o que nos mantém e tudo isso não significaria nada se não fosse mútuo.

  Hoje e sempre, com toda a certeza que eu poderia ter.

quarta-feira, 16 de março de 2011

o que é perdido

   Quero a inocência que só as crianças carregam ao olhar o mundo. A surpresa de, a cada descoberta, maravilhar-se com algo novo. Dar apenas, sem ansiar por uma troca justa, que supere o que foi oferecido. Quero a alegria do sentimento puro, sem expectativas e cobranças, com o intuito de apenas sentir, vivendo e existindo.

   O olhar mais sincero e convincente, o sorriso mais espontâneo e desconcertante, o rubor mais flagrante, sem artificialidades ou superficialidades.

   Porque uma criança não fala o que precisa, mas o que tem vontade. Não age porque lhe convém, mas porque lhe faz bem. Não retribui porque é forçada, mas por sentir-se impulsionada por sentimentos.

   Ela não erra para ferir ou magoar, mas por ser nuamente humana, em sua mais honesta forma.

   Uma criança está despida de toda a malícia e frieza que o mundo nos veste.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pro dia nascer feliz

   Eu não me importei com nada e era exatamente isso que precisava. Parei por um instante de pensar através da mente de terceiros, esperando ver o que eles pensariam sobre minhas atitudes. Não quero preocupações com o limite entre o certo e o errado, quero apenas fazer o que achar que devo no momento certo. Não me privar de minhas vontades, desde que façam algum sentido.

   Eu me permiti não pensar no ridículo, sem sair da minha essência. Dancei quando senti vontade, ri quando não era necessário mas achei graça, aprendi a enxergar além dos meus estereótipos, criei laços com quem não imaginei criar e vi o mundo amanhecer em um início de manhã gelada e totalmente clara. Descobri o que é viver de verdade.

   Cansei de calcular o que minhas atitudes causarão a quem não me atinge mais. Não importa, deixo que falem, dou-lhes a permissão para distorcerem o quanto quiserem a minha versão de tudo, não preciso de aprovação de nada e ninguém. Diverte-me ver até onde a inutilidade humana pode ir.

   Como já dizia um novo grande amigo, “… eu quero ver o mundo girar.”

domingo, 27 de fevereiro de 2011

realidade

   A coisa que mais me assusta, depois do futuro, é a realidade.

  Algo frio e inesperado que, como um balde de água fria, me toma toda a sensação de estar vivendo uma vida que não me pertence.

  Dei-me conta de que vai ser difícil. Não que eu não tivesse tal noção, mas convenhamos que na teoria é tudo muito mais simples. Quando percebi do que se tratava, eu entendi a importância desse meu momento. Ele é tão único e por isso me assusta.

  Já ouvi tantas vezes que a realidade é dura e sinceramente, odeio ter que repetir isso pelo simples fato de odiar ditados e frases prontas. Frases prontas só servem para parecermos politicamente corretos e intelectuais. Apesar disso, a realidade é, digamos, fria.

  Esse meu momento exige muito, mais do que qualquer coisa pela qual tenha passado. E não tem nada a ver com sentimentos, é totalmente o contrário. Tenho que agir da forma mais impessoal possível, deixando de lado meus aspectos psicológicos e draminhas adolescentes.

  Foco. É tudo o que eu preciso. Trata-se de um objetivo que pretendo alcançar.

  Uma vez me disseram que sou subjetiva com as palavras. Talvez não seja tanto assim, a verdade é que sou mal interpretada. Ou ninguém faça um esforço maior para tentar me entender.

  No fim, acho que tentei passar uma coisa e não disse nada.

“A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.”  Mário Quintana

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Autonomia

  Busco um ideal, uma realidade independente de qualquer um. Quero viver o que estiver guardado, descobrir um mundo novo e ilimitado onde eu encontre meu equilíbrio. Prezo minha liberdade e me espanto com minha autonomia.

  Não pretendo estar presa a nada, não quero sentimentos de culpa junto comigo. Espero estar sempre além e me encontrar e descobrir-me dentro de mim todas as vezes que for preciso.

  Quando me dou conta, o medo é só mais um resquício. Minha vontade e determinação de vencer são muito maiores do que qualquer dúvida.

  Dê-me asas, quero alçar voo. Sei que sou apenas um filhote, um pequenino pássaro, mas é falhando e caindo que obtenho êxito. Estou pronta para cair e levantar, incessantemente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

foi então que resolvi falar de você…

 

  Tanta coisa passou, tanta coisa voltou e tanta coisa restou. Do mesmo jeito, você continua aqui. Não da mesma forma que antes, claro, hoje somos diferentes, seguimos nossas estradas e sinto que foi a coisa certa. Minha estrada às vezes esburacada, o que me dá mais desejo de ir em frente. Eu me testo com desafios, gosto do sabor que eles têm. Sua estrada prometia algo brilhante, mas lá ao longe, eu não conseguia ver. Enquanto você esperava esse “algo” chegar, seguia seu caminho por intuição, “pisando em ovos”. O paralelo que insisto em fazer entre nós, veja bem, não é por mal. É minha mania de querer analisar tudo, cada ato desmedido, cada pensamento do ser humano, por mais difícil e errôneo que possa ser.

  Eu poderia me odiar por ainda ousar falar em você, mas o que sinto agora está muito mais seguro de si. Encaro as coisas com uma naturalidade que em um passado remoto eu não achei ser possível. Não é uma fraqueza minha, acredite. É só que quando achamos que nada mais pode ser dito, encontramos ou descobrimos algo novo, que se modifica de acordo com nossa forma de sentir. Só quero escrever displicentemente sobre você, posso?

  Você é cheio de sonhos (ainda, aposto). Sempre foi. Vive em um mundo onde tudo é possível e com o aparecer das dificuldades, o seu bordão é “vamos dar um jeito”. Não, não vamos dar um jeito, não demos um jeito; você não mais se esforça para isso. Não é uma crítica, querido, mesmo que pareça.

  Eu era os seus pés. Você era como aquelas crianças que passeiam com seus balões cheios de ar e por pouco não se deixam levar pelos mesmos. Meu dever era te fincar ao chão, para que o vento não te tomasse e, posteriormente, você não caísse lá de cima e sofresse danos terríveis.

  A hora que meus pés quiseram trilhar seus próprios caminhos chegou, e fui obrigada a te deixar para trás. Você e seus tantos sonhos que eu sabia que não se realizariam. Não sei se só por falta de empenho seu (ou de ambos?), mas por uma força maior sobre a qual não temos controle. O destino. De qualquer forma, me cansei de estar sempre ali, te guiando, te freando, tendo que ver você se esvaindo e perdendo-se em seus sentimentos e sonhos e dúvidas sem poder fazer nada.

  Minha vida hoje não é e nunca será como aquela dos livros. Gosto de tudo que é real, instantâneo e nada abstrato para estar ao meu lado. Você, por outro lado, tomou rumos que desconheço ou talvez tenha tomado os rumos já previstos por mim. Quem irá saber? Comigo, ainda permanece uma pequena curiosidade de saber o que se fez de você ou o que fizeram de você (o que acho mais provável, tal assustadora era sua maleabilidade).

  Não vou dizer que estou triste, lamentando nossos rumos. Digo que essa fase já passou. Talvez eu não tenha que dizer nada, mas ainda assim prefiro. Eu só sinto. Não sei o que; quem sabe um vácuo? Um vácuo, propriamente dito, porque não há exatamente nada aqui. Eo incrível é que há exatamente tudo. Há ausência de sentimento, de compaixão, de raiva, de carinho. Ah, sim, talvez seja indiferença.

  Não te quero mal, não mesmo. Desejo-lhe sorte, para o que quer que a vida lhe reserve. Quero dizer que... bem, eu já não sei mais o que dizer.

Foto por Paula Napolião.  + em : www.flickr.com/paulanapoliao

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Irmandade

  Jú,

  Não foram poucas as vezes em que disse o que eu sentia por você. Claro, somos irmãs e esse laço de amor é previsível. O que me pergunto é se há irmãs como nós. Acho, sinceramente, que é difícil encontrar tamanha amizade e cumplicidade como demonstramos.

  Você esteve ao meu lado desde sempre. Lembro-me diversas vezes em que você me defendeu e exerceu lindamente seu papel de irmã mais velha. Lembra quando um menino na escola falou umas gracinhas para mim na 3ª série e você quase pôs o menino para correr? Você me tem como uma espécie de filha e eu a vejo como uma mãe, um tanto compreensiva e displicente, sem deixar de ser afetuosa e incrivelmente divertida.

  Passamos tanta coisa juntas que as memórias que me vem à cabeça me dão certa sensação de nostalgia com misto de emoção. Eu não poderia desejar uma irmã melhor, porque você foi feita sob medida para esse posto. Somos incrivelmente parecidas e ainda mais assustadoramente diferentes. Crescemos com base nos mesmos princípios e temos temperamentos tão opostos!

  Sempre serei o seu freio. Quando você se exaltar e falar um pouco demais, eu estarei aqui para apontar onde você errou. Você estará sempre aqui para me confortar todas as vezes que eu achar que sou pequena demais e fraca para seguir em frente. O seu abraço é a coisa mais sincera que alguém pode receber e quando o recebo, é como se meu coração ficasse pequeno demais e fôssemos uma só, tamanha cumplicidade que compartilhamos.

  Vê-la triste me entristece e também sei que seu coração fica partido quando me vê assim. Nossas brigas eram freqüentes e igualmente bobas, mas hoje ambas crescemos e amadurecemos juntas. Nossas brigas são raríssimas, apesar de continuarem bobas. Você me conhece como a palma de sua mão e eu digo o mesmo. Talvez eu seja a única pessoa que te conhece realmente e, acredite, eu sei o que você não faria jamais e do que você é capaz.

  Talvez isso seja fruto de um amor que não tem nada a ver com o simples fato de sermos irmãs, pois esse amor já é premeditado: irmãs amam irmãs e é assim que sempre foi. Nós somos diferentes. Nós nos amamos não pelo fato de termos tal parentesco, mas também por isso. Amamos-nos por tudo o que somos, pelo o que vivemos, pela admiração que sentimos uma pela outra, pelos sonhos que alcançaremos um dia.

  Você tem um coração enorme, é meu orgulho. Admiro seu caráter, sua personalidade forte, sua capacidade de dizer não, sua franqueza, sua honestidade com os sentimentos. Torço por você como ninguém, acredito em você e nos seus objetivos, que serão alcançados pelo seu potencial e sua determinação.

“Eu te amo do tamanho do universo!”, como você mesma diz.

  Obrigada por tudo, TUDO mesmo. Até pelas coisas mais banais, como aquela alegria que você demonstra quando chega do trabalho e abre instantaneamente um sorrisão apenas pelo fato de me ver em casa.

Seremos sempre unidas, tenho certeza.

Um beijo, sua irmã.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Obrigado por estar aqui

 

  Eu não sei por onde começar, mas estou com medo. Não acho feio, humilhante, covarde dizer que me sinto assim. Não sou obrigada a ser destemida para com o desconhecido. Estou perdida, não sei por onde começar. O meu futuro me dá arrepios, apesar de minha aparente determinação para lutar por ele.

  Eu tenho forças agora, mas não sei até onde serei capaz de suportar. Sei que haverá desafios, dificuldades e – como se não bastasse – haverá pressão. Daqueles ao meu redor e de mim mesma, pois me pressiono involuntariamente. Tenho receio de me decepcionar. Sabe quando você acha que consegue, mas no fundo o medo de falhar te assombra?

  Eu só queria ter certeza de mais coisas...

  Mas espere... Talvez eu tenha certeza daquilo que preciso: que aqueles que me amam me darão forças para seguir em frente se eu cair. Que uma força muito maior do que a de qualquer ser humano me levantará se eu ousar pensar em desistir. Eu só preciso disso, da sensação de que mesmo tudo dando errado, um certo alguém estará aqui comigo, me acolhendo e enchendo meu coração com um amor inexplicável. Não seria ninguém sem essa certeza e agora vejo que a tenho.

  Não se trata apenas de amigos – e não leia esse “apenas” como algo superficial, sem importância para mim. Leia-o como algo essencial, mas menor comparado a Quem me refiro.

  Sei que se um dia eu estiver fraca, não estarei por completo se Ele estiver comigo. Porque em todos os momentos (eu disse todos), Ele esteve presente. Quando tudo desandou, todos me decepcionaram e eu achei que fosse fraca, a paz que Ele me proporcionou foi capaz de me renovar. Não se preocupou com meus erros, minhas bobagens e tudo de ruim que pensei, apenas me aceitou.

  Eu só precisava registrar isso, sou pequena demais para me achar forte o bastante sozinha.

  Obrigada por tudo, Deus.

  "E a palavra vem pequena, querendo se esconder no silêncio… Querendo se fazer de oração." Fernando Anitelli

  “Mesmo fraco, em pedaços, eu prefiro Te dizer: Obrigado por estar aqui.” Rosa de Saron

***

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

surpresas

  Quando ele batera a sua porta depois de tanto tempo afastado, ela mal podia disfarçar a surpresa em seu rosto. Era algo totalmente inesperado, já não se viam e não se tinham notícia há tanto tempo que ela simplesmente o deixara de lado em seus pensamentos. Vez ou outra pegava-se passeando por antigas memórias que tinham juntos, mas evitava chegar àquela sensação de vazio e nostalgia já tão conhecida.

  Foram dois anos de incansável espera por uma coisa incerta e insensata. Ela queria acreditar que, apesar de tudo, ele voltaria. Em seu íntimo sabia que as chances de que isso acontecesse eram praticamente nulas. Levou-lhe um tempo, mas conseguiu convencer-se que o melhor era seguir em frente e anulá-lo de todas as formas.

  Não entendia o que aquela figura fazia agora, na sua frente, na porta de sua casa. Queria xingá-lo, expor toda a sua raiva e gritar que aquela situação era ridícula e absurda. Tudo o que saía era um silêncio agonizante que a fazia sentir fraca. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela queria que ele soubesse que não eram lágrimas de redenção ou alegria, mas de raiva, repúdio, insignificância até. Queria perguntá-lo como ele podia carregar aquele sorriso desbravado no rosto como se nada tivesse mudado, como se ele esperasse que ela a recebesse com um abraço e um beijo caloroso pelos velhos tempos.

  Era fraca para dizer qualquer coisa; estava em frangalhos por dentro. Juntou todo o orgulho e amor próprio que podia e sem dizer uma palavra, bateu a porta na cara daquele estranho.

  Aquilo era um ponto final em algo que há muito não existia. Precisava estar em paz consigo mesma e essa era a única maneira. Jamais se perdoaria se voltasse a se entregar a alguém que tanto a machucara.

  O que importava agora, era que ela se aceitasse de volta, de bem com tudo a sua volta, de bem com o amor que, apesar de causar tamanha decepção, ainda mostrava-se ali, prontinho para ser descoberto de novo de tantas outras formas.

  Estava livre, enfim.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Refúgio

  Caminhar pela areia sempre me proporciona uma sensação única. É como se eu pudesse sentir toda a paz que tudo ao me redor me transmite... E, agora, olhando para aquela lagoa, eu sinto como se tudo estivesse em seu lugar. Não existe mais ninguém aqui, só eu e aquele céu azul que dá a sensação de infinito. As nuvens, o sol, os coqueiros ladeando a lagoa... tudo tão perfeitamente combinado. Tudo o que quero nesse momento é o nada, o vazio, a ausência. Eu me quero para mim, para sempre. Encontro todas as minhas respostas aqui dentro, onde só eu e mais ninguém consegue alcançar. São as mais sinceras respostas e, pela primeira vez, não tenho vergonha de descobri-las.

  Ah, o vento. Eu caminho e ele me leva junto, como se “me tirasse para dançar”. Chego pertinho da água e os salpicos das ondas enchem meu rosto. Molho os pés, sinto uma temperatura perfeita. É tudo tão completo... eu estou completa. Isso me motiva de tal forma que a alegria que sinto parece impossível de conter. Não me falta mais nada, como pude achar alguma vez que eu estava em pedaços? Tudo o que preciso está aqui, nesse momento. Não ouso interromper essa sensação – a coisa mais idealizada que já pude sonhar – por nada.

  Quero agarrar tudo isso, levar comigo, não me deixar esquecer de como tudo pode ser, se eu quiser. Eu quero essa simplicidade, essa coisa amena que me enche, me preenche, me toma. Não quero mais a certeza, eu quero a dúvida do amanhã. Eu quero o hoje só para mim, em seu máximo. Quero o tudo que esse nada me deu.

  Momentos assim, sim, valem por toda uma existência. Me leve agora se assim eu for feliz. Estou no meu refúgio.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Selo

 

O blog que me indicou foi o Papel de Carta, da Monique :) .

Regras:

1. Colocar a imagem do selo no blog.
2. Linkar o blog que indicou.
3. Indicar 5, 10, 15 ou 30 blogs ao selo.
4. Comentar nos blogs dos indicados sobre esse selo.

Blogs que indico:

1- Vocábulo
2- Road Dreams
3- Da janela lateral
4- A vista de um ponto
5- Dono da Voz

ps: Voltarei em breve com um post novo para abrir o ano :).