sexta-feira, 25 de junho de 2010

Incógnitas

 

  Não sou simpática. Sempre disse isso e não canso de repetir. Podem falar que é defeito , que eu deveria ser mais entusiasmada ao falar com as pessoas, puxar mais assunto, mas esse é meu jeito. Muitos gostam, outros muitos não.

  Uma coisa é certa: nunca direi que amo alguém se eu não o fizer. Nunca direi que esse alguém está bem vestido, está bonito, com cara de saudável, e outros agrados se ele não estiver. Prefiro não falar nada (lembram que o silêncio às vezes vale ouro? Pois bem, sigo fielmente esse pensamento). Costumo dizer que aqueles que gostam de mim, o fazem pelo o que realmente sou e não por forçar nada; detesto gente forçada.

  Claro que meu intuito aqui não é me descrever (não quero espantar ninguém!), mas por não ser assim, não quero pessoas assim ao meu lado. Não quero relações forçadas, que sejam só sorrisos. Diferenças existem e precisam ser resolvidas e equilibradas.

  O que mais me incomoda são pessoas incógnitas; você não sabe quem realmente são, porque apesar de se mostrarem de um jeito, algumas atitudes te deixam sem saber o que fazer. Talvez seja um (outro) defeito, mas tenho um escudo natural que se posta à minha frente toda vez que passo a me relacionar com alguém. Um escudo que me faz ser cautelosa com todas as minhas decisões, levar um bom tempo para confiar nas pessoas e acreditar no que elas me dizem. E –pasmem!- consigo me decepcionar da mesma forma.

  Pessoas boas demais me deixam desconfiada. Tudo bem, pode ser um reflexo desses tempos malucos em que não se pode confiar em ninguém, mas o fato é que eu cresci assim (ouso dizer que nasci assim). Meus amigos são amigos mesmo e são essenciais para mim. Não há meio-amigo.

  Pessoas meio-termo não me interessam, não sou fã da imparcialidade, acho que todos temos que ter um posicionamento sobre determinados assuntos. No fundo, temos opinião para tudo, só não temos a coragem de expô-la. Isso também não nos dá o direito de julgar as pessoas com pouco convívio. Há uma grande diferença entre dar a opinião sobre um assunto que se conhece e dar a opinião só para ser crítica. Muitas vezes cometemos esse erro.

  O que quero dizer é que eu gostaria de conhecer as pessoas mais a fundo. Na verdade, gostaria que elas se deixassem mostrar mais claramente, sem medo de serem julgadas. Porque isso acontece a todo o momento, até quando fazemos boas ações. Nos julgam por agirmos contra tudo e todos, mas nos criticam quando fazemos como a maioria. Se espantam quando tomamos atitudes radicais mas nos jogam pedras quando não fazemos nada. Perceberam como a sociedade é contraditória?

  Sim, isso foi um desabafo. Por favor, tenham opinião. Não sejamos neutros o tempo inteiro; não há quem goste de pessoas que vivam em cima do muro. Sejamos intensos e claros.

É, hoje eu acordei meio Lya Luft.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Partida

 

E sempre que o via

Sorrindo, ah, aquele sorriso que tanto dizia

Não era felicidade

Era a simplicidade do momento, apenas

Ao vê-lo entendia o que era o amor

Sentia toda a razão ir embora, sem que percebesse

E eu mal sentia passar a hora

Porque só o estar ali era mágico

Demasiado e infindo para mim

O coração então se apertava

Era a hora de partir

Eu ia, não inteira, mas em partes

Porque a outra metade ele tinha nas mãos

Deixara com ele meu coração.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Felicidade Instantânea

 

  Vivo em busca da felicidade. Mas quem não a procura? Há milhões de pessoas que seguem seus rumos e trilham seus caminhos sonhando encontrá-la. Não penso que seja difícil, mas temos a irritante teimosia de achar que se trata de algo quase impossível. Engano nosso, meros seres humanos.

  Deixamos coisas aparentemente banais passarem por nós sem ao menos prestarmos o mínimo de atenção aos detalhes. Sim, pois eles fazem total diferença. Buscamos sempre algo grandioso e na maioria das vezes perdemos nossa essência durante essa busca. Somos humanos, acostumados com o desapego (não todos, claro), ligados a bens materiais, pessoas, relações que de alguma forma nos beneficiem. Sempre com o intuito de ganhar algo em troca. Agimos pensando no lucro, no que aquele ato pode nos trazer de bom.

  Onde foi parar a real felicidade? Aliás, que palavra linda! Inspira liberdade, um ideal, algo abstrato e ao mesmo tempo concreto dentro de nós. Será que esse ideal depende sempre de alguém ou exclusivamente de nós? Penso que seja impossível ser feliz sozinho, mas que a tal felicidade não deve depender de quem está ao seu lado. É algo infinitamente pessoal. Temos que pagar um preço para ter direito a esse sentimento? Me peguei pensando a respeito… Sofremos tanto que nos achamos merecedores da mesma. Se cheguei a uma conclusão, foi a de que isso não está relacionado com nossa cota de sofrimento.

   De alguma forma percebi que temos muitos momentos felizes, inclusive em meio a tristezas. Só não temos a capacidade e nem a sensibilidade de percebê-los. Somos inclinados a achar que somos infelizes e que o que nos acontece é injusto.

  Felicidade, pra mim, é instantânea. Em alguns casos pode até ser contínua, mas apenas para pessoas naturalmente felizes e sorridentes (rs). Existem momentos únicos, sentimentos puros, gestos simples, acontecimentos singulares que nos proporcionam essa sensação. Um simples amanhecer pode ser algo esplêndido ou algo extremamente comum.

   Por tudo isso, felicidade, para mim, depende do ponto de vista. E da sua sensibilidade e ousadia de fazer e ver a vida mais colorida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

He still remembers those days

 

  Fazia então dois meses que ela havia partido. Tudo bem, ele pensou, não significa nada que eu não possa superar. Afinal, já passara por cada coisa anteriormente (que não convinha lembrar naquele instante), que acreditava poder superar tudo o que viesse. Era indiferente à sua partida e de certa forma se sentia mais livre, inclusive. Não havia outra maneira, ele sabia que existiam coisas que apenas aconteciam e não precisavam ter um motivo aparente. Engano seu, claro. Os dois meses que se seguiram foram uma fracassada tentativa de tentar viver.

  Na primeira semana ocorreu tudo como o planejado. Ele ocupou sua cabeça, pensando que ao mantê-la trabalhando, evitaria que seus pensamentos se dirigissem àquela pequena menina-mulher. E funcionou. Saía para estudar, empenhava-se nos trabalhos de seu curso, por vezes chegou a sair com os amigos, na procura de uma diversão qualquer. Chegou até a tentar algo com uma moreninha que, certo dia, lhe dera condições. Mas era fraco, e ele tinha consciência disso. Na hora em que ela encurtou aquela distância de um palmo em que estavam para tentar um beijo, quem sabe, ele desculpou-se e pediu licença retirando-se do bar onde se encontravam, deixando a moça ali com cara de poucos amigos. Estava certo de que isso era só uma questão de tempo, iria se acostumar com aquela situação. Ele tinha certeza que não demoraria muito e já estaria de caso novo.

  Foi assim a segunda semana. Essa, porém, foi um pouco mais difícil. Agora ele tinha uma certa dificuldade em concentrar-se em tarefas diárias. Por vezes pegara-se passeando por lembranças de momentos que haviam compartilhado, em plena aula. Depois simplesmente forçava-se a manter o foco. Era difícil, mas conseguia.

  Na terceira semana, começou a desleixar-se. Seu cabelo agora caía no rosto e não via motivo para cortá-lo; era ela quem o fazia cortar todo mês, alegando que o preferia de cabelos curtos. Ele agora já não se importava, não era algo muito relevante. Sua barba também já dava sinais de uma certa necessidade de ser feita, mas ele também não se importava. Era bom mesmo que ficasse com cara de mau, só assim as pessoas paravam de lhe perguntar o que havia acontecido.

  Sim, as pessoas lhe faziam essa pergunta frequentemente. E ele, como bom ator da vida que era, apenas respondia estar tudo bem. Não devia satisfações a ninguém.

  Quando completou-se um mês de sua partida, ele se deu conta de que não conseguiria. Tudo o que pensara sentir pela tal menina era errado. Aquela indiferença do começo de tudo agora lhe parecia ridícula. Estava claro que necessitava dela como se necessita de ar. Ele não queria soar ridículo, mas era a mais pura verdade. Obviamente que ele continuava sobrevivendo, mas apenas isso. Não vivia como deveria, porque por mais que obtivesse o ar, o mesmo lhe parecia rarefeito, como se aquilo não fosse o suficiente para que pudesse respirar aliviado. As coisas só estariam completas quando ela, aquela por quem se apaixonara mesmo sem saber, estivesse ali por perto.

  Como era idiota; foi preciso que perdesse algo tão valioso para notar sua real importância. Não queria parecer piegas, mas quanto mais acostumado ao bom o sujeito fosse, mais demoraria a se acostumar ao meio termo. Talvez nunca fosse se acostumar.

  Ele queria poder voltar atrás e lhe falar tudo o que sentia hoje. Mas, claro, era tarde demais. Não sabia ao certo, mas temia que ela já estivesse em outro ambiente, com outras pessoas e, o pior, com outro amor. Sempre soube que o mundo girava, mas nunca foi de botar muita fé nesses ditos populares. Pois agora sim, ele acreditava em tudo isso. Céus, como se arrependia de não tê-la amado antes. Como arrependia-se de não ter dado o que ela merecia, de perceber a importância que ela tinha para ele. Chegava a lhe doer por dentro.Mas era tarde para voltar atrás, ele sabia.

  E enquanto isso, ele ia sobrevivendo...

 

Força

 

  Quando passamos por muitas situações difíceis ao mesmo tempo, é como se sentíssemos que não iríamos aguentar. Tenho a impressão (e talvez a certeza) de que muitas coisas acontecem para nos testar. Para ver o quanto podemos suportar e até quando. Somos fortes o suficiente ou iremos sucumbir?

  Somos humanos e desconhecemos nosso limite. Só tomamos conhecimento do mesmo quando somos postos à frente dele. No entanto, descobrimos uma força dentro de nós que não sabíamos existir. Algo que nos faz acreditar num dia novo, na resolução de nossos problemas, por mais impossíveis de resolver que eles aparentem ser.

   É essa a força que nos faz seguir em frente. E, preciso dizer, é surpreendente. Vem de gestos simples, como um sorriso que significa algo como “Conte comigo” ou um abraço que diz “Estou aqui” ou um consolo que grita “Siga em frente”. Nos apoiamos em amigos e família. Mas também (e principalmente) em Deus.

   Todos precisamos de um abrigo, de um conforto, um alicerce que nos mantenha. Por isso quando nos falta força, recorremos a Deus. De qualquer forma, através de qualquer religião. O importante é ter fé, acreditar e tê-lo sempre no coração. O maior colo é o Dele.

   E aí a gente aprende a dizer: Obrigado Deus, e amigos.

   ‘Que é Deus que te faz entender toda a poesia, que torna mais valiosa a Vida e prova que ainda dá pra ser feliz.’ Rosa de Saron.