sábado, 17 de abril de 2010

Então, eu sou brega.


  Às vezes tenho a impressão de que nasci na época errada. Não sei se isso é muito normal, mas como eu discordo de várias coisas dessa ‘sociedade moderna’, já não me espanto mais. Muitas vezes já me peguei pensando em como seria se eu tivesse nascido há 30 anos, por exemplo. Ou até mais !

   Gosto das coisas antigas. Das coisas mais simples como CD’s ( e se eu tivesse vivido a era dos Lp’s com certeza sentiria falta), livros antigos, poemas. Até as coisas mais complexas e abstratas como o amor verdadeiro (que não foi extinto, mas às vezes é difícil acreditar que ele ainda existe) ou uma amizade incondicional, estão mais difíceis de encontrar.
   Um sentimento não é mais valorizado como em tempos atrás. Vivemos em um mundo tão ‘largado’, tão desapegado! Os gestos simples que valiam tanto, hoje já não tem mais tanto valor. Talvez não tenham valor algum para alguns.
   Uma rosa, uma carta (como eu adoro cartas!), um bilhete, um gesto, um olho-no-olho
   Pessoas casam, descasam. Dizem ‘eu te amo’ com uma facilidade e uma simplicidade usual. E amanhã já não amam mais! Transformam uma coisa complexa em algo simples, pulam etapas, correm com as coisas, voam no tempo.
   Onde está o compromisso, a lealdade; o sentimento puro que cresce com o tempo; os amigos de verdade, que estão a todo momento com você? Não vejo mais um sentido, um propósito nas pessoas. Elas simplesmente não se importam com nada, desde que aquilo não as afetem.  Não há lutas por aquilo que se quer,  no lugar disso há apenas resignação. Paciência não existe mais, tampouco a compreensão. É mais fácil odiar do que compreender o motivo do outro. Julgar do que conhecer. Divertir-se do que assumir um compromisso.  Calar-se do que correr o risco de não ser aceito.
   Não sei se há anos atrás as coisas eram ótimas, talvez seja utopia pensar que no passado as coisas eram melhores, porque com certeza eu iria estranhar e discordar de muitos aspectos. Só não estou satisfeita com esse modelo de sociedade onde tudo é dinheiro. O sentimento fica sempre em segundo plano, não importam as circunstâncias.
   Se isso é breguice, tanto faz.  Para mim não faz diferença, pois então eu sou brega.  Nunca vou achar o amor, a saudade, a preocupação com os outros e a amizade ultrapassados. Nunca vou deixar de acreditar nos seres humanos, por mais difícil que isso possa ser. Porque, por mais que as evidências me mostrem o contrário, prefiro acreditar que ainda há exceções, e é com elas que quero viver.
  
‘Pelo menos em uma coisa, Dumbledore estava certo. Ainda havia uma coisa pela qual valia à pena lutar’
- Harry Potter pode ser muito mais filosófico do que parece.

3 comentários:

  1. Oi, Paulinha!
    Que bom que você gostou do Papel de Carta, fico super feliz!

    Seu blog é lindo e você escreve muito bem, viu?
    Gostei bastante e já estou seguindo também.

    Beijo!

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  2. Paula, então eu também sou muitíssimo brega. Engraçado que acabei de twittar algo parecido com o seu texto: "No dia de seu aniversário, você recebe centenas de recados via orkut, facebook e similares. Mas quantas pessoas ligam pra você?"

    Você expressou isso muito bem no seu texto. Parabéns. To te seguindo também!

    abraços

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  3. Seu nome não é Paula , deveria ser criatividade e empenho , te admiro muito , beijos jornalista nata :D gabimodesto

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