terça-feira, 27 de abril de 2010

Era um sonho, afinal.

 

 

  Eles se olhavam, sem desviar o olhar um do outro, desde que o silêncio tomara conta da situação. Não se tratava de um olhar qualquer, mas um olhar de cumplicidade, onde ambos compartilhavam as mesmas sensações.  Impossível descrever o que sentiam naquele momento, que se tornara único; um misto de alegria, ternura, calma, euforia, amor. Ah, sim, amor talvez impregnasse aqueles olhos. Um amor tão sincero e tão repentino! Nenhum dos dois sentira nada parecido anteriormente. A vida lhes tinha reservado a mesma surpresa de um sentimento tão jovem, puro e sincero.

   Debaixo de uma cerejeira, onde as flores que ali floresciam pareciam partilhar da mesma alegria de ambos e ainda exalava um odor ameno e ao mesmo tempo marcante, eles faziam cada momento parecer último. Encontravam-se deitados em um campo onde a grama crescia livremente e o sol banhava a paisagem e esquentava os corações dos dois. Estavam andando pelas redondezas e ele de surpresa, a levara até ali. Ali, no alto do tronco daquela cerejeira, marcaram as iniciais de seus nomes, como fazem os casais nos filmes água-com-açúcar românticos. Achavam isso tão antigo… E tão lindo. Apaixonados costumam ser bobos, sempre.    Ele a abraçava e conversavam calmamente, como quando não há pressa em se viver.

  - Tão bom olhar pra você e ver que está aqui comigo. – ele disse. Via-se verdade e satisfação em seus olhos. Ele a admirava por minutos seguidos.

  - Tão bom olhar pra nós e ver que estamos juntos. – ela completou. Bastou isso para que ele sorrise e comprimisse-a mais ainda contra seu peito.

  - Eu te amo. – ele disse baixinho.

  - Pois eu também te amo. Se isso não é amor, não sei que nome dar… – ela sorriu.

   Então tudo foi se afastando, como num borrão. No momento em que ele ia falar algo, ele simplesmente sumiu de sua frente, como fumaça que o vento leva.

   Ela acordou de repente, assustada e tremendo de frio. Era um sonho, afinal.

  O sol tinha sumido e ele não estava lá para esquentá-la e dizer que tudo ficaria bem

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Saudade. But It will be okay in the morning...


Não há hora, nem lugar, nem ocasião certa para ela aparecer. Às vezes vem de forma inesperada e, em outras, propositalmente. Um perfume, uma música, uma carta, uma rosa, um lugar. Coisas pequenas e simples que nos fazem retroceder à momentos que dificilmente iremos esquecer e que ficaram marcados em nosso coração (piegas, eu sei. Mas é a mais pura verdade). Momentos especiais. Quando menos esperamos, ela - a saudade - vem e nos surpreende com uma sensação de impotência, pois não há nada que possamos fazer.
Sem dúvida, a hora preferida dela aparecer é antes de dormir. Aquele momento em que você pensa em tudo, desde tarefas diárias simples realizadas durante o dia até pessoas que você convive (ou não). É o momento em que nos desligamos do mundo e deixamos nossa mente passear por todos os assuntos que não nos damos o trabalho de pensar durante o dia, aqueles que sabemos estar adiando e inventando desculpas para não pensar. Nessas horas não há como escapar e nem há como evitar. Caso contrário, prepare-se para travar uma luta de horas com seu subconsciente e encarar noites de insônia. É inevitável.
É como se nosso cérebro soubesse que aquele é um terreno delicado e que só pode ser sondado à noite. E então, vem aquele aperto no coração.
Aquela sensação que só quem já sentiu muita falta de alguém sabe explicar. Melhor, sabe entender, porque explicá-la não é tarefa fácil.
Uma incerteza que se soma à insegurança e que te faz temer o futuro de uma forma que você jamais pensou que pudesse temer. Dói mais ainda por não saber quando ela irá embora, já que não há previsão pra nada.
Não saberia dizer se é um sentimento bom ou ruim. Mas com certeza contraditório. Porque no fim, restam as lembranças; aquelas que te machucam e te confortam igualmente. Te machucam por saber que elas fazem parte de um passado que talvez não volte mais. E te confortam por ter sido um época boa da vida com alguém ou mesmo sozinho.
E quando vemos, lá se foram os dias... e as noites intermináveis que, por fim, nos damos conta que elas têm um fim, precisam ter. Mesmo que na noite seguinte comece tudo outra vez...
Tudo ficará bem de manhã.

sábado, 17 de abril de 2010

Então, eu sou brega.


  Às vezes tenho a impressão de que nasci na época errada. Não sei se isso é muito normal, mas como eu discordo de várias coisas dessa ‘sociedade moderna’, já não me espanto mais. Muitas vezes já me peguei pensando em como seria se eu tivesse nascido há 30 anos, por exemplo. Ou até mais !

   Gosto das coisas antigas. Das coisas mais simples como CD’s ( e se eu tivesse vivido a era dos Lp’s com certeza sentiria falta), livros antigos, poemas. Até as coisas mais complexas e abstratas como o amor verdadeiro (que não foi extinto, mas às vezes é difícil acreditar que ele ainda existe) ou uma amizade incondicional, estão mais difíceis de encontrar.
   Um sentimento não é mais valorizado como em tempos atrás. Vivemos em um mundo tão ‘largado’, tão desapegado! Os gestos simples que valiam tanto, hoje já não tem mais tanto valor. Talvez não tenham valor algum para alguns.
   Uma rosa, uma carta (como eu adoro cartas!), um bilhete, um gesto, um olho-no-olho
   Pessoas casam, descasam. Dizem ‘eu te amo’ com uma facilidade e uma simplicidade usual. E amanhã já não amam mais! Transformam uma coisa complexa em algo simples, pulam etapas, correm com as coisas, voam no tempo.
   Onde está o compromisso, a lealdade; o sentimento puro que cresce com o tempo; os amigos de verdade, que estão a todo momento com você? Não vejo mais um sentido, um propósito nas pessoas. Elas simplesmente não se importam com nada, desde que aquilo não as afetem.  Não há lutas por aquilo que se quer,  no lugar disso há apenas resignação. Paciência não existe mais, tampouco a compreensão. É mais fácil odiar do que compreender o motivo do outro. Julgar do que conhecer. Divertir-se do que assumir um compromisso.  Calar-se do que correr o risco de não ser aceito.
   Não sei se há anos atrás as coisas eram ótimas, talvez seja utopia pensar que no passado as coisas eram melhores, porque com certeza eu iria estranhar e discordar de muitos aspectos. Só não estou satisfeita com esse modelo de sociedade onde tudo é dinheiro. O sentimento fica sempre em segundo plano, não importam as circunstâncias.
   Se isso é breguice, tanto faz.  Para mim não faz diferença, pois então eu sou brega.  Nunca vou achar o amor, a saudade, a preocupação com os outros e a amizade ultrapassados. Nunca vou deixar de acreditar nos seres humanos, por mais difícil que isso possa ser. Porque, por mais que as evidências me mostrem o contrário, prefiro acreditar que ainda há exceções, e é com elas que quero viver.
  
‘Pelo menos em uma coisa, Dumbledore estava certo. Ainda havia uma coisa pela qual valia à pena lutar’
- Harry Potter pode ser muito mais filosófico do que parece.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Why so serious ?


  Vou confessar, meu sonho de consumo era ter um sorrisão bonito. Daqueles com os dentes certinhos e branquinhos, que dá orgulho de sorrir nas fotos. Todo mundo elogia, dizendo como seu sorriso é bonito! Do tipo que não é preciso clareamento tampouco aparelho, Deus te deu aquele sorriso assim, por pura e espontânea vontade.
  Eu queria um daqueles igual a propaganda, tipo Colgate Ultra Fresh Power Whitening Master! Já testei todas as pastas de dente que prometiam um sorrisão bacana, branquiiinho como o cabelo da minha biza um dia foi. Mas cadê que funciona? Que nada, ficava horas escovando os dentes na esperança de conseguir essa façanha. Tudo bem, se eles não ficam branquinhos, pelo menos certinhos têm que ficar! Resolvi botar aparelho.
   Nos primeiros anos foi tudo lindo, estava mega empolgada com aquela parafernalha toda na minha boca. Nem me importava, porque estava disposta a tudo pra ter o sorriso tão cobiçado do comercial. Então os anos foram se passando e eu percebi que o tratamento até tava dando certo, mas não tão certo assim. Eu queria uma coisa natural, pra ninguém saber que um dia eu tinha usado aparelho! Sera que era difícil pedir um dente igual ao das mocinhas da novela?? 
   Já se passaram muitos anos e até hoje meus dentes não mudaram muita coisa. Tudo bem, eu não desisto. Ainda penso em fazer um clareamento e não vou abandonar meus ferrinhos.
  No fim de tudo, acho que fui injustiçada pela ausência do dentes perfeitos. E quem disse que eu deixo de sorrir por causa disso? Acima de tudo eu sou feliz, mesmo com meus dentinhos não tão perfeitos. 
   Mas ainda bem que não sou simpática...
  
foto: http://weheartit.com/entry/1815809