terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Telefonema



  O visor do celular mostrou um número já conhecido. Embora fosse conhecido, ele se assustou; não esperava vê-lo nem tão cedo. Hesitou por uns segundos e pensou em não atender. Mudou de ideia. Não ia suportar, de qualquer jeito.
-Alô? - disse ele cansado.
-Alô, Henry?
- Oi Vicky. - e seu coração se deu conta da voz que estava por trás da linha.
- Tá tudo certo?
-Tá... Você me ligou pra... - ele esperou que ela completasse.
- Pra saber se você estava vivo.
- Hãn?
-É, sabe, tem um tempo que não nos falamos...
- É, eu sei. Na verdade tem um tempo que não nos vemos. – ele se deu conta de que aquilo era verdade; desde o acontecido nunca tinha sido como antes.
- Você está bem? Quero dizer, você, sua família... os estudos...? – ela pareceu um pouco enrolada.
- Ah sim, está tudo dentro dos padrões. E você? Suas aulas de canto?
- Está tudo certo também. Quanto as aulas, eu parei um pouco.
-Parou? – ele perguntou sem entender. – Mas era o que você mais gostava, sempre me disse isso. Não faltava a nenhuma...
- É, mas as coisas andam difíceis... Eu ando muito enrolada e exausta. Desanimada, não sei.
- Uau... Eu estou realmente surpreso. Mas seja o que for, não deixe que isso atrapalhe seu sonho. Você queria tanto!
 E ele esperou. Ouviu um suspiro na linha e uma respiração abafada.
- Vicky...?
- Oi, desculpe. É, você está certo. Aconteça o que acontecer eu não posso simplesmente desistir... Obrigada. Bom, acho que já posso desligar.
  Ela o pegou de surpresa, estava tão envolvido em seus pensamentos e na conversa! Não, ele não queria desligar. Não tão cedo. Gostava tanto de ouvir sua voz, de saber o que ela fazia nesse tempo em que estavam tão distantes. Mas não podia, não era pra ser assim. Por mais que quisesse, sabia que não iria levá-lo a nada.
 - Ah ok, então... Eu... bom, boa sorte. A gente se vê... por aí.
 - Obrigada, a gente se vê. Tchau.
  Ele ia desligando, quando lembrou-se de algo.
 - Vicky?
 - Sim?
 Ele hesitou.
 - Foi bom ouvir sua voz. Sabe, saber que estar bem.
 Seu coração se apertou tão rigidamente que ele achou que não iria suportar. Tudo aquilo voltara. Parecia que o espaço em seu peito era pequeno para o coração. Essa sensação lhe era tão familiar, poderia descrevê-la facilmente, embora achasse impossível que qualquer um pudesse ter idéia do que era aquilo.
 - Foi bom ouvir a sua também. Aliás, foi por isso que liguei.
  E ela desligou.



 Esse texto estava há séculos no computador e agora eu lembrei. Meio dramático mas eu gosto de coisas assim. Bom, espero que o ano de vocês comece muito bem !! É isso o que a gente sempre espera..
 Beijos e até!


Um comentário:

  1. oooooiinn
    que texto lindo paulinhaa!
    ai eu adorei
    deve ser pq eu tbm adoro coisas dramaticas...uashuahsuahsuhasuh
    mas vc ta escrevendo super carann *___*
    sempre bom passar aqui!
    bzooos

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