quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

reticências

O Teatro Mágico - …

“E por tanta exposição
A disposição cansou.
Secou da fonte da paciência
E nossa excelência ficou lá fora.


Solução é a solidão de nós.
Deixe eu me livrar das minhas marcas;
Deixe eu me lembrar de criar asas.


Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que nesse verão eu faço sol.


Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu melhor.


A conta da saudade
Quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada;
Já que estamos fincados em dor
.”

***

Desde que ouvi a ‘banda’ (que na verdade é um projeto) O teatro mágico, me encantei. O trecho acima é de uma música, mas não parece poesia?

ps: O nome da música é “ … ”  (reticências).

sábado, 11 de dezembro de 2010

aquela sensação nostálgica de fim de ano

  Eu não sei o que me faz pensar que a cada virada do ano tudo pode mudar. Vida, estudos, trabalhos, sonhos, amores, amizades. Será que é depois da meia noite que as coisas acontecem? Como se o fato de virarmos uma noite fizesse das nossas vidas diferente. Um tipo de esperança que não compreendo, mas aceito pelo simples fato de fazer sentir bem. Tudo o que conquistei durante o ano é lembrado e tudo o que me feriu deixando-me sangrando quero esquecer, junto com o ano que passou.

  Mas quem penso que sou pra julgar 365 dias por alguns acontecimentos? Será que não estou lembrando o que quero esquecer e esquecendo o que eu devia lembrar? E meus sorrisos, minhas conversas, meus abraços, meus objetivos? Transformei-os em tanta insignificância que me sinto covarde.

  Se pudesse resumir esse ano em uma só palavra, seria amadurecimento. Então, como um ano que significou uma mudança tão radical dentro de mim pode ser lembrado com insignificância? Não quero que ele seja lembrado assim, não enquanto tudo o que aconteceu tem, pelo contrário, muita significância para mim.

  Não sei o que esperar de 2011, assim como esperei muito de 2010. Talvez por isso não tenha sido tão satisfatório, eu esperei demais. Aconteceu o inesperado e veja como a vida é irônica. No próximo ano, só quero alcançar meu principal objetivo de ir bem no vestibular e ingressar em uma instituição pública. Apenas isso, que sempre foi o meu sonho.

  Quanto aos outros desejos, são apenas isso: meros desejos. Não quero esperar deles, das pessoas, do ano. De mim, porque eu também sou humana. E fraca, mas sempre buscando levantar.

***

  A gente sempre faz das dificuldades mais difíceis do que elas realmente são.

Foto por Paula Napolião

domingo, 5 de dezembro de 2010

Aceitação ou vazio

  Eu sei. Sei tudo o que você vai me dizer. Você e todos aqueles que prezam por minha sanidade. Se eu não precisasse ser tão dissimuladamente correta, diria a todos para me deixarem em paz, não preciso que me digam o que fazer. Se fosse preciso um conselho, eu pediria a um sábio, não a você que pensa entender algo da vida. Você apenas acha que entende, mas ninguém o faz, não na minha situação.

  Perdi horas tentando me explicar, achar justificativas que fizessem algum sentido e me dessem um rumo concreto pelo qual pudesse seguir. Acontece que não há um por que, você entende? Não quero que me entendam, não quero palavras, não quero abraços de conforto. Estou bem, aqui comigo. Tento me encontrar dentro de mim mesma, em um pedaço que ainda não foi tomado pelo torpor. Sei que ele existe e está aqui, de alguma forma adormecido pela realidade dos fatos.

  Então, por favor, guarde suas frases pré-formadas que mais parecem trechos de um livro barato de auto-ajuda. É difícil ver que não há um padrão? Não há recita, manual, bula, prospecto. A vida só acontece e eu estou tentando lidar com tudo. Ninguém tem culpa, porque essa culpa é totalmente minha. Como explicar que convivo bem com ela? Aceito-a, ela agora faz parte de mim e, sinceramente, não me incomoda mais.

  A adaptação e minha auto-aceitação são os meios de encarar a verdade. Pare de achar que não suporto deitar com esse “eu” todas as noites. “Ele” sou eu também e ninguém pode evitar.

***

  O layout do blog mudou, como vocês podem perceber! Apesar de gostar muuuito do antigo, tive que mudar. Desapegar nem sempre é fácil, mas mudanças não são sempre ruins. E eu precisava mudar um pouco :) Adorei o resultado, ficou bem a cara do blog.

Foto por Paula Napolião.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

caminhos sinuosos

 

  Não tenho medo. Me despi de tudo aquilo que me faz mal para então seguir em frente. O caminho pode ser árduo, obscuro e incerto. Posso fraquejar, mas a vontade de continuar e a certeza e confiança em mim devem ser maiores do que os obstáculos impostos pelo tempo.

  Quero acreditar que tudo é mais fácil.

Pontos de exclamação… é preciso exclamar para que a realidade não canse…” Do livro ‘Amar, verbo intransitivo’ do sábio Mário de Andrade.

Foto por Paula Napolião.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

“(…) essa coisa sôfrega: a esperança.”

  Por mais que eu não queira, por mais que evite e a todo momento eu me corrija tentando não retroceder, ela sempre vem. Em pequenas partes, alternados momentos de uma sensação de crença em um futuro que… não foi. Aquela que me trai todas as vezes que tento não cair e me faz ter a impressão de que nada disso é permamente… Esperança. Ela me dói, me machuca sem precisar muito esforço, basta me recordas certos detalhes e me arrancar um sorriso, mesmo sem querer. Logo depois, quando ela se vai sem avisar, resta o gosto amargo da realidade já tão conhecida. Repreendo-me (já é automático) e rezo para que ela não volte e me arranque de vez essa sensação dissimulada de que tudo é só um pesadelo.

  Mesmo sabendo que, ao te ver, vou falhar e ela vai voltar.

  “ E talvez não fosse tarde demais afinal, pois começou desesperadamente outra vez a ter essa coisa sôfrega: a esperança.”  - Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sobre as dificuldades

  Coisas difíceis assustam. Assustam-nos e somos fracos para sermos indiferentes às mesmas. Fazemos muito caso de problemas até então pequenos e nos sentimos muito vulneráveis. Tudo o que não é esperado nos causa temor e espanto, e nós nos surpreendemos com nossa capacidade de aumentar situações.

  Não quero diminuir, menosprezar, desmerecer e desvalorizar qualquer problema: quero que as pessoas vejam o quanto somos insignificantes em meio a tanta coisa podre que há no mundo. Nossos problemas são, sim, pequenos se comparados a tantas barbáries e dificuldades que acometem centenas de vidas desconhecidas. Mas, claro, somos extremistas demais, desmedidos com nossas preocupações, egoístas a ponto de não conseguirmos enxergar além de nosso umbigo.

  Olhar tudo pelo lado positivo não é algo que nasce espontaneamente, mas no decorrer de nossas experiências negativas. Percebemos o quanto somos desmerecedores de toda a felicidade que nos é dada, porque nunca estamos satisfeitos. Se vencemos um obstáculo, nos permitimos pensar “Então está na hora de ser feliz, longe de problemas”. É justamente o contrário, só seremos merecedores da tal felicidade quando nosso coração não esperar nada do amanhã e se acostumar ao que recebemos para viver. Quando passarmos a não mais reclamar de tudo, mas aceitar e agradecer pelo simples fato de estarmos respirando, poderemos então nos sentir plenos, não querendo dizer que a felicidade vai ser merecida, mas sim que passaremos a ver com um olhar menos crítico e mais otimista as coisas da vida. Nossa evolução começa a partir do momento em que tivermos isso em mente e, ao aborrecermo-nos com o próximo, pensar que tudo aquilo é insignificante e pode ser resolvido através de palavras, diálogo, contato.

  Tenho dito que a vida é uma dádiva, por isso não quero ousar reclamar de nada, mesmo sendo um desafio diário ao qual tenho que passar.

  Paremos um pouco de nos preocupar demais, não pensemos tão seriamente das coisas, encaremos os problemas de frente, sem subestimá-los e tampouco superestimá-los.

  Hoje eu mudei mais um pouco.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um ano

  Um ano é muito tempo. Não em questão de dias, que simplesmente voam (tenho a impressão de que cada vez mais o tempo corre), mas no que diz respeito a mudanças. Olho para trás e comparo o que eu era um ano atrás ao que sou hoje. Não sei se pelo fato de enfrentar certas coisas ou mesmo crescer naturalmente. Tenho certeza que amanhã, quando eu ler isto, vou achar sem nexo e talvez até bobo. Mas a verdade é que um ano é tempo demais, mas passa incrivelmente rápido (juro que todo ano me surpreendo com as propagandas de natal cada vez mais precoces). Olho pra trás e vejo que mudei radicalmente. Tudo. Pensar, vestir, agir, falar, escrever.

  Pensar... Minhas ideias se foram, minhas concepções se tornaram totalmente instáveis ( e eu as achava concretas!). Só os valores permaneceram, e não posso perdê-los. Hoje já não sei se tudo o que eu pensei um dia faz mais sentido.

  Agir... Coragem para agir mais, tentar pensar menos e ir pelos impulsos (o que me faz arriscar mais frequentemente). Há um ano eu jamais faria isso, agora vejo que não é ruim. Manter o equilíbrio é sempre bom, mas quebrá-lo também não é assustador.

  Falar... Muitas coisas pelas quais eu achei um dia me importar, hoje são indiferentes para mim. Os acontecimentos, os meus dias, as minhas conversas me fizeram uma pessoa mais equilibrada. Quero não me irritar por coisas e pessoas pequenas e insignificantes. Hoje o falar é algo muito mais fluente e muito mais medido da mesma forma.

  Escrever... Até as palavras, tão aparentemente imutáveis e estáticas, mudaram. A prova disso é a própria Reforma Ortográfica (saudades das minhas paroxítonas acentuadas!).Meu modo de escrever já não é o mesmo. Minhas frases fluem de um jeito mais sutil e profundo ao mesmo tempo. Tão incoerentes para alguns, que já não me vale à pena fazer questão de mostrá-las para alguém. Sensibilidade de entendê-las não é algo que se desenvolva. Ou se tem, ou não.

  Acho que ultimamente tenho falado muito de mudanças e isso já não me assusta mais. Mudar é complexo, bom, incoerente. Não significa perder a essência, só reciclar-se um pouco, transformar-se em algo novo, que seja capaz de revolucionar. Contestar sem perder a razão, divertir-se sem atitudes desmedidas, sofrer e cair e levantar de novo (para cair novamente).

  No meio de tudo eu tento me encontrar, sem me perder. E mais do que nunca, faz todo o sentido. Porque do lado de fora o mundo continua o mesmo, mas aqui dentro parece que o mundo foi quem me mudou.

  Um ano ainda é muito tempo.

***

  “I’m not the same kid from your memory, now I can fend for myself.”

  Créditos da foto: aqui

terça-feira, 19 de outubro de 2010

1ª pessoa

 

  Hoje quando fui deitar me ocorreu um daqueles pensamentos que me fazem ficar inquieta e perder o sono. Não conseguia dormir pensando naquilo e demorei a fazê-lo de tão insistente era a inspiração, como um pássaro preso que precisava ser liberto.

  Não era um lampejo de ideias, na verdade. Era uma dúvida que me assolava e algo que nunca tinha refletido sobre anteriormente. Pode parecer estranho, mas para mim soa familiar.

  Estava divagando sobre uma série de coisas a meu respeito e me deparei com a questão: por que a maioria de meus textos é em terceira pessoa? Dificilmente faço o uso da primeira pessoa, com exceção deste pequeno texto (ou indagação?) que escrevo. Facilmente diria que se trata de uma questão boba, mas sei que não é. Sei a resposta.

  Meus textos são mascarados pelo uso da impessoalidade, quando na verdade a terceira pessoa (do singular) é nada mais do que exatamente isso: uma simples máscara. Me pareceu ser óbvio que a minha (até então) discrição era tão transparente, pois, como não notar características do próprio autor em seus textos? Palavras se relacionam com quem as escreveu, mesmo que nos mínimos detalhes. Em um conto, certo personagem terá um pouco de minha personalidade ou até mesmo o fato narrado tem um quê de realidade.

  Sei exatamente por que isso acontece, pelo menos comigo. Tenho, e sempre tive, dificuldades de expressar o que sinto abertamente e me dói botar isso agora no papel. Não consigo me entregar completamente a algo ao qual eu não possa ter certeza do futuro e nas vezes em que fiz isso, o final não foi muito satisfatório. Sei que é um erro e aos poucos tento me libertar, mas talvez seja só mais um mecanismo de defesa sobre o qual não tenho controle.

  Acho que até que eu mude (o que é difícil, dadas as circunstâncias), vou continuar escrevendo em terceira pessoa quando se tratar dos sentimentos e momentos aos quais estou exposta.

  Por fim, meus textos sempre se relacionarão comigo. Haverá partes de mim neles, como um DNA, pois trato-os como crias minhas. Cada um tem um momento ao qual retratar, um sentimento que aflora por meio de seus parágrafos e até lágrimas representadas pelos verbos. São todos lindos e intensos, como tudo o que narram. Há os que são meus ‘xodós’, mas todos têm seu valor.

  P.s: E também, por enquanto, não quero escrever na primeira pessoa do plural porque ela simplesmente morreu para mim.

...mas ora, são meros contos... verdadeiros ou não.

Créditos da foto: aqui

domingo, 17 de outubro de 2010

tudo o que me faz bem

  E com as pequenas coisas – sim, é com elas que quero viver – nascem a liberdade. De sentir, ser, ousar, desdenhar; por que não? O que preciso não é muito mais que isso. Quero me importar apenas com o que me é necessário. Não o “necessário supérfluo”, que aos olhos nos é essencial. Quero o que preciso para viver: tudo o que está ao meu redor e que me faz bem, mesmo minimamente. Porque os mínimos, juntos, tornam-se grandes e passam a ter seu valor. Viver é um milagre, uma dádiva que não quero que se esvaia sem que eu olhe para trás e sinta orgulho do que vejo. Tenho propósitos e sonhos e esses me são únicos e me guiam. Não posso perdê-los e, se algum dia titubear, significa que nada mais vale à pena.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

máscara

Frio, calculista, descrente
Então você criou um monstro
(Uma máscara)
Não se importa com ninguém, perdeu o altruísmo
Seu egoísmo é algo natural que carrega consigo
Não quer saber de se relacionar e o faz por obrigação
Tudo o que construiu se esvaiu
Escorreu como areia entre os dedos
Não há mais tempo pra voltar atrás
Ele se satisfaz com tal solidão
Gosta da dor que isso causa pois é como um vício
O egoísmo é como um vício que ele não consegue sentir
Sente-se bem por seu desapego
Talvez ele não tenha culpa de ter nascido
Não tenha tido escolha...
Simplesmente cresceu dentro de um coração
O que o fez indiferente e sem amor
Mas ele não teve escolha
(Ou quer acreditar que não)
Foi alimentado pelas verdades e choques da realidade
Onde tudo não é mais belo como foi
Tem a consciência de que é covarde, mas não se importa
Nenhum dos sentimentos vividos anteriormente parece fazer sentido
E agora ele se alastra como uma doença infecciosa
Toma pensamentos, causa torpor
Quer ficar só e quer tudo para si
Não há mais espaço para ser sensível

               E eu me deixo levar...

Créditos da foto: aqui

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Percepções

  Engraçado é ver como as pessoas mudam, mesmo que eu ache que fiquei para trás. Sei que não fiquei, apenas mudei de uma forma diferente e espero que seja a correta. Mas há uma forma correta para mudar? Será que o errado é definir o certo e o “não certo” de acordo com o jeito de cada um? Não sei mais o que pensar a respeito de tudo... Ou talvez eu saiba e só não queira externar. Quero ver até que ponto pode ir o ser humano na sua busca e tenho medo das respostas (tal busca é, necessariamente, por uma aprovação da opinião de um grupo). De qualquer jeito, isso me preocupa. Temo pelos amigos que um dia eu conheci e que hoje talvez não sejam os que recordo-me.

  Nostalgia é ver que nada mais é como antes e desejar voltar no tempo. Diferente do lamento de um passado perdido, que hoje tornou-se um futuro incerto e cheio de curvas obscuras.

  Não tenho muito a perder por tais mudanças. Ou talvez eu tenha, só não estou certa de que sejam realmente perdas. Só as considero perdas quando me farão algum tipo de falta ou alteração no meu presente/futuro. Quando esse não for o caso, é apenas um ciclo natural que a vida segue e que, sentindo ou não, tenho que aceitar.

  Desejo que tudo dê certo. Para os que ficaram para trás (e dessa vez do meu ponto de vista) e para aqueles que seguiram progredindo. Não me vale um retrocesso mascarado de progresso. Falsas verdades não me interessam.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fora do script

 

  Teatro lotado, público ansioso, estreia de uma linda peça. História de amores perdidos, esquecidos, deixados para trás...

  “Eu sabia que ia ser assim. Por isso a resistência no início. Sabia que ia ser difícil, não quis insistir. Palavras encantam, mas não são suficientes. O tempo diz o que as pessoas são e o que realmente querem. A força de vontade pode vencer tudo, mas pode ser vencida pelas dificuldades. Sempre soube disso, ainda assim apostei. Não quis ser dura, fria, sem coração. Sem coração... Impossível quando tudo faz acreditar que aquilo é verdade. As coisas simples são lindas quando são apenas simples. Esqueci-me que nada é tão simples. Em um lindo romance dos livros tudo fica resolvido no final, apesar de todo o enredo difícil. Não acredito mais nos romances dos livros e agora digo a mim mesma: não quero mais. Não quero mais esse bolo na garganta, insegurança, vulnerabilidade. Eu sabia que seria desse jeito, talvez ainda acreditasse que poderia haver uma diferença entre minha concepção e a realidade.

Chegou ao fim. Ao ponto final (não quero reticências).”

  A peça foi um fracasso e a atriz principal agora chora. Não está no script, seu choro é real.

  As cortinas se fecham. Não quero aplaudir, a peça foi ruim. Atores até convincentes, mas enredo fraco. Quero sair correndo pela porta do teatro e não voltar atrás.

  Preciso continuar vivendo.

  Créditos da foto: aqui

sábado, 2 de outubro de 2010

café sem açúcar

Acordo
Preciso ver o sol das quentes manhãs
Pensar no inimaginável para que eu possa ir além
do que sou capaz de sentir
Repreender-me por permitir e ousar ficar triste em meio a tudo
Lembrar você me faz sorrir e chorar por dentro
Pensar e não pensar quase instantaneamente
Saio de casa
Não há lugar mais acolhedor do que em meio a tantos rostos estranhos
Posso ser o que quiser
É quase libertador e quase me pego rindo ao lembrar...
Papel e caneta na mão, num bar, começo a escrever:
Um dia fomos alguém
Ou não fomos nada para ninguém
Mas fomos muito, muito para nós mesmos
Mais do que devíamos ser
Agora me permita...
Permita-me dizer que estou bem, obrigada
Fragmentada, talvez, e não íntegra
Mas inteira, se for possível
Escrever não me é mais válido
Você não vai ler, vai esquecer
No momento em que terminar a carta
Pensará em como tudo foi lindo
E só
Só, porque se usou o pretérito
Não imagine o amanhã que eu quero viver
Despeça-se de mim e diga ‘até logo’
‘Foi bom te ver,
Nos vemos por aí’
Preciso ir
Deixe o mundo mover-se sozinho
Me diga adeus
Não volte para enxugar minhas lágrimas e segurar minha mão
E que não seja pra sempre o adeus, mas o amor.
Dobrei o papel, chamei o garçom e pedi:
Entregue para o meu amor se o vir por aí
Cuidado, é frágil - eu o alertei.
Agora, por favor, uma xícara de café?

*******

  Ps: Esse mês o blog faz 1 ano :) Me sinto tão feliz, adoro escrever aqui e compartilhar meus textos. É engraçado olhar pra trás e ver que tudo começou como uma coisa pequena e sem valor. Vejo como amadureci, cresci, mudei. Parece que faz muito mais de um ano que estou aqui dada a importância desses textos, que são como filhos pra mim. Hoje o blog pra mim é essencial e estimulante. Que venha mais um ano e muitos outros !

sábado, 18 de setembro de 2010

Carta

Pai,

  Te escrevo porque, para mim, as palavras são como uma forma de exprimir o que penso e sinto de um jeito muito íntimo. Então, desta forma, primeiro quero te parabenizar não apenas por mais um ano de vida, mas por tudo o que você é. Você tem seus defeitos, como todos temos, mas eles te fazem singular. Nem sempre conseguimos conviver em perfeita harmonia por conta deles, mas quem consegue? Aprendi a tentar ver o lado bom de tudo e todos, e é assim que procuro te ver.

  Suas qualidades também te fazem singular e ouso dizer que você não é um pai comum. É um roqueiro das antigas, que me fez ter gosto pela música tanto quanto você. Me fez aprender a nunca ficar parada, a sempre agir quando for a hora certa. Não aceitar as coisas e ser sempre íntegra e responsável nas minhas atitudes. Me ensinou a dar minha palavra e fazer com que ela valha alguma coisa. Me fez companhia todas as vezes que precisei de alguém, mesmo sendo um programa que você não curtisse tanto. Isso se chama companheirismo e você é um grande exemplo disso. Não conheço pessoa mais carinhosa que você. Apesar de durão, você é uma criança comigo.

  Só você e minha mãe souberam me passar os valores que precisei para me tornar o que sou hoje. Agradeço à Deus todos os dias pela educação que vocês me deram e me sinto grata ao ver que pais como vocês são poucos. Você me ajudou a ver um caminho bom ao lado de Deus e acreditar sempre que, tendo fé, conseguimos tudo o que um dia almejamos.

  Por isso eu te peço, pai, que não deixe nunca de acreditar. Seja forte e saiba que sua família vai sempre estar ao seu lado. Quando tudo parecer difícil, lembre-se que as coisas se tornam pequenas diante de Deus e que há problemas muito piores que o que quer que você esteja passando. Não esqueça que você jamais estará sozinho. Enfrentarei o que for ao seu lado, porque juntos somos fortes.

  Desculpe minhas falhas, meus defeitos. Sei que muitas vezes te desaponto em certas coisas. Estou só procurando o meu caminho e enquanto não o encontrar, vou errar muito. Só espero que você esteja comigo para me dar colo e me ajudar a levantar. Se muitas vezes não demonstro o quanto te amo, não quer dizer que eu não o sinta, mas é uma característica minha. Adoro sair com você e compartilhar nossos mesmos gostos. Se fosse possível, queria que esses momentos durassem para sempre.

  Te desejo tudo o que há de melhor. Você deve se orgulhar de estar ficando mais velho, pois como diz Lya Luft, a velhice significa maturidade. Suas rugas indicam o quanto você já viveu e aprendeu com tudo. Não devemos nos envergonhar de tê-las, mas sim de tentar escondê-las.

  Eu te amo e espero que você nunca esqueça isso. Certas coisas, mesmo que já tenhamos conhecimento, é bom repeti-las para que em nenhum momento haja dúvidas a respeito das mesmas. É assim com o amor.

  Você é um grande homem e espero um dia me orgulhar de dizer que puxei metade de tudo o que admiro em você.

  Com amor,

          Sua filha Paula.

Foto por Paula Napolião. (Mais em : flickr.com/paulanapoliao)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sobre as coisas ocultas pelo futuro

 

  Você me machuca tanto, mesmo sem saber. Te olho e não consigo acreditar que tenhamos chegado a esse ponto. Logo nós, tão seguros de nós mesmos.

  Queria gritar, protestar, te atingir e encontrar nesses atos uma forma de alívio ou evasão. Como se isso bastasse para chegarmos a um consenso...

  É incrível que mesmo com tanta ausência, você ainda tenha esse efeito em mim. Nunca chegamos a uma conclusão e quando chegamos a ela, foi temporária e não foi suficiente. Não sei dizer se foi um erro meu ter voltado atrás, mas no momento me pareceu não a coisa sensata a ser feita, mas a que eu precisava. Também não sei se, tendo a chance de voltar no tempo, mudaria tudo, porque o que guardo hoje - meras lembranças doces - se apagariam.

  O que sei é que tenho vivido. Em meio a tantas coisas, procuro te anular de todas as formas. É um meio de esquecer e não pensar. Se é o certo, também não faço ideia e acho que não pretendo achar a resposta; é o só o único jeito de seguir adiante.

  Fomos complexos em tanta simplicidade: nos enrolamos em um emaranhado de sentimentos que no momento eram cabíveis por serem verdade. E parece que tudo não é mais o mesmo, é difícil mudar. Dói. Cada dia mais nos esforçamos e tentamos curar algo que vai muito mais além do nosso conceito do que é curável. Ou não é para ser curável e a ferida precise permanecer aberta para só fechar com a sabedoria do tempo. É demais para mim e estou cansada de pensar e tentar adivinhar.

  Sei o que você também não sabe e não acho que vá saber agora.Talvez tais respostas estejam escondidas em um futuro que insiste em se manter oculto por marcas do presente, distante demais para ser enxergado. Não importa. Você continua me machucando igual e involuntariamente.

  Será que precisa ser mesmo difícil para valer alguma coisa?

  Foto por mim.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mudanças

  Sempre tive opinião pra tudo. Ou quase tudo. O engraçado é que temos mesmo essa tendência; temos sempre um ponto de vista pré-formado sobre certas coisas. Pelo menos comigo funciona assim… Ou funcionava.

  Sabe aquelas frases ‘Nunca vou fazer isso’, ‘Acho pessoas que agem de tal jeito ridículas’? Quem disser que nunca fez uso de uma dessas é hipócrita. É natural julgar as pessoas por impressões que elas te passam. Somos diferentes, pensamos de jeitos diferentes e temos idéias distintas do que é certo e errado.

  E então o ponto de vista muda quando é você quem passa pela tal situação. Acho que tudo é uma ironia do destino, ou seja lá o que isso for. Uma forma da vida te mostrar que nada é concreto e inalterável. Tudo muda o tempo inteiro e quando paramos para olhar dentro de nós mesmos, descobrimos o quanto temos a capacidade de mudar. Nossas idéias, nossos pensamentos, nossos ideais, nosso senso crítico. Somos a própria mudança.

  É tudo muito pessoal, não há um padrão nas decisões que se deve tomar e hoje me dou conta disso. Cada um age de um jeito, errado ou correto, depende do modo como vemos as coisas. Não nos cabe julgar ninguém, tratam-se de histórias e pessoas diferentes. Generalizar é só mais uma burrice humana que cometemos todos os dias sem sentir.

  Quero aprender cada dia mais a não olhar para o lado com um pré-conceito formado. Não gosto quando o fazem comigo. Quero mudar de opinião, me reciclar, me transformar. Não é isso o que fazemos sempre (ou ao menos devíamos fazer)? Não é feio mudar minha opinião, pensar diferente, agir inusitadamente.

  Essa sou eu, crescendo e aprendendo.

sábado, 7 de agosto de 2010

E elas querem ser gente…

 

  Não sei por que ainda me assusto com certas coisas que ando vendo ultimamente. Na verdade, era para eu estar mais que acostumada, geralmente quando algo está muito presente em nossas vidas, tendemos a nos acostumar mais facilmente, ainda que tal coisa não seja muito certa. É, somos muito tendenciosos.

  Bom, o fato é que tudo muda. Sua casa, suas roupas, seu cabelo, sua vida, suas atitudes, seus amigos. Principalmente as pessoas, o que é bem natural considerando que estamos em constante evolução. Infelizmente nem todos evoluem… Mas, mantendo o foco... Não uso a palavra evoluir em seu sentido intelectual, mas sim no sentindo de mudar. As gerações, por exemplo, mudam sempre e isso também é totalmente cabível. Já parou para pensar nos adultos de antigamente? Todos cheios de etiquetas e modos corretos de agir. E nos velhinhos (não gosto de usar a palavra ‘idoso’. Acho velhinho tão fofo! Qual o problema com a velhice?) ? Eles eram recatados, usavam roupas que condiziam com sua idade. Ok, nem todos, minha avó nunca fez esse tipinho. Só quem conhece Dona Ana (ou Donana para os íntimos) pode dizer. Mas enfim…

  Se tem uma fase que anda me assustando é a infância. As crianças de antigamente eram fofas até dizer chega! Brincavam na rua, se sujavam, tinham o maior respeito por pai e mãe, mentiam por coisinhas banais e beijar na boca... Só lá pelos 15, que era a idade mágica! E ainda assim tinha que ter toda uma preparação, um ritual, um olho-no-olho, cartinhas com juras de amor... Hoje em dia tudo o que falei simplesmente não existe mais. Os pequenos ao invés de sair e brincar na rua com os amigos, escondem-se atrás da tela de um computador e passam a ter uma vida totalmente privada, sem que os pais tenham a mínima consciência do que eles fazem. Mentem, enganam, desrespeitam o pai e a mãe como se fossem qualquer outro indíviduo. Beijar na boca eles já aprenderam há muito tempo! E querem partir logo para o ‘finalmente’. Vestem-se muitas vezes como adultos e agem como tais!

  Confesso que fico escandalizada com isso. Se o pequeno não tiver uma família presente e pais que lhe indiquem o melhor caminho, a educação do filho simplesmente está perdida. Quando vejo certas meninas tendo conversas absurdas para tal faixa etária, a primeira coisa que penso é nos meus filhos. Naqueles que pretendo ter daqui há uns (muitos) anos. Será que estão predestinados a conviver numa sociedade tão precoce assim? Eles terão contato com gente de verdade ou só com um teclado frio de computador? Suas roupas serão modernas e ousadas para me desafiar? No que me diz respeito, espero que não e farei o máximo para isso não acontecer.

  Fases da vida são etapas pelas quais temos que passar. Todas em seu tempo, do seu jeitinho, com suas devidas descobertas. Por que apressar tanto as coisas? Por que tem-se tanta pressa em passar pela vida? Essas crianças podem crescer por fora (ou achar que estão crescendo), mas o pensamento delas, apesar da perda da inocência, não consegue comportar tanta novidade. Por isso se perdem tão facilmente com tantos caminhos.

  Não preciso nem falar dos adolescentes, que parecem não ter nada na cabeça e achar que nada tem consequência... Me parece que antigamente se tinha um propósito de vida, que hoje em dia está perdido. Talvez o achem por aí, mas temo que seja tarde demais quando isso acontecer.

‘Parece estranho
Sinto o mundo girando ao contrário
Foi o amor que fugiu da sua casa
E tudo se perdeu no tempo’

   Rosa de Saron – Mais quem um mero poema

Créditos da imagem: aqui

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

If you really like me

 

  Se você me dissesse que gosta de mim, eu duvidaria. Claro, vou sempre duvidar de tudo aquilo que eu não puder alcançar e tocar com minhas mãos. O seu sentimento é algo assim, que só você conhece. Por isso eu tenho medo, não tenho controle sobre as coisas. Mas espere, isso não quer dizer que eu não o retribua. Talvez por isso eu seja tão receosa! Não sei se acontece da mesma forma para você como é para mim. É engraçado como buscamos equilíbrio em tudo e raramente o encontramos. É o segredo da vida, aposto.

  Se você realmente gostar de mim, quem sabe um dia eu consiga compreender. Não, não compreender totalmente, mas aceitar. Sentimentos não são tão compreensíveis, não quando dizem respeito à seres humanos em constantes mudanças. Então, ainda assim, posso me esforçar para tentar acreditar. Na verdade não creio que seja tão difícil, é mais por culpa de minha insistência em não confiar cegamente nas pessoas. Acredite, a culpa não é sua mesmo...

  De que adianta minha resistência? Agora já é tarde. Seus olhos conseguem me dizer sutilmente o que suas palavras me fazem duvidar. Já notei, inclusive, o seu sorriso de satisfação ao me ter por perto. Só não conte a ninguém, pelo nosso bem. Deixe que vejam pelos seus gestos o seu amor por mim, talvez alguém entenda do que se trata e parem de criticar-nos. Será? Acho que não e tampouco me importo com isso: o que sentimos é muito mais forte do que qualquer crítica. Não precisamos disso e não precisamos deles.

  Vamos ser felizes? Se você aceitar, prometo que te direi com os olhos tudo aquilo que não consegui exprimir em palavras.

  Créditos da imagem: aqui

sábado, 31 de julho de 2010

E hoje o tempo voa,

…escorre pelas mãos.

  Parece que foi ontem. O tempo passou depressa, tão depressa... Como um rio, que leva com sua correnteza tudo aquilo que fica para trás. Levou tudo aquilo que eu pensei ser um dia e trouxe coisas novas. Também levou embora coisas que não queria de maneira alguma que fossem levadas. Mas é assim que tem de ser, o rio precisa seguir seu curso. Para certas decisões simplesmente não houve escolhas e precisei me adaptar e aceitá-las, mesmo achando que seria difícil. Conquistei pessoas, objetivos, sonhos, mesmo que em pequenos espaços de tempo. Mudei, desisti, persisti, caí, não consegui levantar, mas não deixei de continuar tentando. Não preciso ser hipócrita: há coisas que faria diferente, mas sei que foram necessárias. No fundo aquela frase ‘Nunca se arrependa das coisas que se fez’ é puro clichê. Sei que não há como, em um determinado momento você apenas olha para trás. O que tento evitar é pensar no que poderia ter sido, isso sim em nada me ajuda.

  Sinto falta de coisas, pessoas, momentos e tudo o mais que tive que deixar. Nostalgia é pouco! Só ficaram pequenas lembranças que um dia também ficarão esquecidas. Sei que é só parte de mais um ciclo, já que daqui a uns anos vou olhar para trás novamente e lembrar isso tudo com doçura. Esquecerei certos detalhes, assim como outros levarei comigo. E isso seria apenas um balanço de uns dois anos para cá. Alguns momentos eu gostaria de resgatar, outros fico feliz de ter deixado no passado.

  Impossível não lembrar da frase ‘Era feliz e não sabia!’. De maneira alguma quero dizer que sou infeliz, muito pelo contrário. A diferença é que hoje em dia as cobranças são muito maiores e a pressão é grande. Está tudo voltado para mim, o medo de decepcionar alguém é sufocante. Não é uma reclamação: eu escolhi ir por esse caminho. Só bate aquela saudade de quando não se tinha muitas preocupações e tudo era mais fácil. Também sei que daqui a alguns anos vou dizer a mesma frase ‘Era feliz e não sabia!’, porque a tendência agora é só piorar. Em pensar que antigamente existia a Hora da Soneca na escola! Que ironia é a vida...

  Sim, eu sou feliz. Hoje posso dizer que aprendi a valorizar muitas situações que eram aparentemente pequenas e insignificantes demais para que eu prestasse atenção. Isso para mim é o melhor aprendizado.

  E eu não vou desistir: ainda quero muito mais. Tenho metas nesse semestre. Vou entrar para academia (mesmo que não seja a de dança, da qual só Deus sabe como sinto falta), farei meu tão sonhado curso de fotografia, concluirei meu curso falando inglês fluentemente (melhor que o Zeca Camargo), superarei meu trauma com as exatas e voltarei a ter contato com meus amigos antigos. E na questão do coração... Bom, essa aí acho que só pro fim do ano mesmo rs. (Não é para entender.)

  Se eu conseguir pelo menos duas coisas dessa lista, ficarei imensamente feliz. Acredite; essa não é mais uma daquelas listinhas de ano novo que a gente esquece. É um comprometimento que fiz comigo. E que Deus me ajude (o que Ele sempre faz).

  (Para você que não entendeu: 1º de agosto = meu aniversário. Esse post talvez tenha sido o mais pessoal que já escrevi até então. Precisava disso.)

É, parabéns para mim. 17 anos voaram. E sei que não é nada, eu sou uma pirralha ainda! Só não me menosprezem, sou daquelas que acreditam que idade e tamanho não querem dizer nada…

Créditos da imagem: aqui 

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fazer valer à pena

 

Nota: Peço desculpas pela minha ausência, estive de férias e não tive como postar.                                    

***

 

  Eu era o tipo de pessoa que sempre pensava demais antes de fazer as coisas. Para tomar uma atitude, era preciso antes analisar sob todos os ângulos as conseqüências que tal ato poderia me trazer futuramente. Eu era uma chata. Tudo bem, ainda sou. Mas posso dizer que melhorei consideravelmente nesse aspecto. E sabe por quê?

  Porque eu não quero mais me importar com nada além do que eu viver hoje. Não quero ter que olhar pro lado e ver se está tudo bem com todos, se está tudo no lugar certo. Pra que existem tantas regras de etiqueta, de comportamento, de atitude se, no fundo, nenhum de nós quer realmente segui-las? Por que não posso simplesmente satisfazer meus impulsos, se isso me faz tão bem? Sinto-me livre ao fazê-los, sinto-me viva. Não posso mais apenas sentar e esperar a vida passar. Apenas viver, não é isso o que eu quero. Quero arriscar, mudar, falar, sentir, abraçar, beijar e tudo quando eu sentir vontade. Não é preciso que ninguém me diga o que fazer, pois quando o faço, tenho plena noção das conseqüências e ainda assim quero seguir em frente. Porque é isso que me faz bem, me mantém viva e me faz respirar. É essa vontade louca de viver e de sentir até onde eu quiser ou não quiser mais.

  No fim, acho que é disso que todos precisamos: liberdade para fazer nossas próprias escolhas e agir da forma que quisermos. Vivemos num mundo tão cheio de padrões e estereótipos que em um determinado momento sentimos essa necessidade de fuga. Pra mim, essa é a beleza da vida. É o que faz a diferença e até o que nos faz feliz.

  Não me arrependo de nada que eu tenha feito. Podem achar que foi errada certa atitude, mas se me fez bem e se fui feliz, então valeu à pena. Não posso mais me importar com tanta insignificância quando, na verdade, o que importa é o que me deixa realizada. E é assim que quero viver.

***

  Faz um tempo que recebi um meme da Lívia (o blog dela é uma gracinha, textos muito lindos!), mas só consegui postar agora. Eu indico esse meme à Larah e Monique (se quiserem, é claro). Não costumo fazer isso, mas confesso que eu achei esse bem legal. Segue abaixo:

1 – Qual seu nome?
Paula Napolião

2 – Onde você mora?
Rio de Janeiro.

3 – Quantos anos você tem e quando é seu aniversário?
16, 1º de Agosto.

4 – Qual sua altura e qual número você calça?
1,57, acho. 35.

5 – Estado civil ou situação, tem filhos?
Namorando, não.

6 – Qual sua comida favorita?

Sabe que eu não sei?! Mas eu amo quindim.

7 – Qual a sua bebida favorita?
Suco de laranja, sempre.

8 – Como você se auto define?
Teimosa, simpática só quando quero, personalidade forte, indecisa.

9 – Qual o seu sonho?
Passar pra Uerj/UFF/UFRJ . Ser feliz!

10 – Qual o seu pior defeito?
Indecisão.

11 – Trabalha atualmente em quê?
Nada.

12 – Faz faculdade ou algum curso?
Curso de inglês e quero começar um de Fotografia.

13 – Tem algum bichinho de estimação, qual o nome?
Não :(

14 – Qual sua banda, dupla ou cantor[a] favorito?
São muitos! Mas tenho escutado muito John Mayer, Paramore, James Morrison, Rosa de Saron.

15 – Teu filme, e ator/atriz favorito?
Filme: Diário de uma paixão e Querido John. Ator/atriz: Will Smith.

16 – Tem saudade de algo, ou alguém?
Demais... saudade faz parte da minha vida já rs.

17 – Fato que mais marcou sua vida?
Muitas ocasiões me marcaram, mas talvez os sofrimentos marquem mais porque me fizeram crescer.

18 – Tem apelidos, quem te chama?
Paulinha, Pequena (bem sugestivo), Chuchu, e muitos outros que não fazem o mínimo sentido.

19 – Com o que você não pode sair de casa sem?
Blush e meu celular.

20 – Qual tua marca de maquiagem favorita?
Duda Molinos .

21 – Onde costuma comprar roupas?
Qualquer lugar que me agrade.

22 – Você pretende casar?
Sim. Ainda acredito nas pessoas (:

23 – Você está apaixonada/o?
Sim.

24 – Qual produto que você não troca de jeito nenhum?
Meus livros (?)

25 – Diga 1 dica, truque ou produto que descobriu na internet:
Descobri muitas bandas legais no last.fm, o site é muito legal pra quem curte música.

26 – Diga 2 produtos [área da beleza] que você quer, mas ainda não comprou:
A coleção da Victoria Secrets hahaha.

27 – Porque decidiu criar um blog?
Para escrever, tentar me entender, esvaziar mente e coração e desabafar. É o primeiro blog, dentre muitos que já tive, que dura tanto tempo.

28 – Coloque uma foto sua que você mais goste:
A do perfil eu gosto bastante.

É isso. Acho que não vou demorar muito a postar de novo, ando inspirada (raridade!). Até!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Lua Cheia

 

  Não era sempre que conseguia vê-la. Apesar disso, sabia que ela estava lá; iluminando tudo e todos, fazendo-a lembrar de todos os pensamentos que tentava evitar no decorrer do dia. Às vezes encontrava nuvens que tentavam escondê-la, mas sabia que seus esforços eram em vão. As nuvens eram como um mistério, que a faziam querer saber o que havia por trás delas. Será que ela hoje estaria minguante? Crescente? Ou será que estaria linda como só na fase cheia conseguia ser?

  A Lua lembrava-a de coisas que sentia falta. Era o símbolo da nostalgia. Todas as noites quando olhava para o céu, conseguia lembrar todas as coisas amenas e doces que já vivera. Por exemplo, ele

  Aquele astro deixava-a curiosa para saber onde estaria ele e o que poderia estar fazendo. No que estaria pensando, o que estaria sentindo, se pensava nela também. Quando não conseguia vê-la, era como se não estivessem conectados. Porque, no fundo, ela funcionava como uma conexão entre eles, quando sabiam não poder estar juntos.

  Como os dois, ela possuía fases. A cada período mudava e ela conseguia interpretá-la de maneiras diferentes. Havia a fase em que ambos estavam inteiros, doados, completos, imersos em um só sentimento. Talvez fosse a fase mais intensa que ela poderia apresentar, por isso era a que mais gostava.

  Aquilo se transformara em um ritual, um jeito simples que encontraram de pensar um no outro mutuamente. E funcionava, mesmo quando não podiam se ver ou se falar, porque a lua sempre estaria ali para lembrá-los daquele sentimento. Mesmo depois de um dia difícil, da chata rotina, do cansaço normal. Ela estava lá, como um abrigo acalentador que pudesse confortar seus corações.

  E quando fitavam a lua, em sua melhor fase, eles estavam completamente juntos através do pensamento e coração. Podiam sentir isso, sem que precisassem falar uma palavra.

***

Créditos da imagem: aqui

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Incógnitas

 

  Não sou simpática. Sempre disse isso e não canso de repetir. Podem falar que é defeito , que eu deveria ser mais entusiasmada ao falar com as pessoas, puxar mais assunto, mas esse é meu jeito. Muitos gostam, outros muitos não.

  Uma coisa é certa: nunca direi que amo alguém se eu não o fizer. Nunca direi que esse alguém está bem vestido, está bonito, com cara de saudável, e outros agrados se ele não estiver. Prefiro não falar nada (lembram que o silêncio às vezes vale ouro? Pois bem, sigo fielmente esse pensamento). Costumo dizer que aqueles que gostam de mim, o fazem pelo o que realmente sou e não por forçar nada; detesto gente forçada.

  Claro que meu intuito aqui não é me descrever (não quero espantar ninguém!), mas por não ser assim, não quero pessoas assim ao meu lado. Não quero relações forçadas, que sejam só sorrisos. Diferenças existem e precisam ser resolvidas e equilibradas.

  O que mais me incomoda são pessoas incógnitas; você não sabe quem realmente são, porque apesar de se mostrarem de um jeito, algumas atitudes te deixam sem saber o que fazer. Talvez seja um (outro) defeito, mas tenho um escudo natural que se posta à minha frente toda vez que passo a me relacionar com alguém. Um escudo que me faz ser cautelosa com todas as minhas decisões, levar um bom tempo para confiar nas pessoas e acreditar no que elas me dizem. E –pasmem!- consigo me decepcionar da mesma forma.

  Pessoas boas demais me deixam desconfiada. Tudo bem, pode ser um reflexo desses tempos malucos em que não se pode confiar em ninguém, mas o fato é que eu cresci assim (ouso dizer que nasci assim). Meus amigos são amigos mesmo e são essenciais para mim. Não há meio-amigo.

  Pessoas meio-termo não me interessam, não sou fã da imparcialidade, acho que todos temos que ter um posicionamento sobre determinados assuntos. No fundo, temos opinião para tudo, só não temos a coragem de expô-la. Isso também não nos dá o direito de julgar as pessoas com pouco convívio. Há uma grande diferença entre dar a opinião sobre um assunto que se conhece e dar a opinião só para ser crítica. Muitas vezes cometemos esse erro.

  O que quero dizer é que eu gostaria de conhecer as pessoas mais a fundo. Na verdade, gostaria que elas se deixassem mostrar mais claramente, sem medo de serem julgadas. Porque isso acontece a todo o momento, até quando fazemos boas ações. Nos julgam por agirmos contra tudo e todos, mas nos criticam quando fazemos como a maioria. Se espantam quando tomamos atitudes radicais mas nos jogam pedras quando não fazemos nada. Perceberam como a sociedade é contraditória?

  Sim, isso foi um desabafo. Por favor, tenham opinião. Não sejamos neutros o tempo inteiro; não há quem goste de pessoas que vivam em cima do muro. Sejamos intensos e claros.

É, hoje eu acordei meio Lya Luft.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Partida

 

E sempre que o via

Sorrindo, ah, aquele sorriso que tanto dizia

Não era felicidade

Era a simplicidade do momento, apenas

Ao vê-lo entendia o que era o amor

Sentia toda a razão ir embora, sem que percebesse

E eu mal sentia passar a hora

Porque só o estar ali era mágico

Demasiado e infindo para mim

O coração então se apertava

Era a hora de partir

Eu ia, não inteira, mas em partes

Porque a outra metade ele tinha nas mãos

Deixara com ele meu coração.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Felicidade Instantânea

 

  Vivo em busca da felicidade. Mas quem não a procura? Há milhões de pessoas que seguem seus rumos e trilham seus caminhos sonhando encontrá-la. Não penso que seja difícil, mas temos a irritante teimosia de achar que se trata de algo quase impossível. Engano nosso, meros seres humanos.

  Deixamos coisas aparentemente banais passarem por nós sem ao menos prestarmos o mínimo de atenção aos detalhes. Sim, pois eles fazem total diferença. Buscamos sempre algo grandioso e na maioria das vezes perdemos nossa essência durante essa busca. Somos humanos, acostumados com o desapego (não todos, claro), ligados a bens materiais, pessoas, relações que de alguma forma nos beneficiem. Sempre com o intuito de ganhar algo em troca. Agimos pensando no lucro, no que aquele ato pode nos trazer de bom.

  Onde foi parar a real felicidade? Aliás, que palavra linda! Inspira liberdade, um ideal, algo abstrato e ao mesmo tempo concreto dentro de nós. Será que esse ideal depende sempre de alguém ou exclusivamente de nós? Penso que seja impossível ser feliz sozinho, mas que a tal felicidade não deve depender de quem está ao seu lado. É algo infinitamente pessoal. Temos que pagar um preço para ter direito a esse sentimento? Me peguei pensando a respeito… Sofremos tanto que nos achamos merecedores da mesma. Se cheguei a uma conclusão, foi a de que isso não está relacionado com nossa cota de sofrimento.

   De alguma forma percebi que temos muitos momentos felizes, inclusive em meio a tristezas. Só não temos a capacidade e nem a sensibilidade de percebê-los. Somos inclinados a achar que somos infelizes e que o que nos acontece é injusto.

  Felicidade, pra mim, é instantânea. Em alguns casos pode até ser contínua, mas apenas para pessoas naturalmente felizes e sorridentes (rs). Existem momentos únicos, sentimentos puros, gestos simples, acontecimentos singulares que nos proporcionam essa sensação. Um simples amanhecer pode ser algo esplêndido ou algo extremamente comum.

   Por tudo isso, felicidade, para mim, depende do ponto de vista. E da sua sensibilidade e ousadia de fazer e ver a vida mais colorida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

He still remembers those days

 

  Fazia então dois meses que ela havia partido. Tudo bem, ele pensou, não significa nada que eu não possa superar. Afinal, já passara por cada coisa anteriormente (que não convinha lembrar naquele instante), que acreditava poder superar tudo o que viesse. Era indiferente à sua partida e de certa forma se sentia mais livre, inclusive. Não havia outra maneira, ele sabia que existiam coisas que apenas aconteciam e não precisavam ter um motivo aparente. Engano seu, claro. Os dois meses que se seguiram foram uma fracassada tentativa de tentar viver.

  Na primeira semana ocorreu tudo como o planejado. Ele ocupou sua cabeça, pensando que ao mantê-la trabalhando, evitaria que seus pensamentos se dirigissem àquela pequena menina-mulher. E funcionou. Saía para estudar, empenhava-se nos trabalhos de seu curso, por vezes chegou a sair com os amigos, na procura de uma diversão qualquer. Chegou até a tentar algo com uma moreninha que, certo dia, lhe dera condições. Mas era fraco, e ele tinha consciência disso. Na hora em que ela encurtou aquela distância de um palmo em que estavam para tentar um beijo, quem sabe, ele desculpou-se e pediu licença retirando-se do bar onde se encontravam, deixando a moça ali com cara de poucos amigos. Estava certo de que isso era só uma questão de tempo, iria se acostumar com aquela situação. Ele tinha certeza que não demoraria muito e já estaria de caso novo.

  Foi assim a segunda semana. Essa, porém, foi um pouco mais difícil. Agora ele tinha uma certa dificuldade em concentrar-se em tarefas diárias. Por vezes pegara-se passeando por lembranças de momentos que haviam compartilhado, em plena aula. Depois simplesmente forçava-se a manter o foco. Era difícil, mas conseguia.

  Na terceira semana, começou a desleixar-se. Seu cabelo agora caía no rosto e não via motivo para cortá-lo; era ela quem o fazia cortar todo mês, alegando que o preferia de cabelos curtos. Ele agora já não se importava, não era algo muito relevante. Sua barba também já dava sinais de uma certa necessidade de ser feita, mas ele também não se importava. Era bom mesmo que ficasse com cara de mau, só assim as pessoas paravam de lhe perguntar o que havia acontecido.

  Sim, as pessoas lhe faziam essa pergunta frequentemente. E ele, como bom ator da vida que era, apenas respondia estar tudo bem. Não devia satisfações a ninguém.

  Quando completou-se um mês de sua partida, ele se deu conta de que não conseguiria. Tudo o que pensara sentir pela tal menina era errado. Aquela indiferença do começo de tudo agora lhe parecia ridícula. Estava claro que necessitava dela como se necessita de ar. Ele não queria soar ridículo, mas era a mais pura verdade. Obviamente que ele continuava sobrevivendo, mas apenas isso. Não vivia como deveria, porque por mais que obtivesse o ar, o mesmo lhe parecia rarefeito, como se aquilo não fosse o suficiente para que pudesse respirar aliviado. As coisas só estariam completas quando ela, aquela por quem se apaixonara mesmo sem saber, estivesse ali por perto.

  Como era idiota; foi preciso que perdesse algo tão valioso para notar sua real importância. Não queria parecer piegas, mas quanto mais acostumado ao bom o sujeito fosse, mais demoraria a se acostumar ao meio termo. Talvez nunca fosse se acostumar.

  Ele queria poder voltar atrás e lhe falar tudo o que sentia hoje. Mas, claro, era tarde demais. Não sabia ao certo, mas temia que ela já estivesse em outro ambiente, com outras pessoas e, o pior, com outro amor. Sempre soube que o mundo girava, mas nunca foi de botar muita fé nesses ditos populares. Pois agora sim, ele acreditava em tudo isso. Céus, como se arrependia de não tê-la amado antes. Como arrependia-se de não ter dado o que ela merecia, de perceber a importância que ela tinha para ele. Chegava a lhe doer por dentro.Mas era tarde para voltar atrás, ele sabia.

  E enquanto isso, ele ia sobrevivendo...

 

Força

 

  Quando passamos por muitas situações difíceis ao mesmo tempo, é como se sentíssemos que não iríamos aguentar. Tenho a impressão (e talvez a certeza) de que muitas coisas acontecem para nos testar. Para ver o quanto podemos suportar e até quando. Somos fortes o suficiente ou iremos sucumbir?

  Somos humanos e desconhecemos nosso limite. Só tomamos conhecimento do mesmo quando somos postos à frente dele. No entanto, descobrimos uma força dentro de nós que não sabíamos existir. Algo que nos faz acreditar num dia novo, na resolução de nossos problemas, por mais impossíveis de resolver que eles aparentem ser.

   É essa a força que nos faz seguir em frente. E, preciso dizer, é surpreendente. Vem de gestos simples, como um sorriso que significa algo como “Conte comigo” ou um abraço que diz “Estou aqui” ou um consolo que grita “Siga em frente”. Nos apoiamos em amigos e família. Mas também (e principalmente) em Deus.

   Todos precisamos de um abrigo, de um conforto, um alicerce que nos mantenha. Por isso quando nos falta força, recorremos a Deus. De qualquer forma, através de qualquer religião. O importante é ter fé, acreditar e tê-lo sempre no coração. O maior colo é o Dele.

   E aí a gente aprende a dizer: Obrigado Deus, e amigos.

   ‘Que é Deus que te faz entender toda a poesia, que torna mais valiosa a Vida e prova que ainda dá pra ser feliz.’ Rosa de Saron.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Era um sonho, afinal.

 

 

  Eles se olhavam, sem desviar o olhar um do outro, desde que o silêncio tomara conta da situação. Não se tratava de um olhar qualquer, mas um olhar de cumplicidade, onde ambos compartilhavam as mesmas sensações.  Impossível descrever o que sentiam naquele momento, que se tornara único; um misto de alegria, ternura, calma, euforia, amor. Ah, sim, amor talvez impregnasse aqueles olhos. Um amor tão sincero e tão repentino! Nenhum dos dois sentira nada parecido anteriormente. A vida lhes tinha reservado a mesma surpresa de um sentimento tão jovem, puro e sincero.

   Debaixo de uma cerejeira, onde as flores que ali floresciam pareciam partilhar da mesma alegria de ambos e ainda exalava um odor ameno e ao mesmo tempo marcante, eles faziam cada momento parecer último. Encontravam-se deitados em um campo onde a grama crescia livremente e o sol banhava a paisagem e esquentava os corações dos dois. Estavam andando pelas redondezas e ele de surpresa, a levara até ali. Ali, no alto do tronco daquela cerejeira, marcaram as iniciais de seus nomes, como fazem os casais nos filmes água-com-açúcar românticos. Achavam isso tão antigo… E tão lindo. Apaixonados costumam ser bobos, sempre.    Ele a abraçava e conversavam calmamente, como quando não há pressa em se viver.

  - Tão bom olhar pra você e ver que está aqui comigo. – ele disse. Via-se verdade e satisfação em seus olhos. Ele a admirava por minutos seguidos.

  - Tão bom olhar pra nós e ver que estamos juntos. – ela completou. Bastou isso para que ele sorrise e comprimisse-a mais ainda contra seu peito.

  - Eu te amo. – ele disse baixinho.

  - Pois eu também te amo. Se isso não é amor, não sei que nome dar… – ela sorriu.

   Então tudo foi se afastando, como num borrão. No momento em que ele ia falar algo, ele simplesmente sumiu de sua frente, como fumaça que o vento leva.

   Ela acordou de repente, assustada e tremendo de frio. Era um sonho, afinal.

  O sol tinha sumido e ele não estava lá para esquentá-la e dizer que tudo ficaria bem

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Saudade. But It will be okay in the morning...


Não há hora, nem lugar, nem ocasião certa para ela aparecer. Às vezes vem de forma inesperada e, em outras, propositalmente. Um perfume, uma música, uma carta, uma rosa, um lugar. Coisas pequenas e simples que nos fazem retroceder à momentos que dificilmente iremos esquecer e que ficaram marcados em nosso coração (piegas, eu sei. Mas é a mais pura verdade). Momentos especiais. Quando menos esperamos, ela - a saudade - vem e nos surpreende com uma sensação de impotência, pois não há nada que possamos fazer.
Sem dúvida, a hora preferida dela aparecer é antes de dormir. Aquele momento em que você pensa em tudo, desde tarefas diárias simples realizadas durante o dia até pessoas que você convive (ou não). É o momento em que nos desligamos do mundo e deixamos nossa mente passear por todos os assuntos que não nos damos o trabalho de pensar durante o dia, aqueles que sabemos estar adiando e inventando desculpas para não pensar. Nessas horas não há como escapar e nem há como evitar. Caso contrário, prepare-se para travar uma luta de horas com seu subconsciente e encarar noites de insônia. É inevitável.
É como se nosso cérebro soubesse que aquele é um terreno delicado e que só pode ser sondado à noite. E então, vem aquele aperto no coração.
Aquela sensação que só quem já sentiu muita falta de alguém sabe explicar. Melhor, sabe entender, porque explicá-la não é tarefa fácil.
Uma incerteza que se soma à insegurança e que te faz temer o futuro de uma forma que você jamais pensou que pudesse temer. Dói mais ainda por não saber quando ela irá embora, já que não há previsão pra nada.
Não saberia dizer se é um sentimento bom ou ruim. Mas com certeza contraditório. Porque no fim, restam as lembranças; aquelas que te machucam e te confortam igualmente. Te machucam por saber que elas fazem parte de um passado que talvez não volte mais. E te confortam por ter sido um época boa da vida com alguém ou mesmo sozinho.
E quando vemos, lá se foram os dias... e as noites intermináveis que, por fim, nos damos conta que elas têm um fim, precisam ter. Mesmo que na noite seguinte comece tudo outra vez...
Tudo ficará bem de manhã.

sábado, 17 de abril de 2010

Então, eu sou brega.


  Às vezes tenho a impressão de que nasci na época errada. Não sei se isso é muito normal, mas como eu discordo de várias coisas dessa ‘sociedade moderna’, já não me espanto mais. Muitas vezes já me peguei pensando em como seria se eu tivesse nascido há 30 anos, por exemplo. Ou até mais !

   Gosto das coisas antigas. Das coisas mais simples como CD’s ( e se eu tivesse vivido a era dos Lp’s com certeza sentiria falta), livros antigos, poemas. Até as coisas mais complexas e abstratas como o amor verdadeiro (que não foi extinto, mas às vezes é difícil acreditar que ele ainda existe) ou uma amizade incondicional, estão mais difíceis de encontrar.
   Um sentimento não é mais valorizado como em tempos atrás. Vivemos em um mundo tão ‘largado’, tão desapegado! Os gestos simples que valiam tanto, hoje já não tem mais tanto valor. Talvez não tenham valor algum para alguns.
   Uma rosa, uma carta (como eu adoro cartas!), um bilhete, um gesto, um olho-no-olho
   Pessoas casam, descasam. Dizem ‘eu te amo’ com uma facilidade e uma simplicidade usual. E amanhã já não amam mais! Transformam uma coisa complexa em algo simples, pulam etapas, correm com as coisas, voam no tempo.
   Onde está o compromisso, a lealdade; o sentimento puro que cresce com o tempo; os amigos de verdade, que estão a todo momento com você? Não vejo mais um sentido, um propósito nas pessoas. Elas simplesmente não se importam com nada, desde que aquilo não as afetem.  Não há lutas por aquilo que se quer,  no lugar disso há apenas resignação. Paciência não existe mais, tampouco a compreensão. É mais fácil odiar do que compreender o motivo do outro. Julgar do que conhecer. Divertir-se do que assumir um compromisso.  Calar-se do que correr o risco de não ser aceito.
   Não sei se há anos atrás as coisas eram ótimas, talvez seja utopia pensar que no passado as coisas eram melhores, porque com certeza eu iria estranhar e discordar de muitos aspectos. Só não estou satisfeita com esse modelo de sociedade onde tudo é dinheiro. O sentimento fica sempre em segundo plano, não importam as circunstâncias.
   Se isso é breguice, tanto faz.  Para mim não faz diferença, pois então eu sou brega.  Nunca vou achar o amor, a saudade, a preocupação com os outros e a amizade ultrapassados. Nunca vou deixar de acreditar nos seres humanos, por mais difícil que isso possa ser. Porque, por mais que as evidências me mostrem o contrário, prefiro acreditar que ainda há exceções, e é com elas que quero viver.
  
‘Pelo menos em uma coisa, Dumbledore estava certo. Ainda havia uma coisa pela qual valia à pena lutar’
- Harry Potter pode ser muito mais filosófico do que parece.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Why so serious ?


  Vou confessar, meu sonho de consumo era ter um sorrisão bonito. Daqueles com os dentes certinhos e branquinhos, que dá orgulho de sorrir nas fotos. Todo mundo elogia, dizendo como seu sorriso é bonito! Do tipo que não é preciso clareamento tampouco aparelho, Deus te deu aquele sorriso assim, por pura e espontânea vontade.
  Eu queria um daqueles igual a propaganda, tipo Colgate Ultra Fresh Power Whitening Master! Já testei todas as pastas de dente que prometiam um sorrisão bacana, branquiiinho como o cabelo da minha biza um dia foi. Mas cadê que funciona? Que nada, ficava horas escovando os dentes na esperança de conseguir essa façanha. Tudo bem, se eles não ficam branquinhos, pelo menos certinhos têm que ficar! Resolvi botar aparelho.
   Nos primeiros anos foi tudo lindo, estava mega empolgada com aquela parafernalha toda na minha boca. Nem me importava, porque estava disposta a tudo pra ter o sorriso tão cobiçado do comercial. Então os anos foram se passando e eu percebi que o tratamento até tava dando certo, mas não tão certo assim. Eu queria uma coisa natural, pra ninguém saber que um dia eu tinha usado aparelho! Sera que era difícil pedir um dente igual ao das mocinhas da novela?? 
   Já se passaram muitos anos e até hoje meus dentes não mudaram muita coisa. Tudo bem, eu não desisto. Ainda penso em fazer um clareamento e não vou abandonar meus ferrinhos.
  No fim de tudo, acho que fui injustiçada pela ausência do dentes perfeitos. E quem disse que eu deixo de sorrir por causa disso? Acima de tudo eu sou feliz, mesmo com meus dentinhos não tão perfeitos. 
   Mas ainda bem que não sou simpática...
  
foto: http://weheartit.com/entry/1815809

terça-feira, 23 de março de 2010

Dúvidas,

 Quantas vezes já me peguei pensando em como agir? Inúmeras vezes. Qualquer situação que eu vivo é motivo pra ela nascer: a dúvida. Essa pequena indecisão que se forma na nossa cabeça quando temos que decidir alguma coisa e tomar decisões. Muitas vezes, coisas pequenas: o que escrever, o que vestir, o que falar, o que comer, o que escolher. Coisas simples que talvez não façam muita diferença. E outras que fazem toda a diferença! Qual profissão? Qual caminho seguir? Vou ser bem sucedida, estável ou viver na miséria? Casada ou solteirona? Vou ter uma paixão avassaladora ou viver um amor tranquilo? Vou ser feliz? Vou rir a toa? 
  Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas!
  Só nos confundem, nos deixam indecisas. Mas é preciso! Quando temos uma dúvida, analisamos o lado bom e o lado ruim de tomar determinadas decisões, e isso faz com que sejamos mais cuidadosos em nosssas escolhas (apesar de muitas vezes ainda assim fazermos a escolha errada, mero detalhe rs). 
   O que é mais relevante nisso tudo, acho eu, é o tempo que levamos pra decidir as coisas. Porque ter dúvidas é normal, só precisamos nos decidirmos o quanto antes seja lá o que for. A verdade é que ninguém gosta de pessoas indecisas... Por isso é importante sermos determinados para fazer a diferença.
   Nossas escolhas vão nos direcionar pelos nossos caminhos, e no meio disso tudo, erramos, é claro. Só nos basta aprender com eles e seguir em frente. 
   Como eu queria ser menos indecisa! Defeito que eu mais odeio em mim e talvez um dos quais mais me irritam. Mas tenho tantado melhorar isso, acreditem. Um dia eu chego lá !
  
  'Não deixe que o tempo da dúvida te impeça de agir. Se tiver que fazer, faça. Caso contrário, quando você voltar atrás talvez possa ser tarde demais.'


  

terça-feira, 2 de março de 2010

Terapia

 'O pior erro que você pode cometer é achar que está vivo quando, na realidade, está dormindo na sala de espera da Vida'
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Terapia

Escrever.
Escrever o que vier à cabeça, escrever o que eu penso, o que eu sinto, o que eu acho, o que eu critico, o que eu discordo
Escrever, só escrever.
Me sinto leve quando o faço, sei que de alguma forma estão me ouvindo.
Mesmo que não haja ninguém.
Meu desabafo vai ganhando forma no papel, minhas idéias vão se formando mais rápido do que o rabisco da caneta.
E então aquilo surge.
Minhas idéias, minha palavras, só minhas!
Meus sentimentos, reprimidos ou não, minhas tristezas, minhas alegrias, meus conselhos.
Está tudo ali.
Por quê?
Porque me faz bem. Eu não consigo mais parar.
Porque eu preciso disso.
Porque me sinto livre, sem limites.
Sem vergonha, sem medo, sem palpites, sem opiniões indesejáveis, sem perguntas, sem explicações, sem questionamentos, sem sentido!
Não é preciso um sentido para que eu escreva.
Basta querer.
Basta a vontade e a necessidade de me expressar.
E a cada dia que passa me sinto mais certa de que é isso o que tenho que fazer pelo resto da minha vida.
Como carreira ou não, nunca vou parar de escrever.
Nunca vou deixar que minhas idéias e sentimentos sejam calados.
Quem não escreve não se entende.
Não questiona; aceita.
Nunca vou conseguir parar de escrever.
Só quando eu morrer...
E ainda assim sinto que não vou sossegar onde eu estiver.
E se houver um papel e uma caneta, me deixe lá.
Vou descansar em paz.
Vou escrever em paz.


  Pra terminar, eu tenho que postar essa foto ! Foi minha irmã que fez essa arte rs. Criatividade a mil!


   Beijos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Noite


às vezes sentia-se cansada, exausta
não conseguia dormir
não por cansaço físico, mas pela pressão emocional que sofria todas as noites antes de deitar-se
era como se seus olhos não obedecessem a sua ordem
seu corpo sabia que ela não estava pronta pra dormir
era o que queria, mas sua mente simplesmente não parava de trabalhar
isso cansava até seu corpo, que já não dormia há umas 3 noites
era só fechar os olhos que a dor voltava, como aquele problema que sabemos que temos que resolver
mas adiamos por não fazer ideia de como fazê-lo
Então a dor ficava indo e voltando, alternando com estados de desânimo
alegria instantânea e choro silenciado pelo travesseiro
era tão instável que ora sorria, ora chorava
não que tivesse muitos motivos para sorrir
ela só tentava vencer a tristeza
( e por ora a vencia, mas não totalmente)
como se isso fosse possível...
a noite era a hora que mais odiava
por um lado queria dormir e sonhar
só nos sonhos podia ser o que quisesse
não importava o que e nem onde
ela simplesmente era
mas era à noite que sua cabeça trazia todas as lembranças
quando não sonhava, não conseguia dormir
porque a realidade era crua e verdadeira demais
para que a deixasse apenas fechar os olhos...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Amizade, pra tudo.

   

   Quantas vezes você não achou que não iria conseguir superar uma coisa? Ou então quantas vezes não se pegou pensando em como iria suportar tal lugar ou tal pessoa sozinho? Quantas vezes você já não passou por situações em que deu aquela vontade de ligar praquela pessoa que você confia tanto por não saber como agir? Ou pensou em ligar só pra dar umas risadas? Esfriar a cabeça, rir de tudo e todos, falar da vida alheia (com classe, claaaro rs!)... 
   Nessas horas você pensa em só um grupo de pessoas capaz de fazer isso e muito mais: seus amigos. Aqueles sem os quais você acharia insuportável viver. Aqueles que nos momentos em que você acha que não é capaz, não vai conseguir, pensa em desistir, eles estão ali. Alguns tão perto e outros tão longe! Pessoas totalmente diferentes ou super iguais a você que conquistaram sua confiança. Não importa o jeito, as características físicas, o temperamento... eles sempre estão ali pra te apoiar. Mesmo que não concordem com suas atitudes, ou achem que o que você está fazendo é uma grande burrada! Eles não te abandonam, porque acreditam em você. Valorizam tudo o que construíram juntos ao longo de anos (ou até meses!).
   Não é preciso de muita coisa pra se construir uma amizade sólida e verdadeira. Claro, você pode discordar totalmente. Na verdade, o que quis dizer é que em alguns casos não é preciso muito tempo. Pode levar anos pra se confiar em uma pessoa, assim como pode levar meses. Depende muito da pessoa em questão. Particularmente, tive amigos que levei anos pra confiar de verdade, e em contrapartida outros que assim que bati o olho soube que a amizade era verdadeira e recíproca. É engraçado, porque no meu caso sou desconfiada e demoro um pouco pra confiar nas pessoas. Mesmo assim, existem aquelas que tenho certeza que estarão do meu lado em qualquer momento, qualquer situação e em qualquer lugar ! Com um olhar entendemos tudo o que a pessoa quer dizer. Não é preciso uma única palavra pra sabermos o que se passa na cabeça da outra pessoa, um olhar diz tudo. (Eu to escrevendo isso e rindo sozinha, lembrando de váárias coisas! Recordar é viver rsrs )
  O que me dói mais é quando temos, por aglum motivo, de nos separar. E sim, é difícil manter uma amizade à distância. Eu disse difícil, não impossível. Há pessoas que por mais distante que você esteja, não deixam de estar ao seu lado. Torcem por você mesmo não estando sempre em contato, lembram de você com carinho e te consideram com a mesma forma do passado. Eu acredito muito que mesmo após anos sem se ver, uma amizade pode sim continuar. O que é mais necessário pra mim, é que essa relação seja recíproca, buscando sempre um equilíbrio. Na maioria das vezes, os desapontamentos com os outros acontecem justamnete aí; quando achamos que alguém faria algo pela gente (que no caso, nós faríamos pela pessoa) e ela simplesmente não faz. 
   Além disso, nem preciso falar que é importante o respeito, o companheirismo e a dedicaçã pra fazer com que a amizade dê certo para os dois lados. Existem brigas, claro, porque se há diferenças, elas acontecerão. Só nos resta saber contorná-las da melhor forma possível para que não afetem essa relação. Pra mim, a partir de um momento em que uma pessoa não te faz bem, deixa de ser uma amizade que vale à pena.Ela tem que te entender e te acrescentar. Porque pessoas que te fazem retroceder não valem a pena, certo?
  
  Agora, momento pessoal. Hoje foi a volta às aulas (: Eu tinha esquecido de como é bom rever todo mundo! Tudo bem, começou tudo de novo... Estresse, aulas, mil provas, correria... Maaas, é inevitável. Então, eu só encaro com bom humor, que aliás é o que eu tenho feito com tudo! O que seria da vida sem boas risadas? (Acreditem, disso eu entendo e é remédio pra qualquer coisa).
  Beijos e atééé (:

P.s: Leiam Clarice Lispector, pelo amor de Deus! Eu super recomendo, ela é a melhor escritora ever. Trechinho dela:
'A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.'